Unay é um projeto do autor Carlos F. Figueiras, que fora financiado ano passado através do Catarse. A antologia reúne contos ilustrados por quatro artistas diferentes. Os contos de terror abordarão temas conhecidos, dentre eles o medo, frustração, incertezas, raiva e vingança, tudo envolto a cenários misteriosos com criaturas e a influência do mal. Preparados?

Os cenários discorrem entre diferentes regiões do Brasil e em épocas diferentes também. Cada conto ganha o título do século em que se passa, sendo assim, no primeiro iremos para o século XVI onde os índios ainda tenham domínio sobre as Américas em uma época desconhecida e permeada por muito misticismo, lendas e maldições. As ilustrações são assinadas por Daniel Araujo e seus traços transmitem uma atmosfera que inspira pavor, algo que condiz perfeitamente com a história contada. Não é meu conto preferido, mas é nele que descobrimos o significado do título do quadrinho.

O segundo conto, XIX, o artista, João Miranda apresenta uma narrativa mais aglomerada, sem as delimitações dos quadros. Achei interessante pois com certeza dentre as quatro, esta é a mais sanguinária e impressionante visualmente.  Há poucos diálogos também e por este motivo o leitor precisará dedicar mais atenção a leitura. A história conta a história de uma estranha mulher que busca sangue e vingança e que passa a assombrar os capatazes de uma fazenda.  XX é o terceiro conto e nele teremos um cenário mais familiar, onde acompanhamos a imaginação de Carlos em sua viagem diária no metro. É impossível não se identificar com o personagem, pois eu tenho certeza que qualquer um aqui já se pegou imaginando as situações mais bizarras enquanto está dentro de um transporte público. Bem, a história de Carlos é bizarra e digna do terror. Erik Judson é o responsável pela arte.

Por fim e o meu preferido, estamos finalmente no século XXI e aqui acompanharemos quatro histórias paralelas. Iremos acompanhar os últimos momentos de quatro personagens que não possuem nada em comum a não ser o momento em que tudo terá seu fim. A ideia é fantástica e a arte de Crow Kid, única mulher envolvida no projeto, consegue transmitir todos os sentimentos e momentos que cada um está passando no derradeiro momento, seja a empolgação de um encontro romântico ou a triste angústia de uma filha prestes a perder a mãe. A história também transmite um certo medo real, visto os conflitos mundiais que nós cidadãos estamos metidos. Simplesmente estamos à mercê de políticos com um botão vermelho na mesa. É triste e faz refletir muito.

Achei interessante que em cada conto existe a manifestação do mal retratada por tentáculos, seja de forma expressiva ou mais sutil, mas ela está ali. Eu sempre achei esta representação muito interessante no terror, pois de forma visual, tentáculos se enrolam, te apertam, te puxam para um caminho que depois que você está inserido, pode não ter mais volta. A capa expressa muito bem isso e é assinada por PJ Kaiowá.

Gostei muito de conhecer as histórias dessa coletânea e a forma como cada artista expressou cada conto de formas tão particulares e intimistas. É realmente uma leitura muito interessante e que deve agradar fãs mais ávidos do terror, que buscam em histórias as temáticas mais clássicas do gênero. Ao final, Carlos F. Figueiras expõem todas suas ideias para cada história e também compartilha partes do processo de criação. É um autor para se ficar de olho e vale a atenção por ser nacional e de qualidade.


Título Original: Unay
Autor: Carlos F. Figueiras, Daniel Araujo, João Miranda, Erik Judson e Crow Kid
Ano: 2018
Editora: Independente
Páginas: 60
carlosfelipe.net

 

 

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