Objetos Cortantes | Livro e Série

11 abr, 2019 Por Izabela Neves

Após muitos anos longe de sua cidade natal, a repórter Camille Preaker é obrigada a retornar a Wind Cap e cobrir os casos de assassinato e desaparecimento de duas meninas, para o jornal em que trabalha em Chicago. Como em tantas cidades interioranas por aí, retornar para o lugar onde nasceu pode não ser a coisa mais agradável.

E, se não bastasse ter que lidar com as hostilidade dos cidadãos, em meio ao mistério que envolvem ambos os casos, a jovem ainda tem que lidar com fantasmas de seu passado. E reencontrar sua problemática família, em um momento como esse, não parece facilitar as coisas para a repórter.

Envolto em uma atmosfera de mistério e suspense, Objetos Cortantes, primeiro romance de Gillian Flynn, é totalmente envolvente e arrebatador. Usando os assassinatos como plano de fundo, a autora trabalha de maneira incrível as delicadas e sutis relações familiares, que em sua maioria são bastante complexas.

A narrativa da autora é direta e objetiva, o que faz com que isso gere ao leitor, uma ânsia por chegar ao final e descobrir o real assassino. Acredito que a leitura dessa obra é algo cativante, que nos leva aquela velha historinha do “ah, eu vou ler só mais essa páginas” ou “ah, só mais esse capítulo” e quando você vê, já são 4:00 horas da manhã e não quer largar.

Diferente de outros livros de suspense, em Objetos Cortantes eu levei muito tempo para poder formular hipóteses e imaginar os possíveis suspeitos. O livro não parece e não é clichê igual a muitos por aí e isso me aguçou ainda mais a vontade de ler. E mesmo depois, que minhas suspeitas foram “concretizadas”, eu fiquei extremamente chocada e não esperava pelo excelente plot twist na história.

A obra escrita em 2006 por Gillian Flynn e trazida ao Brasil em 2008, pela Rocco, foi intitulada inicialmente Na Própria Carne e ganhou uma capa não muito agradável. Em 2015 a editora Intrínseca relançou o livro com o título Objetos Cortantes, que tem mais haver com a proposta original da autora, e com uma capa que dialoga mais com a narrativa.

Objetos Cortantes apesar de ter sido o primeiro romance da autora, não se tornou o mais famoso, sendo Garota Exemplar o mais comentado e que foi adaptado para o cinema. Mas, assim como o outro livro, seu livro de estreia também teve uma adaptação e a HBO produziu uma minissérie de 8 episódios.

A adaptação impressiona muito e é uma das poucas que já deram certo. Há quem diga inclusive, que a série ficou melhor do que o livro, que soube trabalhar melhor a questão do suspense. Contudo, mesmo gostando muito da série, não achei que seja melhor que o livro. A obra possui uma genialidade inigualável.

Não sei vocês, mas sou o tipo de pessoa extremamente chata com adaptações, que fica indignada até quando falas muito importantes são mudadas. E no entanto, eu amei a adaptação de Objetos Cortantes. É claro que houveram cenas alteradas, inclusão de algumas e importância demais a outras, que não há no livro ou que não são tão exploradas, mas que não causou alterações relevantes.

Acredito que os produtores da série foram muito fidedignos com o trabalho de Gillian Flynn. É recorrente diversas adaptações fugirem da essência do livro e manterem apenas a proposta ou ideia central, e isso não ocorre aqui. Toda a problemática dos personagens, da família e da cidade foi muito bem mantido. É possível sentir na série que tanto a produção, quanto os próprios atores (e claro, não devemos esquecer de parabenizar Amy Adams pela excelente atuação) dissecaram minuciosamente cada personagem e o universo que compreende cada um deles.

Para quem gosta de um bom livro de suspense e busca boas adaptações, fica a dica do livro e da série Objetos Cortantes. Acredito que a atmosfera que envolvem os dois formatos vai impressionar, mesmo àqueles que não gostam ou não se interessam muito pelo gênero.

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