Título Original: As Cores do Amor
Autora: Camila Moreira
Ano: 2017
Editora: Paralela
Páginas: 320

Amazon – Saraiva

Henrique é o filho único de Enzo Montolvani, um poderoso coronel da soja e, portanto, seu único herdeiro. Criado para assumir todos os negócios da família, Henrique teve uma infância regrada e moldada conforme os caprichos do pai, mas isso nunca fora o que Henrique realmente sonhava. A saúde frágil do pai o fizera jamais confrontar o velho e por este motivo sempre fora submisso as suas exigências. Para afogar um pouco das suas frustrações, Henrique cresceu sob a fama de ser um cafajeste na região, bastante rico, ele nunca teve problemas em ostentar noitadas com muita bebida e mulheres, hábitos que causam enorme desprezo para o pai.
As coisas realmente parecem tomar um rumo diferente quando Henrique conhece no casamento de um dos seus melhores amigos, Sílvia. Uma linda mulher negra, uma beldade que ele precisava possuir. A mulher perfeita aos seus olhos e que logo estaria envolvida por ele também, o problema é que Enzo Montolvani jamais aceitaria o relacionamento. Seus sentimentos se revelam tão fortes que Henrique precisará enfim se impor e finalmente tomar as rédeas da própria vida se quiser ser feliz.
Se você já ouviu falar sobre Henrique Montolvani, provavelmente você não está enganado. Henrique foi um dos personagens secundários de 8 Segundos, livro da autora lançado em 2015 e que tinha como protagonistas Pietra e Lucas. Neste volume haverá uma troca de papéis e Pietra e Lucas aparecerão como personagens secundários, mas, assim como Henrique, fundamentais para o desenvolvimento do enredo.
“Tô disposto a lutar, Sílvia. Algo que nunca fiz em toda a minha vida, e que tô pronto para fazer por você.”

Em As Cores do Amor, Camila Moreira irá trabalhar o racismo e o relacionamento abusivo entre pai e filho como mote principal, mas também irá cortejar algumas problemáticas sobre o romance, que na minha opinião, precisam ser mais constantes em livros. Então, trabalhando assuntos extremamente pertinentes e que me chamavam a atenção, logo criei algumas expectativas quanto a leitura, mas nem todas foram saciadas.

Falando sobre a protagonista, é fácil criar empatia por Sílvia, sempre muito bem posicionada, jamais se sentiu inferiorizada, mesmo quando monstros preconceituosos atravessavam o seu caminho. Desde jovem, lidou como a morte do pai e com o abandono da mãe como uma leoa e criou sua irmã mais nova da melhor maneira possível, deu a volta por cima e se tornou uma mulher cheia de atitude. Porém, sendo uma personagem bastante real, ela fraqueja em determinados momentos assim como todos nós.
Todo o relacionamento de Henrique e Sílvia se desenrola numa velocidade relâmpago e a narrativa se mostra um pouco corrida. Não que isso atrapalhe no entendimento da história, porém não tive tempo para me envolver com os personagens e nem tempo para digerir os problemas secundários que o casal acaba enfrentando como ciúmes e a falta de confiança. São muitos os desencontros que eles enfrentam e ao meu ver, vindo de dois adultos bem crescidos, algumas cenas e atitudes me pareceram bem infantis. 
A química entre o casal funciona, mesmo  que cada um tenha que enfrentar seus próprios demônios, juntos eles são como bálsamo um para o outro. Camila nos apresenta um romance de conto de fadas, que faz com que nossos corações fiquem mais quentinhos, porém, quando as cenas mais quentes são desenvolvidas há uma quebra de ritmo na narrativa. Ambos se mostram bastante safados na cama (o que não é nenhum problema, pelo contrário), mas se você espera apenas um romance cheio de açúcar pode se sentir um pouco chocado com o linguajar e a forma como tudo é explícito.

Os personagens secundários são um show à parte. Pietra e Lucas são grandes amigos e estão sempre dispostos a ajudar. Com poucas cenas dá para ver que Pietra mereceu ter um livro só para ela, o que despertar bastante a minha curiosidade em conhecê-la mais profundamente. Outros personagens que aparecem ao longo da história acabam desempenhando papéis cruciais para o enredo, cada um com uma personalidade e com uma presença diferente. Até Enzo Montolvani ganha sua própria aura quando entra em cena, talvez ele seja um dos personagens mais bem trabalhados pela autora, méritos dela com certeza, afinal, não é tão fácil criar vilões.
Regado por alguns clichês, As Cores do Amor acerta em trabalhar um assunto que, infelizmente, ainda é bastante presente na nossa sociedade, mas quando a autora sabe conduzir a história todo o clichê é bem-vindo e eu adoro. Sinto que Camila Moreira realmente criou uma boa história, mas pecou com o excesso em algumas cenas e com a falta de profundidade em outras. De qualquer maneira, a mensagem principal é passada, nenhuma característica define uma pessoa e as cores que realmente importam são a do amor.

Confira resenha de 8 Segundos:

1. 8 Segundos

rela
ciona
dos