O Exorcismo na Casa do Sol | Yuri Vieira

Título Original: O Exorcista na Casa do Sol
Autor: Yuri Vieira
Ano: 2018
Editora: José Olympio
Páginas: 238
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Vocês já ouviram falar em Hilda Hilst? Pois eu ainda não a conhecida, até começar a ouvir falar sobre seu nome e obra em 2018, já que foi homenageada na FLIP, reacendendo a enorme alma dessa escritora, poetisa e dramaturga. 

Hilda nasceu em 1930 em Jaú, São Paulo. Formada em Direito pela USP, escreveu Presságio, seu primeiro livro, uma coletânea de poemas de autoria própria, e seguiu seu amor pela literatura, lançando livros de diversos estilos literários, mas infelizmente ela fez parte daquele time de artistas que só tem a obra realmente reconhecida depois de sua morte, que ocorreu em 2004, em Campinas. A cidade foi seu refúgio desde os seus 35 anos, se mudou para lá, vivendo até o resto de seus dias na famosa Casa do Sol, uma chácara que abrigou diversos escritores e principalmente quase uma centena de cachorros. 

Hilda era uma mulher inteligentíssima, viciada nas novelas da Rede Globo, em animais e principalmente em boas histórias. Com uma vida de boa qualidade, possuía diversos amigos famosos e um grande sonho, de que alguma de suas histórias pudesse virar uma das suas amadas novelas. Ela era extremamente grosseira com quem não conhecia ou com aqueles que ousavam interromper suas novelas.

E nessa chácara, a Casa do Sol, que o escritor Yuri Vieira, passou alguns anos de sua vida, vivendo lá de favor começou a contribuir com a vida de Hilda ajudando-a como seu secretário, mas o que realmente atraia Hilda no rapaz era trata-lo como pupilo, ter alguém para discutir sobre obras, ter alguém para debater sobre literatura e incentivar o seu trabalho com os livros também. Yuri não morava mais lá quando Hilda nos deixou, ele viveu em Campinas de 1998 até meados do novo século, e é com as histórias pessoais que viveu com Hilda que ele fez esta obra.

No começo do livro ele conta que quando a amiga morreu, diversas pessoas lhe disseram que deveria fazer uma biografia de Hilda, mas ele não se sentia bem para isso, então resolveu fazer algo diferente, contar histórias agradáveis que ele passara com sua mentora, e é isso que a obra tem, quase uma dezena de histórias reais e cheias de curiosidades sobre Hilda.

A leitura é rápida, o livro tem pouco mais de 200 páginas e começa contando sobre a conturbada primeira visita de Yuri à Casa do Sol, de onde foi escorraçado. Mas a situação logo mudou e ele acabou sendo um dos hóspedes mais próximos da vida de Hilda. Ele já era escritor quando chegou lá e foi com o seu primeiro livro que ele conseguiu aproximação maior com Hilda, que gostou muito da maneira como ele escrevia.

As histórias contadas são de extrema intimidade, relatando inclusive uma experiência sexual da famosa escritora e também a opinião de Hilda sobre diversos assuntos, como feminismo e ufologia. O primeiro assunto, inclusive, é bem controverso sobre ela, já que muitas feministas atribuem um ativismo que, segundo Yuri, nunca houve da parte dela, que por sinal parecia ter ideologias bem contrarias ao feminismo nos seus relacionamentos com homens. Em uma citação no livro, ela diz que se interessa por homens que tenham algo a doar para mulheres, já que a na sua opinião, a mulher teria que ser sempre receptora de algo. Ele inclusive conta uma passagem sobre uma entrevista que Hilda daria a uma repórter reconhecidamente feminista, a moça esperançosa recebeu respostas completamente contrarias as que achava que teria. 

Em suma, Hilda passava a impressão de ser feminista por ser dona de si, por não abrir mão da sua liberdade para viver ao lado de alguém, sem renunciar coisas que achava fundamentais a sua vida, mas não era ativista da causa.

Virando as páginas, percebemos que o livro é muito leve, é o relato de histórias divertidas que o escritor viveu ao lado de uma das maiores escritoras do Brasil, é fácil de ler e muito prazeroso saber histórias de uma pessoa tão importante na nossa literatura. Porém nem tudo ficou legal no papel. Existe uma falta de cronologia, várias vezes uma história é contada e contém algum detalhe que pertence a outra passagem, ocorrida anteriormente, mas que só é relatada depois no livro. Acredito que uma rápida revisão e melhor organização dos capítulos deixaria tudo mais encaixado. Outra coisa que faltou na minha opinião foram fotos, tanto de Yuri com Hilda, como das pessoas que são citadas diversas vezes e até mesmo da própria Casa do Sol, pertences que certamente devem constar no acervo da escritora e que mesmo sendo banais e fáceis de inserir, trariam um enorme ganho para a edição da obra.

