Título Original: Fairy Tales #1 – A Kiss At Midnight

Autora: Eloisa James
Tradução: Livia Almeida
Ano: 2017
Editora: Arqueiro
Páginas: 320
Um Beijo À Meia-Noite é o segundo volume da série Contos de Fadas da autora Eloisa James, lançada pela Arqueiro. As histórias são recontos dos romances já conhecidos por nós. No primeiro volume da série, tivemos a releitura de A Bela e A Fera e neste segundo, a história da vez é Cinderela.
Nesta história, os melhores amigos de Cinderela não são ratinhos e não há uma carruagem de abobara, porém, todo o resto sim, pelo menos de uma forma um pouco diferente.  
Após a morte do pai, há sete anos, Kate Daltry parece ser uma intrusa na casa em que nasceu. Seu pai, deixara toda a herança para a madrasta, Mariana, e para sua irmã postiça Victoria. Apesar de ser uma dama e neta de um conde, Kate vive como uma empregada, com roupas de segunda e tendo que ser obrigada a administrar as propriedades da família, para que o pouco que lhe restam não se transformem em mais vestidos extravagante e sapatos da moda. Para não deixar para trás todas as famílias que dependem de suas terras para viver, Kate ignora todos os maus tratos. Deixar tal responsabilidade nas mãos da madrasta era fada-los a sarjeta. 
Victoria e seu noivo, Lorde Dimsdale, precisam da aprovação do príncipe, tio do rapaz e parente mais próximo, para se casarem. Eles precisam disso logo, pois quanto antes se casarem, mais rápido poderão justificar o ventre de Victoria que segue crescendo, porém, um acidente com seus “ratinhos” impossibilita Victoria de estar presente no baile do Castelo Pomeroy, local em que Dimsdale deveria apresentar a noiva para Vossa Alteza, sendo assim, Mariana obrigada Kate a tomar o lugar da meia-irmã e conseguir a aprovação do príncipe.

Gabriel Augustus Frederick é um príncipe jovem e após as renuncias do irmão, se vê pressionado pelo seu senso de dever. Sem rendas para manter o Castelo Pomeroy por muito tempo, o príncipe precisa casar com uma princesa com um ótimo dote, mantendo seu castelo e todos aqueles que dependem dele. Entretanto, seus planos parecem abalados quando surge em seu castelo a jovem de pele bronzeada e mãos calejadas, Kate disfarçada de Victoria e a única ali capaz de ignorar que está diante de um príncipe e nem um pouco disposta a bajulá-lo.
Este é o enredo que da partida a esta história. Uma curiosidade sobre minha jornada como leitora é o fato de eu já ter lido muitos livros protagonizados por duques, alguns até com membros da realeza sendo mencionados, mas pela primeira vez tenho um protagonizado por um príncipe. O simples fato fez com que eu esperasse muito desta história e graças a Eloisa James, minhas expectativas foram atendidas. Entender um pouco mais sobre os principados, as obrigações dos mesmos e como funcionava a divisão de terras no século XVIII é sempre interessante de acompanhar em romances de época. 
A personalidade de Gabriel não me surpreendeu muito, eu esperava alguém cheio da razão e acostumado com as bajulações das pessoas que o cercavam, afinal, estamos falando de um príncipe que sempre teve tudo nas mãos, certo? Ele fora criado e treinado para isso durante a vida inteira e o simples fato de receber um “não” já pode ser visto como um fato inédito para ele. Foi muito coerente por parte da autora trabalhar a personalidade do personagem baseado nisso, entregar ao leitor um príncipe aparentemente detestável e que nem sempre toma as melhores decisões. Por outro lado, também foi uma surpresa descobrir a outra face da vida de Gabriel, cheio de amarras, movido pelas suas obrigações e com uma vida moldada pelo futuro dos seus dependentes. Sem dúvidas, mesmo meio ao luxo é possível notar que Gabriel pode ser um homem generoso, que coloca o bem de sua família sempre a frente da sua própria vontade.

Kate não foge muito desta característica, assim como Gabriel, Kate é uma mulher de um bom coração, capaz de aceitar qualquer coisa em prol do próximo, como por exemplo, cuidar dos cachorrinhos da irmã quando não os suporta ou quando trava batalhas com a madrasta pelos direitos dos arrendatários de sua propriedade. Tudo isso poderia ser evitado já há anos, Kate poderia fugir, tentar um emprego como preceptora e viver do pequeno dote que sua mãe deixara, mas em nome de tantas pessoas que contam com seu apoio, ela sempre fica.
Com dois personagens tão marcantes, acabei gostando muito da forma como o relacionamento de Kate e Gabriel evolui. Nada em Gabriel intimida Kate, nem mesmo sua postura intimidadora ou sua conversa sedutora. Ambos protagonizam cenas hilariantes, com um humor ácido e até desbocado, característica presente desde o primeiro livro de Eloisa James. A autora opta por trazer personagens mais reais, nem um pouco pomposos e nada imaculados. Eu adorei isso! O fato de Kate tratar Gabriel como um simples e mimado homem em vez de príncipe, o conquista rapidamente, assim como os leitores. Seu modo atrevido, inteligente e sagaz, faz de Kate uma mulher excepcional.

Comparado ao primeiro volume da série, há um destaque melhor em relação aos personagens secundários em Um Beijo À Meia-Noite, algo que esperamos de uma releitura de Cinderela, que conta com personagens inesquecíveis. Wick, Augie, Victoria e até os cachorrinhos Coco, Caesar e Freddie roubam a atenção do leitor e proporcionam cenas bastante divertidas durante a leitura. Porém, quem realmente merece um destaque é a nossa querida “fada-madrinha” Lady Wrote, a melhor amiga que a própria mãe de Kate nunca conseguiu ser para ela. Eu amei cada detalhe desta personagem, seu posicionamento, sua personalidade e seu carinho por Kate, sem dúvidas é uma mulher que vai te conquistar, assim como conquistou esta leitora aqui.


Um ponto bastante peculiar abordado pela autora foi a inclusão do uso de “camisinhas” em um romance de época, outro fator inédito para mim. Após a leitura, fui fazer uma breve pesquisa sobre a história do preservativo e me surpreendi com o que encontrei. Apesar da autora não descrever o objeto fica entendimento, mesmo que nas entrelinhas, que isso era um luxo de um príncipe, um membro da realeza. Depois da minha pesquisa, descobri que o mesmo foi inventados no século XVIII e eram fabricados através de tecidos muito finos e depois até com tripas de animais. O intuito da utilização era muito mais focado em evitar filhos bastardos de reis e príncipes do que para evitar doenças venéreas, pouco conhecidas na época, ou seja, era realmente um luxo da realeza. Parece um detalhe bobo, mas eu, como leitora assídua de romances de época, achei interessantíssimo a autora incluir isso em sua história.
Em Um Beijo À Meia-Noite há menos cenas quentes, também comparado ao primeiro volume da série, mas isso não significa que deixe de existir uma tensão sexual e provocativa entre os personagens. Inclusive, adianto a vocês que o nosso príncipe é bem saidinho e um sedutor irredutível, além de irritante, claro. Gostei muito de como a história se desenvolveu e como a autora conseguiu recriar a história da Cinderela, que é cheia de elementos fantásticos, em algo que se encaixe em um romance de época. Aqui temos uma história linda, digna de contos de fadas, não tão pomposo, é verdade, mas igualmente encantador.


Conheça a série Contos de Fadas:
1. Quando A Bela Domou A Fera
2. Um Beijo À Meia-Noite
3. A Duquesa Feia

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