Bruxa Akata | Nnedi Okorafor

Título Original: Akata Witch
Autora: Nnedi Okorafor
Tradução: João Sette Câmara
Ano: 2018
Editora: Galera Record
Páginas: 319
Amazon

Sunny é uma garota de doze anos que, como poucas, incorpora um mundo magnífico de cultura, respeito e cores em sua essência. Ela nasceu nos Estados Unidos, mas recentemente se mudou com a família para a Nigéria e, ao contrário de incontáveis exemplos, lidou espetacularmente bem com todo o processo de mudança. O mesmo não pode ser dito de seus colegas de escola que, ao perceberem suas características e feições ancestrais interligadas a palidez de sua pele, perseguem e maltratam a garota albina.

Quando o ambiente escolar não é capaz de produzir nada além de uma atmosfera opressiva, a menina redireciona suas mágoas e dores para as partidas de futebol que só pode jogar com os irmãos no período da noite, pois são os únicos garotos que a aceitam de igual para igual no meio de campo.

Embora enfrente alguns dos desafios comuns a idade, levando uma vida como a de tantos outros garotos e garotas, Sunny se depara um mundo novo obscurecido pela magia de poderosas facas juju. Seus amigos são pessoas-leopardo, filhos de famílias cuja magia ancestral é transferida pelo sangue e, são eles os responsáveis por, pouco a pouco, apresentar um novo universo a recém descoberta agente livre, alguém cuja magia não é transmitida por meio da hereditariedade.

Agora a menina albina, perseguida pelos colegas, apaixonada por futebol e pertencente diversos mundos encontra um leal grupo de amigos, inicia o processo de aprendizado sobre o mundo das pessoas-leopardo e adquire sua própria faca juju, ingressando neste universo mágico cujas aventuras podem presenteá-la com muito mais do que arranhões e conhecimento.


Bruxa Akata trata-se de um infanto-juvenil cuja escrita simples, direta e acessível possibilita a criação de uma história capaz de fisgar e inserir, assim como fizeram os primeiros volumes da saga Harry Potter, jovens leitores ao mundo da fantasia e, principalmente, da leitura.

A narrativa e mundo construído por Nnedi Okorafor lembram e são constantemente comparadas ao universo e caminho percorrido pelo famoso bruxinho. Porém, os elementos e características devem manter-se associados somente até certo ponto, uma vez que aqui reina um novo mundo repleto de mitologia e cultura nigeriana que, ao contrário do que J.K. Rowling possa afirmar hoje, nunca foram contemplados nos volumes pertencentes à saga Harry Potter. 

As varinhas transformam-se em facas juju. O trio de amigos altera-se para um grupo de quatro, composto por dois meninos e duas meninas que, apesar da diferença de idade e vivência, não se deixam abalar por nada e edificam o mais belo sentimento de amizade e lealdade. Os professores transformam-se em mentores que buscam auxiliar seus aprendizes a exercitarem e aprimorarem suas qualidades únicas. O quadribol abre espaço para o emocionante e verdadeiro futebol e, por mais que possa efetivar outras breves associações, elas não vão além de meros detalhes.


Confesso que, por voltar-se a um público mais jovem, a escrita simples e a forma como são construídas as aventuras, introduzindo o leitor aos possíveis desafios e vilões dos próximos livros, me surpreendeu e confundiu bastante. Minha experiência de leitura foi muito mais a de observadora não por falta de qualidade narrativa, erros de delimitação de universo ou falta de talento da autora. Não, foi pura e simplesmente por não estar mais acostumada com este tipo de leitura, por ter me distanciado muito do ponto onde edifica-se aquela poderosa, encantadora e magnífica conexão com os personagens, transformando-os em amigos, companheiros de aventura e tudo isso se dá única e exclusivamente por conta da idade. A obra é maravilhosa sim, mas a idade interferiu no processo, transformando eventos espetaculares aos olhos de um leitor mais jovem, em algo mais simples para o leitor mais velho.

Bruxa Akata trata-se de uma obra repleta de magia, mitologia e cultura nigeriana, mas também vibra com as aventuras de seu grupo de personagens carismáticos, adoráveis e verdadeiramente humanos, apesar de suas facas juju e feitiços ancestrais. É encantador deparar-se com uma narrativa que fala diretamente com jovens leitores, cuja escrita simples e universo fantástico descortina-se perante nossos olhos. Porém, imagino que seja ainda mais maravilhoso receber e descobrir essa história na idade a qual se destina, uma vez que ressalta tantas mensagens preciosas e insere o jovem leitor ao fantástico mundo da leitura.

16 comentários

  1. Izabel!
    Gostei de saber que o livro, apesar de ser uma ficção fantástica, traz um pouco da cultura africana, mitologia e cultura nigeriana, e de problemas como o bullying, enfrentado pelo mundo todo.
    Desejo um ótimo feriado e final de semana!
    “Para cada minuto que você se aborrece você perde sessenta segundos de felicidade.” (Ralph Waldo Emerson)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA NOVEMBRO - 5 GANHADORES – BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

    ResponderExcluir
  2. Quero começar a ler obras de países diferentes é gosto muito de fantasia, parece um bom livro, obrigada pela dica.

    ResponderExcluir
  3. Primeira resenha deste livro que já estava namorando esta capa lindíssima e que alegria poder saber que não é apenas a capa bonita.
    Mas adoro um enredo com personagens jovens, que não só trazem os problemas de humanos,mas que também carreguem junto magia, determinação e este monte de descobertas em relação aos "poderes".
    Sem contar que se passa na Nigéria, tão pouco explorada no universo literário,mas que tem uma beleza única e claro, suas histórias próprias!
    Com certeza, vai para a lista de desejados!!!
    Beijo

    ResponderExcluir
  4. Suas resenhas são sempre muito bem escritas e os livros bem analisados. Parabéns pela qualidade!

