Abby e Ben eram um casal extremamente unido, e nada conseguia abalar o relacionamento, nem mesmo uma tragédia na história familiar, que ambos passaram juntos. Contudo, isso acontece quando Ben é dado como morto após o avião em que ele viajava cair ao mar e nunca ser encontrado.
Joel é um médico extremamente dedicado à carreira, forma que ele encontrou de lidar com uma decisão que tomou na infância e resultou em uma fatalidade, fato pelo qual ele nunca se perdoou e ainda carrega consigo a culpa diariamente.

Após um ano do acidente de Ben, a família de Abby insiste para que ela siga adiante. Quando sua vida cruza com Joel, ambos percebem que precisam dar uma nova chance para seus futuros, mas ainda é muito difícil para Abby deixar Ben para trás.
Desde que o avião caiu, Ben constrói sua estadia em uma ilha, procurando uma forma de voltar para Abby. Ele precisa encontrar a esposa de alguma forma, independentemente de como.
Charlie Donlea é um dos meus autores favoritos no gênero de suspense, então a ideia de ler um drama do autor me deixava um tanto receosa. Além disso, eu achava que a premissa tinha algumas semelhanças com o livro “Amore(s) Verdadeiro(s) ” da autora Taylor Jenkins Reid, porém a leitura me mostrou que o desenvolvimento segue caminhos completamente diferentes, além das mensagens dos livros serem temas diferentes no fim.
A escrita do autor carrega uma marca autoral para mim, e mesmo sendo de um gênero diferente do que ele escreve, ainda consegui sentir seu toque pessoal, além da história também seguir sua normal uma estrutura com um mistério e plot twist.
A leitura foi predominantemente morna. Não me vi completamente envolvida, mas também não entediada ao ponto de pensar ou desejar abandonar o livro. Ainda assim, a história é curta, então acredito que isso também colabora na decisão de dar continuidade. Há trechos onde o autor apresenta como Abby e Ben se conheceram, e esses sim achei tediosos, mas não eram tão frequentes.
Logo no início da história é mostrado, a partir de uma carta, que Ben compartilha um segredo com uma pessoa desconhecida ao leitor, onde deveria contar à esposa ou então o/a remetente iria. Para mim me parecia claro que não se tratava de traição, principalmente por já estar familiarizada com as histórias de Charlie Donlea, e esse ponto me deixou um tanto curiosa.
A revelação desse segredo seria um dos principais plot twist da história, mas eu jamais chamaria assim. A minha sensação foi de indignação porque além de fraco, o “segredo” nem fazia sentido Ben ter guardado para ele, então a revelação foi extremamente frustrante.

Apesar disso, esse segredo traz uma outra ligação com a história, que também seria uma reviravolta, a qual achei positiva. O maior problema realmente foi o mistério em torno de algo que ele nem precisava ter mantido escondido.
Além delas, o desfecho final também trás uma informação nova ao leitor, que até então o autor dava a entender algo diferente. Contudo, pela falta de ligação com os personagens, nem as reviravoltas positivas conseguiram despertar as emoções que deveriam.
Apesar do livro trazer temas importantes como o enfrentamento do luto, o peso da culpa e o poder do autoperdão, fico feliz que Charlie Donlea escreve suspense, porque se fosse um autor de drama ele não seria um dos meus favoritos.
Assim, finalizei a leitura desapontada com alguns aspectos, mas de forma geral neutra em relação a história e personagens, como uma leitura que não foi de todo ruim, mas esquecível, e também grata por seus lançamentos posteriores serem de suspense.

- Before I Go
- Autor: Charlie Donlea
- Tradução: Carlos Szlak
- Ano: 2023
- Editora: Faro Editorial
- Páginas: 224
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