Deadpool - Crítica

Deadpool

Lançamento: 11 de Fevereiro de 2016
Com: Ryan Reynolds; Ed Skrein; Brianna Hildebrand; Morena Baccarin; T.J. Miller
Gênero: Ação; Aventura; Comédia

Não sou nenhuma especialista em histórias em quadrinhos, tudo bem, eu nem nasci na época em que as histórias em quadrinhos conquistaram o mundo, então me dá um desconto. Nunca fui capaz de compreender completamente e nem mesmo acompanhei religiosamente essa ou aquela história de super-heróis, bom, talvez a única exceção seja X-Men, afinal, quem não amava assistir aos episódios antes de almoçar e ter que enfrentar uma tarde chata de aulas? Mas isso é história para outro momento.

Ainda assim sou apaixonada pelo universo das histórias em quadrinhos, dos vilões adoráveis e dos super-heróis mal compreendidos, e mesmo não sabendo tudo sobre tudo, faço o que posso para acompanhar e, na medida do possível, tentar entender um pouquinho mais das nuances desse mundo que conquistou, e ainda conquista pessoas ao redor do globo, ao redor do universo, pois vai saber, você pode ser um alienígena que curte HQ. Não existe nada de errado com isso.

Quando Deadpool foi lançado, se lembra? Lá atrás, no começo de 2016. Eu era uma daquelas que esperou ansiosíssima pela chegada do longa, que torceu para que dessa vez, quem sabe dessa vez, Ryan Reynolds acertasse a mão e nos convencesse com o personagem, sonhei com o dia em que esse personagem, que eu conheço tão pouco mas que já conquistou meu coração, ganhasse o seu devido destaque. Sempre soube que sua hora iria chegar, e sempre esperei ansiosa pelo momento em que os fãs vibrassem de alegria e vissem seus sonhos se realizando! Poxa, Deadpool foi devidamente, mais de uma vez, extremamente requisitado por anos a fio, até o momento em que finalmente recebeu seu filme solo, e que filme solo!


Em Deadpool nós iremos conhecer a história de... Deadpool! É simples assim. Você não precisa de muitos neurônios para entender as referências por trás de nada, bom, talvez você precise, caso queria entender algumas piadas, mas no geral você só precisa entender um pouquinho do universo Marvel. Em Deadpool, o foco é o próprio Deadpool, e não poderia ser diferente. Não poderia ser nada menos do que isso.

O que você precisa entender sobre o filme, além do fato de que ele é relacionado ao universo Marvel e que possuí muitas cenas de ação e luta, é que estamos falando de uma piada pura. Uma piada pensada, elaborada, extremamente bem interligada para que tudo tivesse o clima e o toque certo. Wade Wilson (Ryan Reynolds), ser humano comum, trabalhador e batalhador que dá vida ao anti-herói, também possuí sonhos, também possuí fraquezas, defeitos, mas ainda assim, encontra o amor de sua vida.

Durante uma noite regada a boa música e muito álcool ele conhece Vanessa (Morena Baccarin), a mulher de seus sonhos, aquela que preenche o espaço vazio de... seu coração. Eles se dão bem, se entendem, se completam, até o momento em que Wade descobre que possuí câncer, não é assim que as belas história atuais se manifestam? O amor reina, Vanessa faz de tudo para ajuda-lo, para incentiva-lo, para fazer com que não perca as esperanças, mas no fim, nosso herói aceita a proposta tentadora de redenção e de cura.


Wade é inserido em uma sessão de tratamento intensivo. Não existe nada como uma proposta misteriosa, combinada na calada da noite, que te leva a um laboratório de terror e loucura, não é mesmo? É lá que Wade sofre, passa por uma mutação e se transforma em quem? Isso mesmo, você acertou! Ele fica feio, ele é queimado vivo, ele é transfigurado, mas também adquire poderes de cura e assim, bem, assim ele vira o Deadpool. Seu alter ego mascarado é quem procura vingança de todos que lhe enganaram, é aquele que luta pela justiça...de si mesmo. É aquele com o melhor senso de humor, com a melhor missão, aquele que descobre que, quando se está na lama, nós temos que se sujar.

Deadpool provou que ação e comédia fazem uma mistura maravilhosa. Acertou em cheio não apenas nas sacadas, não apenas nas cenas de ação e na máscara expressiva do personagem, mas também acertou em cheio nas piadas. O filme é uma piada na introdução, é uma piada na cena pós créditos, é uma piada até mesmo no romance e nas cenas de luta. Mas o melhor, como se ainda pudesse existir algo melhor, é o fato de que Ryan Reynolds faz piada de si mesmo mais de uma vez ao longo do filme. Ele não teve medo de dizer que sim, o seu primeiro Deadpool ficou bizarro, não teve medo de tirar sarro de seu Lanterna Verde sem graça, e nem mesmo de sua figura real, aquela que se tornou sonho de consumo de muitas de vocês, a tá, vai negar agora. Depois de tentativas que deram erradas, o ator finalmente alcançou a redenção em um personagem que não precisa de nada além de si mesmo para conquistar!

Não é difícil falar de Deadpool. O filme é acertado, é engraçado, possuí ação, possuí romance, possui tudo o que um bom filme deve possuir, mas não é um filme para crianças, e acreditem é preciso deixar isso claro. Deadpool é um filme da Marvel não familiar, e por isso quero dizer que ele não é para todas as idades, não pense que por ser mais um filme da Marvel ele será uma boa pedida para uma sessão cinema com seus filhos, pois não será. Vi algumas pessoas cometendo erros com relação ao filme, quando um pouco de pesquisa e bom senso poderiam ter resolvido tudo.

O filme é pesado, para crianças, possuí humor negro, amarelo, branco, azul, vermelho, está sentindo o humor da pessoa? Possuí cenas de sexo, mais de uma cena de sexo. Possuí o que podemos classificar como tortura, possuí sangue, mas é isso que Deadpool é.

Até onde meus conhecimentos vão, posso dizer que o filme acertou por nos trazer o que o personagem realmente é. Ele acertou por ser o que deveria ser, e além disso, não podemos deixar de notar, inseriu aqueles amados X-Men no meio da bagunça toda. Vocês não conseguem imaginar a felicidade dessa criança ao encontrar referências diversas, vocês não imaginam o quanto eu amei cada detalhe acertadamente inserido ao longo do filme. 

Deadpool precisou da fórmula secreta do sucesso para se estabelecer, ele usou aquilo que o personagem tem de melhor, ele usou as sacadas, a ação, o que o personagem verdadeiramente é e por isso conquistou tantos. Não é preciso muito para gostar do personagem, não quando você se deixa levar, não quando você entende quem ele é, o que faz e de onde veio. E tudo isso está no filme, ali, para que você desfrute e aproveite. É fácil falar de um filme que acertou, e é mais fácil ainda quando ele te trás tudo o que deveria trazer. Portanto, Deadpool é a piada do ano, é a sacada de gênio, é aquele filme que demonstrou que os filmes de anti-heróis e, porque não, super-heróis, não precisam se levar tanto a sério para... se levar a sério!

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