Anisha Seubert e Eileen são agentes da ELITE. As duas se encontram em um momento bastante conturbado de suas carreiras e após o fracasso da última missão, a dupla acaba encontrando em um novo caso a chance que precisam para retomar credibilidade que possuem dentro da agência. Informações importantes foram roubadas dos laboratórios da Argotech, mas uma série de pistas e evidências apontam que o caso aparentemente simples, tem tudo para se transformar em algo ainda maior.

O cenário futurista do Planeta Sansara, criado por Deyvison Manes, coloca este quadrinho nacional de ficção científica entre os mais bonitos visualmente que já tiver a oportunidade de ler dentro do gênero, mesmo que o enredo em si não seja do tipo que me arrebate como leitora. Mas verdade seja dita, quando temos algo de qualidade em mãos isso precisa ser reconhecido. Isso é possível porque somos apresentados a tecnologias avançadas, raças novas e com direito até a um cachorro falante como personagem secundário. A arte e cores contribui para que o quadrinho que temos em mãos seja uma bela experiência e deve encantar os amantes da nona arte.

O fato de as protagonistas serem mulheres também é um fator interessante e que pode trazer uma certa identificação para novas leitoras. Mas falando sobre as personagens, conhecê-las enquanto estão por baixo, querendo se reerguer dentro da ELITE, permite que acompanhemos suas evoluções como heroínas dentro da história de uma forma consistente, não são apenas heroínas combatendo o crime, são personagens buscando crescimento.

Sobre suas personalidades, Anisha e Eileen possuem um temperamento forte e determinado, desta forma é muito legal acompanhar o desenvolvimento delas em ação, que se apresenta como uma dupla implacável.

Se você curte ficção científica somado a histórias policiais repletas de ação, com certeza este é o tipo de HQ que vai te instigar. O quadrinho é a soma dessas duas coisas, temos a trama policial evoluindo dentro de um cenário cheio de possibilidades, permeado de intrigas, desconfiança, investigação e crimes. Visualmente eu achei incrível e de certa forma, me lembrou muito o contexto de Minority Report.

Justiça Sideral é um projeto que começou há 10 anos. Na época, o antigo portal de HQs nacionais, chamado HQs e Afins era formado por quadrinistas independentes que faziam parte do fórum Central de Quadrinhos e Justiça Sideral compunha os diversos títulos do site. Hoje em dia a arte de Netho Diaz ganha a ajuda de diversos artistas, envolvidos com a criação das artes finais, cores e capas de cada capítulo. Um time de peso para dar vida a este quadrinho nacional com um roteiro digno de filme sci-fy e do mercado americano de HQs.

Falando nas capas, grandes nomes do mercado de quadrinhos foram convidados para desenvolvê-las. Dentre esses nomes está Marcelo Maiolo que registrou passo a passo da etapa de colorização da arte criada por Felipe Watanabe para a primeira edição.

Isso tudo você pode acompanhar ao final da edição, juntamente com alguns extras como concepts dos personagens, armas e figurinos, assim como o raio-x de algumas cenas em específico da história. Entendendo esta parte da criação podemos analisar o quanto desenvolver um quadrinho é muito mais complexo do que podemos imaginar e o quanto roteirista e arte precisam estar conectados, tudo para que o leitor siga a narrativa como ela foi realmente pensada.

Enfim, mais uma dica de quadrinho nacional aqui no site, lançada pela Editora Avec que espero que você gostem. Até a próxima!


Título Original: Justiça Sideral: Recomeços
Autores: Deyvison Manes, Netho Diaz
Ano: 2018
Editora: AVEC
Páginas: 144
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