Título
Original:
Beautiful Darkness

Autoras: Margaret
Stohl e Kami Garcia
Ano: 2011
Editora: Galera
Record
Páginas: 457
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Atenção! esta resenha pode conter spoilers de Dezesseis Luas.
“Dezessete luas, dezessete anos,
Olhos onde Trevas ou Luz aparecem,
Dourado para sim e verde para não,
Dezessete, o último a saber.”
Eu não sou
escritora, não sei se conseguiria colocar em palavras todas as histórias que eu
já criei na minha cabeça. Só de pensar em organizar tudo, lapidar os
personagens e finalizar um livro eu fico um pouco tonta e ao mesmo tempo,
completamente encantada. Pensando um pouquinho, e olhando o pouco que
eu entendo sobre livros e suas histórias, ouso dizer que o mais difícil de
escrever em uma série literária é o último e o segundo livro. Penso assim pois, quem foi fisgado pelo primeiro livro de uma série vai sair correndo para
devorar o segundo, mas se este volume não estiver a altura do primeiro, e não
for capaz de satisfazer quem o lê, acredito que dificilmente o leitor
continuará com a da série. Por sorte, não é essa situação que encontramos
em Dezessete Luas, segundo livro da série Beautiful Creatures, iniciada através
do livro Dezesseis Luas (resenha aqui).
O segundo livro
da série nos apresenta mais detalhes, histórias e segredos do mundo Conjurador,
além de nos agraciar com detalhes inesperados sobre a família de Ethan. É através deste volume que somos introduzidos e percebemos todas as
consequências das escolhas realizadas no primeiro livro. Toda a
história nos reserva grandes acontecimentos, novos personagens e retorno de
outros, queridos ou não. 

Vemos o mundo, conhecemos os sentimentos e observamos os acontecimentos através das percepções e relatos de Ethan Wate, o personagem
principal da história. Para mim, esse pequeno detalhe, o simples fato de que todas a história ser narrada por Ethan, foi capaz de salvar uma boa parte do livro, pois a Lena apresentada nesse livro foi capaz de me
irritar demais. Por sorte é tanta coisa acontecendo que a irritação sempre
passava, pois Lena não é o foco da história.
O triste final
do primeiro livro trouxe várias consequências, não apenas para Ethan Wate, meu
querido e adorado personagem principal, mas também para Lena Duchanes e muitos outros
personagens que se importam não apenas com a jovem Conjuradora, mas também com
nosso querido mortal. 
Após o enterro
de Macon Ravenwood, realizado em um cemitério mortal com um caixão vazio, tudo
começa a mudar. Logo no começo somos apresentados a um misterioso novo
personagem, John Breed, um inacreditável híbrido de Conjurador e Incubus.
Devido aos atos, de certa maneira, impensados de Lena durante o seu décimo
sexto aniversário, sua Invocação foi interrompida, fazendo com que ela não
descobrisse seu caminho. Por causa disso Lena precisa ser invocada, para as
Trevas ou para a Luz, porém essa escolha é dura e cruel. Este detalhe, unido a morte de seu
tio, faz com que Lena se afaste mais e mais de Ethan.
“Dezessete luas, dezessete voltas
Olhos tão escuros e brilhantes que
queimam,
O tempo tem pressa mas alguém tem mais,
Traz a lua para o fogo…”
Apesar de tudo,
apesar do afastamento e mudança de comportamento de Lena, nós
percebemos nitidamente que Ethan ainda a ama e quer fazer o possível para
ajudá-la, para mostrar o melhor caminho a seguir. Porém como mortal ele mal
sabe por onde começar, e não ajuda em nada estar totalmente afastado do mundo
Conjurador. Assim, Ethan se volta para dois pontos importantíssimos nessa
história, Link, seu melhor amigo desde sempre, e a Biblioteca de Gatlin. 

É
durante seu trabalho da biblioteca que Ethan conhece Olivia, a nova assistente
da bibliotecária. Porém, aos poucos, Ethan descobre que Liv é muito mais do que
uma simples assistente, ela é uma aprendiz de Guardiã. Marian Ashcroft, a bibliotecária de Gatlin e Guardiã da Lunae Libri a está treinando,
desta forma ela sabe muito sobre o mundo de Lena, além de se tornar uma grande
aliada durante toda a história desse livro!

