Resenha: A Vida Como Ela Era

Título Original: Life as We Knew It
Autora: Susan Beth Pfeffer
Ano: 2016
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 378
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• postada originalmente por mim no Livros e Chocolate Quente.

O primeiro volume da série Os Últimos Sobreviventes, A Vida Como Ela Era, é um lançamento de 2014 que ganhou uma nova edição, agora, em junho de 2016. Com um novo trabalho gráfico, a edição chamou mais a atenção dos leitores e principalmente, dos fãs de distopias, assim como eu. 

Logo de início conheceremos Miranda, protagonista e narradora desta história. É através de seus diários que vamos acompanhar as mudanças na vida desta adolescente. Teremos vislumbres normais da jovem com sua família, com suas amigas e também sua relação com garotos, afinal, Miranda tem 16 anos.

Diferente das distopias habituais, não iremos adentrar em um cenário distópico já estabelecido, vamos conhecer um mundo exatamente como o nosso, mas que diante um novo acontecimento, está prestes a mudar drasticamente. Iremos acompanhar esta sociedade, que Miranda e sua família se encontram, se moldando pouco a pouco, diante as dificuldades que seguirão pela frente.

Em seus diários, Miranda começa a relatar a preocupação de sua mãe e as rasas informações que os estudiosos fornecem diante a aproximação de um asteroide na rota da Terra. A população foi avisada que não haveria necessidade de tanta preocupação, porém, os cientistas estavam enganados e a colisão do asteroide na lua acabou sendo maior que a esperada, alterando a proximidade da lua em relação a Terra.

O que seria um simples evento, algo que Miranda poderia observar tranquilamente do quintal de sua casa, acaba ganhando uma proporção, absurdamente, maior e na manhã seguinte, Miranda já acorda num completo caos na Terra. Fora de órbita, em menos de 24 horas, a lua desencadeou uma série de acontecimentos climáticos pelo mundo. Terremotos são identificados por todos os continentes e tsunamis varreram todo o litoral do país. Grandes cidades como Nova York, Miami e Las Vegas estão em baixo d'água. Vulcões, antes adormecidos, acordaram e todos estes eventos somam milhares de desaparecidos e mortos.


Agora a realidade é diferente. A energia é escassa e não há mais abastecimento de combustíveis. Logo não haveria como se locomover e o aquecimentos das casas estava comprometido. A comida não chegará mais e a água também deixaria de ser potável. As mudanças climáticas chegariam antes do esperado e o inverno seria muito mais rigoroso.

Por ser um livro todo narrado em forma de diário, a leitura de A Vida Como Ela Era é feita de maneira rápida e por existir crescentes e constantes acontecimentos na vida de Miranda, é difícil interromper a leitura. É uma leitura repleta de apreensão, nervosismo e, por vezes, chocante. A autora Susan Beth Pfeffer soube fisgar o leitor já no começo de sua série. 

Com certeza, o ponto alto desta leitura e o que será uma grande surpresa para qualquer fã do gênero é justamente esta transição que é relatado com tantos detalhes por Miranda. A mudança deste mundo que estamos tão familiarizados para um mundo devastado e completamente mudado. É interessante ver a preocupação dos personagens com o armazenamento de comida, água, lenha e o racionamento de tudo isso.


O posicionamento da sociedade também é algo bastante interessante de se observar durante a leitura. A postura dos que tem muito e o horror de quem tem pouco. Há pequenas críticas nesta parte da história, mas a autora aqui, resolveu seguir por um outro caminho, deixando um pouco de lado o governo e focar numa crítica direcionada a religião. De como algumas pessoas reagem neste tipo de situação e como o fanatismo pode contribuir negativamente em determinadas situações. Existe também uma organização de saques às casas onde não há mais sobreviventes, e também é estabelecido um certo limite de aproximação entre os vizinhos, não era permitido entrar na casa do outro, nem questionamentos sobre mantimentos.

O que sinceramente me assusta. Pois ao finalizar a leitura, é difícil não se imaginar em tal situação visto que as circunstâncias são tão parecidas com as nossas. Eu realmente não imagino que a sociedade atual seja tão civilizada assim. A Vida Como Ela Era nos concede um realismo aterrorizante e um toque sútil de medo. A autora trabalha com catástrofes que já são existentes em nosso planeta o que deve deixar qualquer leitor preocupado.


A relação e o fortalecimento da família de Miranda, também são fortemente trabalhados pela autora. Aos olhos da personagem, percebemos a angustia de uma mãe que precisa decidir se foge com seus três filhos ou se permanece, em casa, e se prepara para o que há de vir, o que é incerto. Aos poucos as notícias deixam de chegar na cidade e qualquer evento, seja bom ou ruim, é de uma emoção sem tamanho, tanto para esta família, quanto para o leitor.

