Phantom Thread

Lançamento: 22 de
fevereiro de 2018
Com: Vicky Krieps; Daniel
Day-Lewis; Lesley Manville
Gênero: Romance; Drama
Reynolds
Woodcock
 (Daniel Day-Lewis) é um renomado estilista da encantadora Londres dos anos 50. Suas
clientes pertencem a famílias abastadas; suas criações transmitem beleza,
segurança e luxo para as mulheres poderosas ou inseguras que as usam; sua
residência é espaçosa e requintada; suas costureiras são fiéis e, essa
personalidade fictícia conta ainda com a presença da irmã Cyril (Lesley Manville), a mente aguçada por
trás de toda a organização, manejo, contatos e sucesso do irmão.
O gênio
criativo do estilista é inegável, suas criações conquistam o imaginário das mulheres,
porém, sua solteirice incurável e relações conturbadas estão em constante
atrito com seu processo criativo. Após
descartar – pelos mesmos motivos mesquinhos e ordinários de sempre – a mais recente amante, Woodcock retira-se para os domínios de sua casa de campo, os ares
calmos e puros do interior da Inglaterra, a paisagem natural capaz de acalmar
sua mente. 

Uma vez presente nos domínios do campo, o estilista de meia idade encontra na garçonete Alma (Vicky Krieps), sua nova musa, inspiração,
modelo ideal e amante, dando início a uma relação entre uma jovem moça
e um estilista de personalidade peculiar. Partindo deste contexto, a princípio simples, inicia-se a trama mais adorável, repleta de caos
e atrito, que poderíamos receber em uma narrativa do gênero.

Trama
Fantasma
 está fortemente baseado na relação conturbada de Alma e Reynolds Woodcock, destacando sem restrições tudo o que se afeta por conta das brigas do casal, explorando os desejos e anseios de cada uma destas personalidades únicas e, inserindo em meio ao caos já instalado, o ofício de um estilista renomado. 
Mesmo tratando-se de uma narrativa familiar, já exploradas em outros longas, comerciais ou não, o filme explora as
nuances de um relacionamento conturbado de forma peculiar, inserindo as criações os vestidos, o corte e costura como uma espécie de ser vivo em meio a narrativa. Como se não bastasse, acrescenta-se um toque sombrio e
poderoso por parte da personagem feminina, o que facilita o trabalho do espectador em se apaixonar pela adorável Alma.
O personagem principal surpreende por tratar-se de um ser humano orgulhoso, mesquinho, grosso e mimado. Um homem de meia idade que
acredita que toda fama e sucesso são provenientes de suas criações, ignorando
tudo aquilo que não seja a si mesmo, suas vontades e suas criações. É fácil desgostar do personagem, odiar seus
comentários, irritar-se com os trejeitos afetados. Do lado oposto, como não poderia deixar de mencionar,
Alma rouba a cena pela humanidade, realidade da personagem, por enfrentar
as situações conflituosas e mostrar – em cenas maravilhosamente bem pensadas –
quem realmente irá tomar as rédeas do relacionamento, e de um ou outro aspecto do ofício do estilista.

Trama Fantasma conquista olhos e mente cansados de filmes comerciais, que se utilizam da mesma fórmula uma vez e uma vez mais, ao focar grande parte de sua atenção no aspecto técnico do longa. O filme é o mais belo exemplar de amor pelo cinema, cuidado com os detalhes, maestria na produção e pós-produção. Seja por conta da mais bela fotografia, coloração calma e sóbria, posições de câmera, figurino deslumbrante ou trilha sonora, o filme conquista o espectador.
Com grande
parte das cenas realizadas em ambientes internos, o filme destaca-se como uma
grande lição de posicionamento de câmera, aproveitamento do ambiente, criação
de atmosfera com o simples movimento ou falta dele. Confesso que todo o aspecto técnico do filme destacou-se como o ponto alto da obra, conquistando meu coração carente de mais cuidado e diferenciação no cinema.
Aqui encontramos apreço, cuidado com os detalhes, carinho pela sétima arte, e uma história curiosa de amor conturbado, personalidades fortes e poder feminino. Apesar de não se tratar de um filme para todos os gostos, ainda é uma indicação válida, uma lição de técnica e um ótimo filme para mudança de ares, uma vez que estamos tão acostumados com a visão comercial do cinema.

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ciona
dos