O Exorcismo na Casa do Sol foi lançado em junho de 2018 e várias polêmicas surgiram sobre ele, principalmente de críticos dizendo que o autor estaria se apropriando de histórias vividas com uma escritora famosa para tentar se alavancar na carreira. As críticas foram especialmente pesadas por ele ter usado histórias muito íntimas da escritora dentro da sua obra. Sinceramente, eu não vejo problema em ele ter contado sobre a sua vivência com alguém especial, e isso contribui muito para que fãs da autora a conheçam melhor, é claro que, partindo do princípio de que essas histórias realmente tenham acontecido da maneira como são contadas, já que não há nenhuma prova de que elas sejam reais. Como eu disse, a edição é pobre por não trazer manuscritos da autora, fotos e nem depoimentos das outras pessoas que são citadas no livro, mas fora isso, é uma maneira agradável e interessante de conhecer Hilda Hilst, uma das maiores escritoras brasileiras.

11 comentários

  1. O nome de Hilda vira e mexe aparece em citações pelo mundo literário, mas acredito que poucos de nós saiba de fato, quem foi esta mulher.
    E do quanto esta "reclusão" trouxe histórias de vida tão intensas!
    Eu sei praticamente nada a respeito dela e de sua vida ou obras, por isso fiquei encantada com o que li acima,mesmo com isso de ter faltado um pouco mais de aprofundamento em lances como imagens,manuscritos ou apenas mais pedacinhos desta história.
    E a gente até entende os motivos do moço ter sido acusado de abusar do nome da autora né?
    Se tiver oportunidade, lerei sim!
    Beijo

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  2. Olá! Confesso que eu também não conhecia a autora, até começar a ler essa resenha. É sempre muito bacana ter a oportunidade de saber um pouco mais sobre a história de pessoas que foram tão importante, ou que de certa forma deixaram sua marca no mundo. Sem dúvida fotos e um pouco mais de zelo com a edição deixaria a leitura ainda mais interessante.

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  3. Oi Bruno.
    Não conhecia a Hilda Hilst. Então foiinteressante saber um pouco dela pela sua resenha.
    Confesso que a premissa desse livo não me interessou muito. Parece uma mistura de biografia com suspense/terror, dois gêneros que não tenho muito o costume de ler.
    Mas achei a capa lindíssima.
    Beijos

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  4. Oi, Bruno
    Não li nada de Hilda e só fui conhecer um pouco da vida dela pesquisando depois de ler sua resenha.
    De fato ela foi uma mulher de fibra, se dedicou aos estudos, escreveu diversos gêneros é de grande importância para a literatura.
    Mas não tive interesse em ler esse livro, tenho certeza que o autor passou bons momentos com ela na Casa do Sol, mas não é uma leitura que chama minha atenção.
    Beijos

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  5. Não conhecia a escritora, mas gostei de conhecer e saber mais sobre ela e tenho que concordar com você a edição se tivesse fotos e manuscritos ficaria show. Não sou fã de biografias, mas sendo historias que aconteceram na vida dela e o autor estava presente é uma leitura interessante. É uma pena que ela só foi reconhecida depois da morte é tão triste isso.

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  6. Faço parte dos que não conhecia Hilda Hilst, mas adorei saber um pouco mais sobre a autora. Por um lado fiquei curioso com a história, uma narrativa leve cheia de relatos curiosos e divertidos, e também conhecer um pouco mais sobre o tesouro literário nacional. Por outro lado, por não conhecer Hilda Hilst fiquei receoso de não curtir a história, sendo uma leitura direcionada apenas para fãs da mesma. Fiquei em dúvida.

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  7. Não conhecia Hilda e nem o autor da história.
    Mas acho que ele tem com certeza um conteúdo gigantesco para apresentar dado ao fato de ter convivido tão próximo de Hilda.

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  8. Bruno!
    Goto muito de biografias, mesmo que sejam de pessoas anônimas para mim, porém que tem um conteúdo importante para repassar e acredito que o autor soube fazer seus relatos de forma a enaltecer a Hilda, o que acho louvável, mesmo com toda polêmica.
    cheirinhos
    Rudy

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  9. Olá Bruno,
    Bem, não sou fã de biografias, mas nesse caso, acho interessante como o livro foi pontuado, partindo de relatos e uma amizade, é como você disse, fica até no ar a dúvida se todos os acontecimentos foram de fatos da forma que relatados, e acho isso algo a mais no livro.
    Confesso que sou da opinião que Yuri utilizou, mesmo que sem perceber, de Hilda para alavancar seu sucesso, mas, também acredito que tenha sido como uma aprendizagem para ele o tempo que tiveram.
    Beijo

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  10. Acho que esse é um dos poucos livros de biografia que me interesso, a forma como dá a entender que foi escrito acaba com aquele ar parado que geralmente biografias apresentam e a ideia do título é simplesmente genial

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  11. Devo confessar que até hoje não li nada da Hilda, porque não me interessava e por saber que estaria fora da minha zona de conforto. Mas tenho ouvido tanto falar dela e de quão grandiosa é sua obra que acho que vou me arriscar. Mas nada melhor do que ler antes a vida como ela é, e saber um pouco de como realmente vivia essa grande escritora.

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