Resenha: A Joia

23 maio, 2015 Por Joi Cardoso

Título Original: The Jewel
Autora: Amy Ewing
Editora: LeYa | Fantasy
Ano: 2014
Páginas: 352
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Ler A Joia foi com certeza, uma grata surpresa! Logo que vi o lançamento, de cara já me interessei. Li que se tratava de uma distopia, meu gênero favorito e que tinha uma certa semelhança com a série A Seleção. A verdade é que de semelhante não há nada. Talvez, as vestimentas possam se assemelhar em ambas histórias, mas enquanto em A Seleção a trama é muito mais enfeitada e digamos assim, leve, em A Joia as coisas são muito mais sérias e cruéis.
A Joia é o primeiro volume da série e ela será protagonizado por # 197, Violet Lasting. Ela vive no Pântano, um dos cinco círculos que formam a Cidade Solitária. As jovens do Pântano são submetidas a um teste, separando as meninas férteis das demais, estas são separadas de suas famílias e passam a viver em internatos se preparando para viver no futuro na Joia, coração da cidade e onde vive a realeza dessa sociedade. Mas lá as coisas não serão flores e nenhum conto de fadas, esta preparação existe para que cada uma delas possam virar substitutas

As Ladies, Condessas e Duquesas da Joia são ricas com fortunas incontáveis, mas são estéreis, sendo assim, todo ano acontece um leilão, onde cada uma dessas damas escolhem a melhor substituta para sua família, ou seja, ela compra como um bem, uma pessoa. Comprando a melhor substituta classificada, melhor é a garantia dessa moça dar seguimento a sua linhagem. São as substitutas que concebem os filhos reais em seu próprio ventre, como uma barriga de aluguel. Após a compra, todas as moças como Violet deixam de ser elas e passam a ser um bem de suas “donas” e sinônimo de status para a realeza. Todas são fadadas a servidão, são tratadas como “bichos de estimação”, com direito a coleira no pescoço e tudo. A morte de uma substituta é algo fatídico entre estas madames, afinal ano que vem elas podem comprar outra. 
Depois de comprada pela Duquesa do Lago, Violet tem apenas uma obrigação conceber a próxima filha de Peal, possível pretendente do filho do Executor. Se Violet ela tiver um bom comportamento poderá viver no conforto do palácio e na medida do possível ter uma vida sossegada, se não, terá consequências e punições. Violet logo conhece os dois lados da moeda e começa a perceber tamanha crueldade que está por trás dos panos de toda a beleza da Joia e quais são as intrigas que envolvem este meio. Como se sua condição atual não fosse deprimente, são estas e mais algumas outras descobertas que Violet começa a enxergar como sua vida é frágil e qual será o seu verdadeiro e terrível destino, tão bem maquiado antes pela sociedade.
Violet sabe que está em constante perigo assim como o de sua melhor amiga, Raven, #192, que fora vendida para a vizinha da Duquesa, a Condessa da Pedra. No meio dessas descobertas, mesmo impossibilitada de se comunicar, andar ou ter qualquer tipo de liberdade ela conhece pessoas dispostas a ajudá-la. Dispostas a conhece-la como ela realmente é. Ela descobre que a Joia não é tão intocada como pensamos e que nem todos são aqueles que parecem ser. Com ajuda, Violet percebe que pode ter o poder de fugir de sua situação, de rebelar sua insatisfação com este sistema, que tem uma opção e isso é o que mais envolve o leitor durante esta leitura.
O que eu não poderia deixar de falar aqui é a boa construção desta sociedade, apesar de que neste primeiro livro a autora tenha deixado algumas pontas soltinhas, mas por se tratar da introdução da história dá para relevar. A sociedade é claramente comandada pelas mulheres mesmo que entre elas fique disfarçado que a palavra final é dos homens, que na realidade são apenas acompanhantes e fantoches dessas mulheres. Outro ponto bacana é a criação dos nomes da realeza, todos eles refletem ao fato de viverem na Joia, e por este motivo todos levam nomes de pedras preciosas, como Pearl, Garnet, Alexandrite, Lapis, etc. Isso é perceptível, mesmo que nem todos os nomes tenham sido traduzidos e eu agradeci muito por isso. Pelo que percebi, nos outros círculos, os nomes se intercalam entre flores e plantas, eu achei muito bem articulado isso na trama.
É incrível como Amy Ewing, mesmo em seu livro de estreia consiga envolver o leitor em cada página. São muitos os fatores positivos. É a trama bem desenvolvida, é a boa descrição das cenas, dos vestuários e desse universo estonteante e ao mesmo tempo obscuro. Também temos a apresentação de cada personagem e suas condições dentro desta sociedade, como no caso de Lucien “dama de companhia” da Eleitora e Anabelle a de Violet. Carnelian e Garnet sobrinha e filho da Duquesa e por fim Ash Lockwood que tem o destino tão cruel e violento quanto os das substitutas. Todos estes personagens que se relacionam com Violet têm um porquê de estarem ali, eles não estão simplesmente preenchendo a cena, cada mínimo detalhe é importante e ao final da leitura você vai entender porque.
Aliás, que final é este né?! Eu fiquei surtada aqui, Amy jogou sujo! O mais triste foi eu correr e procurar mais informações sobre a continuação do livro e descobrir que o mesmo nem foi lançado lá fora =(. Agora me resta torcer que a Editora LeYa de continuidade nesta série que promete e muito. Eu indico a leitura para quem gosta de uma boa distopia com algo inovador, que emocione e que te aflija, que te envolva de uma vez só. Tenho certeza que todos vão se sentir surpreendidos pelas reviravoltas e pelos mistos de sentimentos que a autora arquitetou muito bem. Mais do que recomendado, é leitura obrigatória!


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