Título Original: A Tale of the Circus Tresaulti
Autora: Genevieve Valentine
Ano: 2016
Editora: DarkSide
Páginas: 320
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O Circo Mecânico Tresaulti é uma fantasia steampunk escrita pela autora Genevieve Valentine. A primeira versão do livro foi lançada em 2013, e neste ano, a DarkSide trouxe para todos os leitores uma edição limitada, linda, de luxo. Assim como a primeira edição, traz as ilustrações do artista Wesley Rodrigues, responsável por todas as artes internas do livro e também uma carta exclusiva da autora para os leitores brasileiros.
Foi através da edição de luxo e acabei tendo a grata experiência de conhecer a trupe circense. Um grupo que viaja sem rumo certo em um mundo pós-apocalíptico devastado pela guerra. O objetivo do circo é simples, levar a alegria para o resto da população, que como podem, seguem vivendo.  Em meio as viagens, de cidade a cidade, que conheceremos os ricos personagens inseridos nesta história. 
Quem organiza o circo é Boss, uma valente mulher que recebeu o dom de reviver os seres através de peças mecânicas. É assim que ela “monta” sua trupe, digamos, sua família. Através de uma narrativa muito bem amarrada e diferente, Genevieve utiliza de todas as ferramentas das narrativas em primeira, segunda e terceira pessoa ao longo do livro. Teremos várias visões do contexto e assim, vamos tecendo a história de cada um dos personagens, a maneira como cada um chegou até o circo, suas motivações e até suas inseguranças.
Um desses personagens é Little George um menino que ainda não recebeu “presente” algum de Boss, mas que mesmo assim, tem uma responsabilidade grande com o circo. Grande parte da visão do leitor será adquirida através dele. As mulheres dessa história também merecem um espaço especial nessa resenha, são todas personagens fortes e de personalidades marcantes. Eu poderia até dizer, que são Boss, Elena e Bird que comandam o circo e a história.
A trupe do circo ainda é humana, mas ainda têm vantagens diante o restante da população, mas tudo bem, afinal… é para isso que eles estão ali, para distrai-los, alegra-los. Só que aos olhos do governo, quando achados e usados ao seu favor, os seres de Boss são vistos como uma vantagem promissora na guerra. É através desse principal conflito que será desenvolvida toda a história.
Sem dúvidas, O Circo Mecânico de uma forma geral, fala sobre relacionamentos humano, a forma que o homem se comporta e diversas situações na vida. O lado bom e o mau se gladiando durante a vida. É um livro com uma história simples, sem grandes surpresas, mas que se destaca pela forma que é contada. A leitura, que a princípio pode ser um pouco arrastada, é fundamentada quando chegamos no meio para o fim, quando percebemos que cada pedacinho daquele começo é essencial para a conclusão.
A autora é direta ao ponto e até mesmo, antecipa a história. Ela faz o melhor para trazer e levar o leitor conforme a narrativa necessita, pode-se dizer que os capítulos até conseguem ser poéticos quando precisam. Ela não se apega a parâmetros, com capítulos com apenas um parágrafo e outros com páginas e páginas, é assim que ela conta esta trama, indo e voltando no tempo, construindo a time-line dos acontecimentos.
O livro também te proporciona muitos momentos de reflexão e até me rendeu algumas analogias sobre a vida. Me remeteu a quatro sentimentos em especial. A esperança de uma nova vida, tanto para quem visita o espetáculo (numa terra devastada) e também para os integrantes, que por seus motivos acabam procurando o circo (ex-soldados e refugiados). A lealdade que todos dentro do circo têm um com outro, mesmo com suas indiferenças e por último, liberdade e confiança.
O Circo Mecânico é uma indicação certa. Para quem gosta de se aventurar por novos horizontes e também para aqueles que gostariam de sair de vez da sua zona de conforto, o livro merece uma chance. Só recomendo que não leiam apressadamente, eu fui degustando, pouco a pouco. Assim funcionou comigo, mas isso não quer dizer que seja uma regra. Concluo afirmando que Genevieve escreveu um livro sensível, com personagens grandiosos e sonhos arrebatadores. Conheçam, afinal, o circo tem que continuar.

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