Resenha: A Montanha

09 set, 2017 Por Nina Novaes

Título Original: The Mountain Story
Autor: Lori Lansens
Ano: 2017
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 322

Normalmente eu gosto de esperar um tempo para absorver a história antes de escrever a resenha. Mas A Montanha termina de uma forma que eu precisava por tudo isso para fora logo. Apesar desse não ser o primeiro livro da Lori Lansens, eu acredito que ela não seja uma autora muito conhecida pelas pessoas. Infelizmente, isso pode fazer com que as pessoas percam a chance de conhecer uma ótima história.
Em A Montanha, Wolf Truly resolve que é hora de contar para Daniel, o seu filho, os segredos que vinha guardando sobre sua vida e o episódio em que se perdeu na floresta quando era mais jovem. O dia fatídico era o aniversário de dezoito anos de Wolf, que saiu de casa sem mochila para desbravar a montanha e sem pretensão de voltar para casa. Ele perdeu a mãe quando ainda era criança e ficou sobre a responsabilidade do pai, um malandro que vivia metido em confusões e situações ilícitas.

Ao longo da história, ele revela seus traumas e como os últimos acontecimentos em sua vida o levaram a tomar a decisão de que aquele seria o seu último dia. O que ele não esperava era cruzar com três mulheres e acabar responsável por suas vidas durante o que seriam cinco longos dias, quando nem ele mesmo sabia se queria continuar com a sua. Depois de anos guardando apenas para si os momentos trágicos que envolveram esses dias, Wolf se abre totalmente para o filho.

“As pessoas que se dão melhor em situações impossíveis são as que têm certeza de que vão sair dessa e que continuam pensando assim, mesmo que morreram tentando”.

A sinopse do livro realmente chamou a minha atenção e ele cumpri com as letras garrafais da contra capa: EMOCIONANTE. É um livro de sobrevivência que envolve pessoas completamente diferentes, que mesmo nas piores circunstância tentaram manter o otimismo. Sem contar que Lori Lanses foi deixando várias pontas soltas ao longo da história que foram se encaixando. Algumas não tão surpreendentes, mas rolaram muitas reviravoltas. Principalmente no final onde fiquei de queixo caído – e foi quando resolvi que precisava vir aqui falar logo desse livro.   
Os acontecimentos da montanha são intercalados com lembranças de Wolf que explicam bastante sobre a sua personalidade e os motivos para querer acabar com sua vida naquele lugar. Em alguns momento, confesso que não gostei tanto de ficar esperando saber o que estava acontecendo na floresta, enquanto ele ficava relembrando coisas do passado. Chego a arriscar que pelo menos metade do livro foca nas lembranças de Wolf. Acho que isso podia ter sido enxugado um pouco para não deixar o livro tão longo, mas ao mesmo tempo, talvez, essa tenha sido uma tática da autora para aumentar a tensão da história.

Lori Lanses também optou por dividir a história de uma forma bastante interessante. O que temos são os cinco dias longos, ou capítulos, que vão diminuindo conforme os personagens já estão perdendo suas forças. Não sentimos o progresso da leitura que um livro dividido por capítulos nos dá. Ficamos, assim como os personagens, ansiosos e curiosos para saber como aquele dia acaba, aumentando a sensação de agonia. 
Apesar de eu enxergar pontos positivos nessas questões do livro, esses não são estilos que realmente me agradam como leitora e senti que isso retardou a finalização da minha leitura. Eu sabia que não ia conseguir ler um ou dois capítulos e ficar em paz – porque o livro não tem capítulos! Então, eu precisava escolher horários onde pudesse dedicar mais tempo para esse livro. Também precisava me preparar psicologicamente para caso Wolf resolvesse usar dez páginas para contar uma história triste, enquanto eu esperava ansiosa para saber o que raios eles estavam fazendo na montanha. Talvez eu tenha sentido falta de um pouco mais de ação.  
No geral, eu gostei muito do enredo. Foi amor a primeira vista pela sinopse e gostei da construção dos personagens. Só esperava que fosse uma leitura mais rápida. Para quem gosta de filmes de sobrevivência na selva é uma ótima indicação.

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