Na minha mais
sincera opinião, devo dizer que uma das melhores coisas exploradas neste volume
da série é o fato de que nele nós descobrimos muito mais sobre os segredos do
mundo Conjurador e da Lunae Libri. Através das descrições e acontecimentos nós
somos transportados para diversos ambientes, as descrições e a escrita são
capazes de fazer com que o leitor sinta os lugares, os espaços e a história, de
uma forma mágica. 

Como eu havia comentado no começo da resenha, neste livro,
nós descobrimos detalhes sobre a família de Ethan, percebemos o quanto sua
família está ligada ao mundo de Lena, e o quanto o mundo Conjurador está
intimamente interligado ao mundo mortal. Além disso, nós descobrimos novas espécies de
conjuradores, novos seres das trevas além de conhecermos o grande antagonista
da série. Quem pensou que Sarafine, a mãe de Lena, seria a vilã da história estava muito
enganado, ela não está sozinha, faz parte de um time muito maior e mais
poderoso do que eu imaginava.

“Dezessete luas, dezessete medos,
Dor da morte e vergonha das lágrimas,
Encontre o marcador, caminhe a
distância,
Dezessete conhece só exílio…”


Esse livro me
trouxe enormes surpresas e contentamentos, pela primeira vez em muitos anos um
certo vazio dentro do meu coração foi aos poucos, a cada virada de página,
preenchido. O sentimento de falta e perda que o trio Harry, Rony e Hermione
deixaram foi, pela primeira vez, preenchido graças a esse livro. Em diversas
cenas eu não poderia deixar de comparar o novo trio que se
formava com aquele que conhecemos tão bem durante toda a saga de Harry Potter. Não estou dizendo
que as autoras tivessem a intenção, ou quisessem que pontos da história se
assemelhassem a algo, mas inevitavelmente, Link, Ethan e Liv se
tornaram um trio tão querido quanto!
Acredito que o
único ponto que realmente me irritou e decepcionou foi a Lena. A personagem
mudou muito nesse livro, e na minha humilde opinião, mudou para pior. Neste volume Lena ficou muito vulnerável
e influenciável, o que fugiu um pouquinho da personalidade que ela tinha no
primeiro livro. Mas por sorte ela não é o foco principal do livro, que nos
apresentou muita coisa do mundo dos conjuradores e abordou de maneira mais leve o
romance, dando prioridade para o caos que se instalava na vida dos personagens e grandes acontecimentos do mundo Conjurador. No final das contas toda a minha irritação com Lena sumiu quando eu terminei o livro,
conforme o final foi se aproximando eu entendi algumas atitudes da personagem e
outras eu simplesmente relevei. 
“Dezessete luas, dezessete esferas,
A lua aparece antes de seu tempo,
Corações irão embora e estrelas irão
atrás,
Um está quebrado, um está vazio…”


Por fim devo
dizer que gostei muito do livro, realmente minha única crítica foi com Lena, os
demais pontos da história me encantaram, cada ponta solta deste e do primeiro livro foram aos poucos se encaixando, assim como novas perguntas surgiram e pairam no ar. Agora eu estou muito ansiosa e tenho certeza de que uma ótima continuação me espera no terceiro livro. Eu sei que o livro é longo, quem olha para as 457 páginas
pode se assustar um pouquinho, mas eu garanto que a leitura é bem fluida e
quando você vê já virou 100 ou 150 páginas! 
Como último
detalhe eu só gostaria de destacar uma coisa. Ao longo da leitura eu fiz
algumas comparações com outras séries, como Harry Potter, que eu citei nesta
resenha. Existem sim, pequenos detalhes que se assemelham, ou nos lembram de
outras histórias, como um acontecimento específico da série Instrumentos Mortais. Porém, acredito ser
mera coincidência, mas com histórias como essas, que sem querer esbarram em pontos comuns, acredito ser inevitável ocorrerem comparações. Não é nada grave, mas acho bem interessante como
uma história pode nos fazer lembrar de outra, ou ainda preencher aquele vazio e
deixar saudade de outras sagas que já lemos.
“Dezessete luas, dezessete anos,
Conheça a perda, mantenha os medos
Espere por ele e ele aparece
Dezessete luas, dezessete lágrimas…”

rela
ciona
dos