Assim como sua personagem principal, durante a leitura, a narrativa vai se tornando mais madura. Aos olhos de uma menina de 16 anos, que tem tanto a viver e a descobrir, vamos ver uma triste realidade, onde a morte e a fome passa a ser algo cotidiano, entretanto, mesmo diante tantas perdas e dificuldades, a autora não deixar de dar para o leitor pequenas nuances da personalidade de Miranda, que ainda sonha com tantas coisas e tem tantos desejos bobos comparado a sua nova realidade. O que torna A Vida Como Ela Era uma distopia young adult, mas que com certeza, é igualmente impactante para todas as idades.

A Vida Como Ela Era é uma leitura emocionante, que falará sobre persistência e sobrevivência. Nos mostrará que mesmo quando tudo estiver perdido, quando as apostas forem pequenas, sempre haverá luta, sempre haverá esperança. Eu recomendo a leitura para os fãs do gênero, mas com apenas um adendo, a leitura é indicada para fãs de Jogos Vorazes, mas com exceção do gênero, as duas séries são bem diferentes. Quero continuar com a leitura da série e descobrir como será esta nova vida de agora em diante.

O segundo livro da série se chama Os Vivos e os Mortos.

8 comentários

  1. Oi!
    Achei muito interessante o enredo algo bem diferente do que estou habituada, com certeza irá para minha wishlist haha, acho muito legal esse tipo de livro em que a gente personagem amadurece assim como a história. Sua resenha me lembrou um pouco caixa de pássaros, pois os personagens tem a mesma preocupação com comida e água, se ainda não leu você precisa ler. Estou esperando pela resenha do próximo livro, estou bem curiosa de como vai ser o final dessa série.
    Beijos Lendo Com Ela

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  2. Olá Joi!
    Que capa mais linda essa, simplesmente maravilhosa e o conteúdo nos deixa vidrados, esperando ansiosamente pelo que há por vir!
    Realmente esse assunto deixa a gente um pouco mais preocupado do que o costume, fazendo imaginarmos como seria se isso chegasse acontecer, em como lidaríamos com essa situação, e isso é alarmante!

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  3. Uau, eu achei esse livro intenso.
    Não sou muito fã desse estilo não, raramente leio. Mas gostei bastante da resenha, fiquei imaginando se acontecesse uma coisa dessa na vida real, será que teriam essas consequências? Gostei de como os fatos se desenrolam, acredito que o segundo livro seja bom também.
    Abraço

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  4. Oi Joi!
    A sua experiência com esse livro foi muito melhor do que a minha. Eu, definitivamente, não senti emoção, apreensão....nada. Achei a narrativa da Miranda muito morna e focada em coisas muito sem importância. Vi que vários blogueiros gostaram, mas para mim não funcionou.
    Tomara que você goste do restante da trilogia tanto quando gostou desse primeiro.
    Beijos,
    alemdacontracapa.blogspot.com

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  5. Oi Joi, gostei muito da abordagem do livro. Interessante a escolha da autora de nos introduzir na distopia ao mesmo tempo que os personagens. E para mim, que sou fã da ciência que rege o universo, fiquei animada em conhecer as mudanças que ocorreram por conta da lua.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  6. Joi!
    Me parece uma distopia bem próxima de uma realidade em breve que poderemos viver.
    Só isso já torna o livro interessante e saber que ele é escrito em forma de diário pela protagonista, me atrai ainda mais, porque traz uma visão bem pessoal de todos os acontecimentos e mudanças.
    “É melhor saber coisas inúteis do que não saber nada.” (Sêneca)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de NOVEMBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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  7. Oi Joi,
    Sou muito fã de distopias, pois vejo nelas muito da nossa sociedade (o que não é, necessariamente, algo positivo), mas todas as distopias abordam o mesmo problema: o Governo. A sinopse de A vida como ela era, chama atenção, pois se trata de uma distopia que não é controlada pelo "homem", estamos lidando aqui com questões climáticas e naturais, o que assusta bem mais, pois como se controla a natureza? A história não começar com o mundo já distópico é um ponto de vista bem diferente. Poder acompanhar toda a situação desde o inicio, ver como as pessoas irão reagir aos eventos e suas escolhas em como lidar com eles torna tudo mais real!!

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  8. a sinopse por si só já é muito interessante, especialmente pelo fato de algo que acontece for da esfera terrestre ter tanta influência sobre a humanidade. Sou super a favor de livros com essas temáticas distópicas, porque nos fazem no mínimo pensar em como estamos influenciando o mundo com nossas ações egoístas. Sobre o livro eu quero muito ler, achei tudo muito curioso e bem montado, a única ressalva que tenho é quanto a ser uma série. Estou um pouco cheia de livros sem final e que ficam longas esperar pelo volume seguinte!

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