A Deusa Impiedosa, por Margaret Owen

18 jul, 2026 Por Alessandra Paccola

Após fugir de sua grande paixão em um ato impensado, Vanja se vê sozinha em uma pequena cidade e acaba se enfiando em mais uma confusão das grandes quando inventa a existência de uma deusa desconhecida para justificar a aparição de tantas pedras preciosas em suas mãos.

O que ela não imaginava é que a Donzela Escarlate resolvesse corresponder à farsa e reivindicar seu lugar de direito naquele vilarejo, transformando a realidade de todos e exigindo dádivas impossíveis a fim de não derramar sua ira nas famílias daquele lugar.

Diante da raiva daquela divindade desconhecida, Emeric e Vanja partem em busca do sangue de sete irmãos para satisfazer ao pedido da tal Senhora misteriosa, enquanto buscam a verdade sobre quem realmente está por trás de todos esses acontecimentos.

Como dizer quem ela fora, e quem ela era agora; sequer sabia ainda quem ela queria ser. Anos subjugada pela dor a forjaram em uma adaga, e só agora ela aprendia a tocar os outros sem arrancar sangue.

Pelo caminho, além de decidirem se enfrentarão suas dúvidas em relação ao seu relacionamento, o casal se depara com farsas ainda maiores e outras criaturas que prometem tornar essa aventura ainda mais caótica.

Um livro que, para mim, cai na “maldição do segundo volume” e acaba deixando a desejar quando o assunto é timing. A Deus Impiedosa, embora retome personagens incríveis, como a própria protagonista e seu par romântico, e traga outros ainda mais curiosos e cheios de charme para complementar a narrativa, perde o ritmo durante o enredo e fica difícil de ser apreciado por conta da lentidão dos acontecimentos.

Crédito: Editora Seguinte

Além disso, a autora abusou demais na quantidade de histórias paralelas, dando a sensação de que toda a construção da trama era desnecessariamente complicada, ainda mais porque o final foi extremamente corrido e conveniente.

Essa é a coisa engraçada de pessoas que nunca se sentiram inseguras de verdade: esperam que o perigo apareça cavalgando pelo portão da frente.

Entretanto, mesmo com as ressalvas, eu reconheço que me diverti demais com o livro, seus diálogos espirituosos e engraçados, uma relação familiar inusitada e boas sacadas para amarrar o final, mesmo que tenha sido bem clichê.

A mitologia que forra a jornada de Vanja é cativante e algumas passagens são memoráveis. O romance é bacana, mas não gostei das escolhas da protagonista, pois seu amadurecimento caiu por terra quando terminou o volume com as mesmas perguntas com as quais começou sua nova aventura. Ficou parecendo que ela apenas rodou em círculos e não aprendeu nada com o que passou dessa vez.

-Quero que você se lembre de que, enquanto me aceitar, vou escolher você todas as vezes.

Acredito que seja um livro que vá dividir opiniões e que talvez vire um “abandonado” na estante de alguns leitores menos interessados. De maneira geral, é bom, porém não consegue inovar muito depois do primeiro volume, já que acaba sendo um pouco parecido demais com seu antecessor, apenas com elementos levemente diferentes e uma pitadinha maior de desenvolvimento no romance surgido em A Ladra Amaldiçoada.

Confira a resenha de A ladra Amaldiçoada

  • Painted Devils
  • Autor: Margaret Owen
  • Tradução: Laura Pohl
  • Ano: 2025
  • Editora: Seguinte
  • Páginas: 488
  • Amazon

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