Ninguém Especial, por Sophie Gonzales

07 set, 2026 Por Aline Bechi

Após uma tragédia e um escândalo para a mídia, a reputação de Rose, a princesa de Henlândia, está abalada. A monarquia está fazendo de tudo para melhorá-la, o que exige que ela “ande na linha”, de acordo com aquilo que se espera de uma futura rainha.

Já Danni, uma menina tímida devido ao bullying que sofria em sua escola, muda-se com sua mãe para Henlândia. Graças ao seu talento inegável no piano, ela consegue uma bolsa em Bramppath, um internato de elite para meninas.

Ansiosa esperando o desprezo das alunas devido ser bolsista e seu histórico de bullying na antiga escola, o que na verdade ela recebe é o acolhimento de Molly, ex-melhor amiga da princesa Rose, apesar de seu círculo social ainda ser o mesmo.

Quanto mais Danni conhece Rose e suas amigas, mais próxima se torna da princesa. Dessa amizade improvável nasce uma atração recíproca. Rose sabe que o relacionamento com uma garota representa um risco, e para garantir que sua reputação não seja ainda mais prejudicada o palácio pode não medir esforços para separá-las para sempre.

Desde as primeiras páginas a história se mostrou gostosa de acompanhar. Apesar de não me sentir presa a história, quando estava lendo conseguia me entreter, e também me importar com as personagens. Além disso, era difícil prever para onde a história iria se encaminhar.

De desconhecidas, Danni e Rose se tornam amigas, e disso começam as atrações, os flertes e o interesse mútuo. Na minha percepção o relacionamento se enquadra em fast burn (romance que acontece rápido) e esse não é meu desenvolvimento favorito, mas não foi um problema dessa vez. Acredito que isso se dá pela dinâmica das duas ser primeiramente uma amizade, para depois evoluir ao romance, e eu sou a maior fã de friends to lovers. 

Assim, como o romance acontece rapidamente, eu já imaginava que teriam desavenças ou complicações em torno desse relacionamento. Mas diferente do que eu estava esperando, as motivações de conflitos não giram em torno apenas das emoções e atitudes das personagens, envolvendo a monarquia e a escola.

Beijá-la não deveria ser assim, como se eu finalmente estivesse recuperando um membro perdido e volta-se a viver inteira. Não deveria me importar tanto com a falta dela. Sinto falta dela por mais tempo do que a tive comigo.

A partir da sexualidade da princesa, Sophie Gonzales explora de forma delicada as nuances de ser uma mulher lésbica, não apenas dentro da monarquia, mas na posição de sucessora do trono, destrinchando as implicações de ser uma pessoa LGBTQIAPN+ em um contexto onde espera-se que você esconda quem é. 

O desenvolvimento de Rose é um dos melhores pontos dessa história, porque a autora, além de trabalhar a sexualidade em relação ao cargo de princesa, também torna a personagem mais profunda tanto pela sua personalidade, quanto pelas implicações de crescer sendo criada para ser a rainha.

Danni também não fica para trás. Marcada pelo bullying e humilhações que afetaram diretamente sua auto estima até naquilo que ama, o piano, e a partir disso gerando consequências para seu futuro e carreira, ver a personagem superando inseguranças através de um ambiente acolhedor e encorajador, proporcionando encarar e superar situações de desconforto tornou-a cativante.

Esse foi meu segundo contato com as histórias de Sophie Gonzales e, mesmo que não tenha superado o primeiro — Perfeita (na Teoria), que se tornou um favorito —, ainda foi uma leitura agradável, mantendo a minha vontade de continuar lendo outros livros da autora.

  • Nobody In Particular
  • Autor: Sophie Gonzales
  • Tradução: Sofia Soter
  • Ano: 2026
  • Editora: Seguinte
  • Páginas: 360
  • Amazon

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