Inspirada na história de Ava Gardner e de outras memoráveis atrizes como Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor e Audrey Hepburn, Jenkins nos presenteia em seu quarto romance com Evelyn Hugo, uma emblemática atriz de Hollywood da Era do Ouro. Seja por sua beleza impressionante ou pelos escândalos que movimentaram sua vida e lhe proporcionaram sete casamentos, Evelyn é uma das pessoas mais conhecidas e influente do cinema.

Às vésperas de completar 80 anos, Evelyn Hugo decide contar todos os segredos e mistérios que envolveram sua vida, tanto pessoal quanto profissional. Todo mundo que ela ama já se foi e não há mais ninguém que ela precise proteger. Tudo o que deseja agora é mostrar a todos quem realmente era Evelyn Hugo. Para tal feito, a atriz decide contar sua história para Monique Grant, uma jornalista ainda em desenvolvimento, e não aceita outra pessoa para fazer isso. Contudo, o desenrolar da história mostra que a vida das duas está mais ligada do que a jornalista poderia imaginar.

A decepção amorosa é uma perda. O divórcio é um documento.

A vida íntima de pessoas famosas sempre foi e ainda é motivo de curiosidade pelas pessoas “comuns”. Ao lermos jornais e revistas, seja de grande veiculação ou não, é recorrente a divulgação de manchetes e notícias a respeito do cotidiano de celebridades. Com isso, é conhecido o fato de que essas pessoas montam todo um personagem sobre si. Criam uma persona com base em sua vida para manipular o que a mídia tem acesso.

Evelyn Hugo é uma personagem forte e de uma genialidade incrível, que soube manipular a mídia e as pessoas para conseguir o que queria. Precisou se tornar uma nova pessoa e mudar toda a sua identidade, para ser quem queria ser. A história reforça muito a questão da importância das aparências para a sociedade, tanto daquela época, quanto atualmente, e como isso se molda principalmente no cinema.

O mundo prefere respeitar às pessoas que querem dominá-lo. Nunca entendi isso, mas cansei de nadar contra a corrente.

Além disso, ambientado numa Hollywood, entre as décadas de 50 e 60, o livro traz a tona questões que atualmente estão em foco, mas que sempre existiram e que antigamente eram ainda mais críticas. Como por exemplo, temos os movimentos LGBT se iniciando, em defesa dos seus direitos, e a repercussão disso na mídia e na vida das pessoas. É possível perceber o impacto que isso tinha na vida pessoal e profissional.

Evelyn Hugo, em meio a todo esse processo e a sociedade machista da época, se torna um personagem ainda mais forte e impressionante, a partir do momento em que ela se percebe enquanto indivíduo e principalmente, enquanto mulher. O seu empoderamento é algo que nos toca e chama a atenção. Durante diversos momentos da leitura, me peguei pensando no quanto a personagem era foda e como queria ser como ela. Mas a grande questão é: O que nos impede de ser como Evelyn Hugo?

A autora nos convida a esse questionamento. Vivemos em uma sociedade extremamente machista e preconceituosa. Mas, até quando, nós mulheres vamos deixar que nossas vidas sejam conduzidas a partir disso? E o que estamos fazendo para mudar isso? O que ainda nos impede de percebermos e agirmos como a mulher foda que somos? Esse é um questionamento que não cabe apenas a nós mulheres, mas também aos homens.

“Não é conveniente”, Harry continuou, “Que num mundo onde os homens ditam as regras a coisa mais desprezada seja a que representa a maior ameaça? Imagine se todas as mulheres solteiras do planeta exigisse alguma coisa em troca de seus corpos. Vocês seriam as donas do mundo. Um exército de pessoas comuns. E isso é a última coisa que esses cretinos querem: um mundo comandado por gente como eu e você.

O final do livro não é o ponto alto da história, uma vez que de certa maneira ele já se mostra previsível. Contudo, não há como negar que a autora finaliza a história com maestria, e ao menos para mim, deixou alguns pontos muito importantes para reflexão. Se Evelyn Hugo é uma pessoa boa ou ruim, não há como decidir, mas com certeza ela é uma pessoa. Assim como qualquer outra no mundo, como qualquer outra celebridade. Evelyn Hugo é um ser humano, com acertos e erros, sempre em busca da sua felicidade.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é o quarto romance da autora Taylor Jenkins Reid, e foi trazido ao Brasil pela TAG Inéditos, na caixinha do mês de abril, com parceria da Paralela. Não preciso nem dizer o quanto o trabalho gráfico ficou sensacional, mas com certeza, o conteúdo apresentado merece ainda mais destaque. A autora ainda possui outros livros traduzidos, intitulados Em Outra Vida Talvez? e Daisy Jones & The Six.

Para quem ainda não conhece a autora e os seus livros, fica a dica dessa leitura que tem muito a oferecer. Os Sete Maridos de Evelyn Hugo foi finalista do Goodreads Choice Awards de 2017, na categoria Melhor Ficção Histórica, além de ser prestigiado com outros prêmios. É uma leitura que vale muito a pena e que deveria ser feita por todos. Pra quem está em busca de uma leitura enriquecedora, se joga nesse livrão!

  • Título Original: The Seven Husbands Of Evelyn Hugo
  • Autor: Taylor Jenkins Reid
  • Tradução:  Alexandre Boide
  • Ano: 2019
  • Editora: Paralela em parceria com TAG Inéditos
  • Páginas: 411

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