O Príncipe do Sol, por Michelle Jabès Corpora

12 set, 2026 Por Alessandra Paccola

Em uma noite incomum, a rainha Bintanath obteve a ajuda de mulheres misterioras e desconhecidas em um parto difícil. Dessa experiência, que acabou se tornando uma lenda entre os Khetarenses, nasceram três crianças: Mery, Sita e Kenna. Envoltos em riquezas e volúpias, os irmãos cresceram cada qual com sua personalidade. Enquanto Mery e Kenna eram como o sol e a lua, Sita invejava a todos com sua beleza, entretanto sem demonstrar firmeza em sua posição no reino.

Com a população enfurecendo-se pela má conduta do reinado e o aumento excessivo dos impostos, o grande faraó Amonmsés, famoso pelo gosto em diversos pecados, adoece de maneira curiosa, estando aquém da ajuda de seus sacerdotes, que não conseguem descobrir o motivo do mal que o assola, abrindo espaço para intrigas na corte e dúvidas quanto à sucessão ao trono de Kethara.

Não importava a altura dos monumentos ou a beleza dos túmulos, Karim sabia que o destino viria para todos eles.

Enquanto isso, longe dali, nas areias do deserto, Karim, um saqueador de tumbas das Terras Vermelhas desperta um mal adormecido há muitos anos: um poderoso faraó que teve sua existência extirpada da história, tendo guardado consigo segredos antes inimagináveis.

Uma trama deliciosa de acompanhar, que mistura a essência de A Múmia – filme de 1999 dirigido por Stephen Sommers – e as maquinações políticas da série Game of Thrones, George R. R. Martin.

O Príncipe do Sol, lançado em 2025 pela editora Rocco, faz parte de uma trilogia que promete angariar muitos fãs, sendo que eu já me considero uma delas, pois não vejo a hora de a sequência She Knows All The Names chegar por aqui para descobrir como a autora dará seguimento ao enredo.

Naquele espaço entre a ignorância e o conhecimento, Amon construiu uma casa chamada mistério e convidou todos a passar por suas portas.

O livro traz vários pontos de vista em cada capítulo, oferendo uma perspectiva dinâmica sobre o destino de Khetara, além de manter um clima de aventura que gera curiosidade no leitor. As “peças desse quebra-cabeça” envolto em mitologia Egípcia são entregues aos poucos, com cenas que emocionam e encantam a cada página. Há, também, um lado místico na história, pois forças poderosas atuam para moldar o destino dos personagens.

Nesse primeiro volume, temos a construção da narrativa bem elaborada, protagonistas com diversas camadas e interações e diálogos interessantes. A sensação é de que nada está escrito por acaso e mesmo quando as decisões para a trama são previsíveis isso não tira a magia da leitura em momento algum. Além do mais, a química dos personagens dessa aventura é inegável, seja quando se fala de romance, de amizade ou de intrigas, pois todos conseguem ser carismáticos ao extremo.

Adorei a jornada dos rebeldes, uma pedacinho do livro que gera bastante revolta pelas dificuldades que o faraó impõe na vida de cada habitante do reino que fique fora de seu palácio. A vontade de quebrar as regras é trazida de maneira realista, demonstrando que toda tomada de decisão pode gerar consequência irreversíveis aos personagens.

…as palavras em si têm grande poder. Quando dizemos alguma coisa ao mundo, em muitos sentidos, tornamos verdadeiras essas palavras. Isso está no cerne de cada maldição, de cada benção, de cada oração. O que nós dizemos cria o mundo.

Uma leitura que se tornou a segunda a ser favoritada esse ano e que eu recomendo demais para todos que amam uma boa fantasia regada de emoções. Só nos resta torcer para que o volume dois chegue às livrarias em breve.

  • His Face Is the Sun
  • Autor: Michelle Jabès Corpora
  • Tradução: Ivanir Calado
  • Ano: 2025
  • Editora: Rocco
  • Páginas: 480
  • Amazon

rela
ciona
dos

Deixe seu comentário