The
Nightmare Before Christmas

Lançamento: 24 de dezembro de 1993
Com as vozes de: Chris Sarandon; Catherine O’Hara; William Hickey; Ken Page
Gênero: Animação;
Fantasia
Lembro como se fosse ontem da noite em que, passando pelos pouquíssimos canais existentes na televisão de minha avó, me deparei com uma animação totalmente diferente de tudo aquilo que minha breve existência possuía conhecimento, ou poderia vir a compreender. Aquele filme que só viria a finalizar e aprender a amar anos no futuro, com todas as suas figuras sombrias, músicas curiosas e esqueletos falantes, deixou uma marca em minha mente, abrindo as portas para um mundo onde o assombro não precisa representar sentir medo, onde figuras sombrias recebem a oportunidade de contar sua história, onde seres diferentes tornam-se queridos e o estranho pode ser adorável.
Muito provavelmente você já ouviu falar, caso não seja uma daquelas pessoas que conhecem todos os detalhes da história, de um curioso e carismático esqueleto que, após deparar-se com um mundo completamente novo repleto de magia, cores, luzes e presentes, decide abandonar as festividades do Halloween e transformar o Natal em sua marca registrada.
Talvez você conheça os eventos que sucederam o encontro entre Jack e nosso querido Papai Noel, o caos que assolou a Terra do Natal quando seu mentor desaparece repentinamente, o assombro de crianças ao descobrir que seus presentes continham nada mais nada menos do que seus maiores pesadelos, ou mesmo, aquele admirável esqueleto que, à sua própria maneira, decide realizar uma tarefa única que, com boas intenções, acaba por transformar-se na pior noite na vida de muitas crianças.
A clássica narrativa de Tim Burton, fortemente presente no imaginário de tantas crianças e adultos que se deixaram encantar pelas confusões, pensamentos e sentimentos de personagens icônicos, representa de forma clara e cativante algo que já havia mencionado ao longo de minha crítica para a adaptação de Coraline (confira aqui). Estamos tão acostumados a pensar o terror, o assombro ou sombrio como elementos voltados para o público adulto que esquecemos, ou negamos o fato de que crianças também podem sentir medo e, em diversos casos, como aquele da pequenina Izabel que descobriu um mundo novo ao deparar-se com um filme sobre um esqueleto falante, muito mais do que assustar ou aterrorizar, acabou por destacar um universo onde o diferente também é apreciado e não causa qualquer espanto ou desconforto, mas torna-se amado.
Juntamente a outros pouquíssimos exemplos de animações com detalhes característicos do terror, O Estranho Mundo de Jack integra pequenas lições e mensagens a um filme cujo aspecto visual encanta e surpreende justamente por estarmos tão acostumados a acompanhar princesas encantadas ou objetos inanimados ganhando vida. Aqui as boas intenções podem levar ao caos, mas saber que erramos faz parte da trajetória, e reparar nossos erros torna-se ainda mais importante do que admitir que erramos. É o que fazemos com nossos erros que conta e, ninguém pode negar que Jack, embora criador do maior caos que o Natal já viu, foi sincero e humilde o suficiente para buscar uma forma de reparar seu erro.

A animação também representa o característico estilo de Tim Burton, algo que acredito ainda não ter se perdido em meio a necessidade de produzir filmes comerciais e coloridos. Os olhos expressivos, cores escuras, ambientação e cenário sombrios, além da valorização do estranho, peculiar e esquisito integram-se com perfeição a narrativa, equilibrando com perfeição tudo aquilo que poderia ser considerado sombrio demais para um público infantil à delicadeza de mensagens, graça de personagens cativantes e desenvolvimento de uma história que para sempre estará em nosso coração.

Uma vez que o Mês do Terror é uma forma de celebrarmos o melhor do gênero, transformo esta crítica em tradição, buscando destacar a cada edição, obras únicas que, com sua graça, delicadeza e cuidado, apresentam elementos do terror aos pequenos, comprovando que sustos e esquisitices não são apenas para adultos e, além de tirar mensagens destas histórias cativantes, percebemos a importância de valorizar o diferente, aquilo que à princípio pode nos causar espanto.


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