Trilogia Renegados, por Marissa Meyer

28 fev, 2026 Por Mariana Iazzetti

Eu estou convencida de que a trilogia Renegados foi um presente da Marissa Meyer para mim. Sabe aquelas histórias que são absolutamente tudo o que você quer ler, tudo o que você gosta, e você mal acredita que outra pessoa teria uma ideia tão perfeita? A história de Nova e Adrian foi isso para mim.

Quer dizer que é perfeita? Não, aqui encontramos mil e um clichês e referências bastante óbvias. Mas o que é o gênero de super-herói além de um grande clichê, não é mesmo?

Aqui somos apresentados a Nova, uma vilã por todas as definições. Pesadelo, como é conhecida, faz parte do temido grupo dos Anarquistas, que se você perguntar a qualquer um é uma organização praticamente terrorista, origem do fim da sociedade como era construída; se você perguntar a Nova, são sua família, e só desejam a liberdade para todos os prodígios (humanos superdotados de alguma forma). Porém já faz 10 anos que os Anarquistas foram derrotados pelos Renegados – originalmente um grupo de amigos de justiceiros, que ascendeu e se tornou uma organização política, social e de justiça, colocando ordem no mundo um super-herói por vez.

Adrian faz parte desse mundo, e os Renegados são sua vida. Mas as regras começam a lhe parecer sem sentido, e o menino de ouro cria para si o alter ego do Sentinela, que pode promover a justiça como melhor entender. Os caminhos de Nova e Adrian parecem rotas convergentes em um desastre, mas quando a garota se infiltra nos Renegados para destruí-los por dentro, os sentimentos que criam um pelo outro só não são mais imprevisíveis do que os segredos que ambos guardam.

Todas as revoluções vêm com morte. Alguns precisam morrer para que os outros tenham vida. É uma tragédia, mas também é a verdade.

Tirando a minha pretensão de achar que essa história foi pensada para a minha pessoa (o que só é em parte brincadeira), a trilogia tem alguns “elementos chave” que podem facilmente identificar se essa leitura é para você: se você se interessa quando eu digo “mistura de X-Men, Miraculous Ladybug, e The Boys“, aqui temos um prato cheio.

Com uma escrita ágil e personagens carismáticos, Marissa Meyer trabalha os clichês em reviravoltas, trazendo sua assinatura e uma boa pitada de inesperado para uma narrativa essencialmente conhecida. Como eu disse, é impossível ignorar as referências, principalmente a X-Men, mas há um quê de originalidade todo especial. Acho que o que mais me surpreendeu aqui foi a coragem de Marissa em algumas decisões narrativas, principalmente na conclusão, que caminha pelo clichê até o ponto final, quando oferece uma reviravolta que te deixará louco por mais histórias nesse universo.

Nova e Adrian são realmente coprotagonistas. Diferentes em quase tudo, eles trazem os dois lados da moeda e criam uma dinâmica muito interessante para o leitor refletir sobre moralidade, limites e poder. São livros YA, não se engane, mas tem sua seriedade na dose certa.

O que também vem em dose certa ao longo dos três livros é o romance. Se você não gosta de linhas narrativas românticas, pode ficar longe; por outro lado, as borboletas rolam soltas na barriga de quem está disposto a se encantar por esse relacionamento inocente e doce que se constrói.

Confira a resenha de Renegados

Não consigo pensar nessa história como três partes, não apenas porque engoli um livro atrás do outro, mas também porque há uma interligação quase sem fôlego entre o final de um e o começo do próximo. Recomendo muito que consuma a história sem pausas, em modo imersivo, para ver o que tem de melhor em cada volume: Renegados apresenta o mundo e nosso elenco, mas já mostra uma mudança em Nova; Arqui-Inimigos é repleto de conflitos internos, e, por fim, Supernova fecha o cerco em torno dos personagens por quem nos apaixonamos e te mantém preso até a última linha.

Recapitulando, se nomes bobos de super-herói te deixam com vergonha alheia, se conveniências de trama estragam a leitura para você e se você não suporta a ideia de “uma menina de 16 anos salvando o mundo”, bom, então Renegados não vai funcionar. Mas Marissa Meyer trouxe tudo o que amávamos nas séries YA clássicas para a dinâmica de super-heróis: uma protagonista forte e imperfeita, um casal pelo qual torcer, reflexões e muita adrenalina. E isso era tudo o que eu nem sabia que queria.

  • Renegades
  • Autor: Marissa Meyer
  • Tradução: Regiane Winarski
  • Ano: 2020
  • Editora: Rocco
  • Páginas: 1731
  • Amazon

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