    Não me interessei por este livro em especial, provavelmente por ser bem infanto juvenil. Mas realmente acredito que para adolescentes seja uma obra ótima!

    ResponderExcluir
  5. Como fantasia é meu gênero preferido,já fiquei interessada, a maioria desse gênero é infanto juvenil eu não ligo gosto também, aparecem muitos bons. Fiquei bem interessada por ter outra cultura mencionada no livro a nigeriana, adoro saber sobre outros lugares, aparecem muitas coisas interessantes, que nem imaginava. fisgar, fiquei curiosa com esse mundo da magia deve ser uma aventura e tanto.

    ResponderExcluir
  6. Olá, tenho vontade de ler essa obra desde seu lançamento, e confesso que é em grande parte pela capa, que é muito bonita. É evidente que o ponto alto da trama criada por Okorafor é a sobrenaturalidade extraída da cultura nigeriana, que só tem a somar para uma leitura agradável. É difícil não comparar um livro que envolve pré-adolescentes e magia com Harry Potter, porém aqui temos uma originalidade inegável. Beijos.

    ResponderExcluir
  7. Oi! Aaahhhhh que tudo esse livro!! Acho muito importante a representatividade existente no livro, da cultura africana, que não existe, em lugar nenhum. Foi apagada! Eu lembro que li um livro há muitos anos, tinha uma mulher negra enrolada numa cobra, e se passava numa tribo africana onde as mulheres eram as líderes, e esse livro me marcou tanto que lembro até hoje, mesmo que tenha esquecido o nome.. Adorei a premissa da personagem ter magia, e de como ela vai descobrir suas habilidades e ainda capturar esse assassino. Adorei de verdade!

    Bjoxx

    ResponderExcluir
  8. "ao contrário do que J.K. Rowling possa afirmar hoje" adorei o shade ajskdhjash

    Confesso que depois de ler "Children of Blood and Bone", ver outro livro de magia vindo da Nigéria me animou bastante! O que li também incorporou a cultura nigeriana, o que foi refrescante num livro de fantasia, ainda mais porque costumo ler mais livros americanos do que de outros lugares. Espero que consiga ler "Bruxa Akata" logo!

    ResponderExcluir
  9. Oi, Izabel,

    Esse é um livro que almejo muito ler. Vemos que o elemento encarregado pela movimentação da história tem muito a oferecer, visto que há muito o que explorar na mitologia. A introdução de um tema tão importante, como o bullying, faz desse um livro completo. Somado a tudo isso, o livro é muito atrativo.

    ResponderExcluir
  10. Oi Izabel,
    já venho namorando esse livro desde que o vi pela primeira vez em um booktalk gringo. Assim como Filhos de Sangue e Osso, Bruxa Akata me conquistou pelo universo envolvendo culturas que não costumam ser abordadas, principalmente em livros infanto-juvenis. Fico muito feliz em ver essa mudança, como por exemplo com Aru Shah e outros que também estão seguindo esse caminho. É gratificante ver que meus sobrinhos vão poder descobrir a magia por livros que não sejam apenas brancos e eurocentrados (ou americanizados). Quero muito comprar ele, e amei muito a resenha! (principalmente o shade leve na JK, hahahahaha)

    Att.,
    Eduarda Henker
    Queria Estar Lendo

    ResponderExcluir
  11. Olá, Izabel
    Já namorava o livro pela capa, depois da sua resenha quero muito ler. Adorei facas Juju!
    Gostei de saber que a autora trouxe a cultura nigeriana e abordou o bulling, quero ter oportunidade de ler não só esse livro Bruxa Akata da autora assim como outros dela.
    Beijos

    ResponderExcluir
  12. Olá Izabel,
    Eu sempre adoro quando as histórias trazem como tema a magia, e dessa vez, gostei mais ainda por fugir um pouco dos bruxos que encontramos na literatura, nos dando uma visão melhor em outras culturas, como a nigeriana.
    Sem dúvidas também é importante lidar com essa falta de aceitação dos colegas de escola, algo que revolta, mas que também é real, por ser um livro infanto juvenil, acho bacana estar presente, para dar uma consciência para o leitor.
    Gostei de como o enredo foi montado, fiquei tentada a saber como a garota aprenderá essa magia, e pretendo ler em breve.
    Beijos

    ResponderExcluir
  13. Oi Izabel!
    Primeira resenha que leio sobre esse livro, gostei bastante do tema, um gênero que eu adoro ler não pode ficar de fora dos meus desejados.
    Espero ter oportunidade de ler em breve.
    Bjs!

    ResponderExcluir
  14. Oiiii
    Primeiramente a capa é lindaaaaa. Gosto de livros de fantasia, e é bem interessante conhecer um pedaço da mitologia africana.
    Adorei a resenha.
    Beijos

    ResponderExcluir
  15. Oi Izabel,
    Confesso que não fiquei muito animada para ler, não sei, alguma coisa não me agradou muito. Mas a capa é muito maravilhosa! SOS

    ResponderExcluir
  16. Gostei do que o livro apresenta, é legal mostrar um pouco de outros países. A història em si não faz muito meu estilo, porém é interessante a leitura e se eu tiver a oportunidade vou ler.

    ResponderExcluir