Título Original: Frankenstein: or the Modern Prometheus, The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, Dracula
Autores: Mary Shelley, Robert Louis Stevenson, Bram Stoker
Ano: 2017
Editora: Martin Claret
Páginas: 545
AmazonSaraiva

Nesta nova edição da Martin Claret temos reunidos Frankenstein, O Médico E O Monstro e Drácula, os três grandes clássicos do terror e da literatura gótica.
Primeiramente conheceremos a obra de Mary Shelley, lançado originalmente em 1818, Frankenstein foi a leitura mais reflexiva, provavelmente por abordar diversos questionamentos sobre o verdadeiro mal na natureza humana. Nesta obra conheceremos a triste história do Dr. Victor Frankenstein que acabara de criar uma criatura colossal em seu laboratório. Após ver o resultado do projeto de sua vida, Victor vê diante dos seus olhos sua ruína e o jovem terá que lidar com as consequências de seus atos.
Com apenas 19 anos, Shelley havia criado a primeira ficção cientifica da literatura. Em sua obra, a autora enxerga além do horizonte ao questionar consequências da fé cega na ciência sem estarmos preparados para isso. Em uma segunda camada, seremos também, constantemente confrontados contra a verdadeira natureza humana e o que nos torna realmente humanos e dignos da vida. Saber que esta obra é fruto de uma mulher e que sua visão transpassa barreiras de séculos me faz lamentar que eu não tenha conhecido esta obra antes.
Quase na mesma linha de aprofundamento da essência humana, em 1886, o escocês Robert Louis Stevenson criara O Médico E O Monstro com o intuito de abordar os valores morais de nossos atos e comportamento. Através dos olhos do Dr. Henry Jekyll e de sua metade vil, Edward Hyde, despertada por um dos seus experimentos, iremos explorar a linha tênue entre o bem o mal e as sombras de nossas personalidades. É a história mais curta, mas garantiu minha total atenção durante todas suas páginas.

“[…] Mas um estranho em uma terra estranha é ninguém; os homens não o conhecem, e aqueles que não são conhecidos não são amados.” Drácula

Por fim, o mais novo dentre os três nascia em 1897 sob autoria de Bram Stoker. Apesar de não ser o primeiro autor a falar sobre vampiros e as lendas que os permeiam, Drácula tonou-se a história vampiresca mais famosa dentro da literatura e responsável pela popularização dos vampiros. Contada inteiramente de forma epistolar, conheceremos primeiramente Jonatham Harker, um advogado inglês que acaba viajando para a Transilvânia para visitar um recluso Conde. Lá Jonatham vivencia o pior dos seus pesadelos e é deixado como prisioneiro no castelo de Drácula. O jovem consegue escapar e retorna a Londres sem se lembrar de nada, porém após um navio ancorar na costa londrina, estranhos acontecimentos passam a acontecer e logo Jonatham, sua noiva Nina e os amigos, John Seward, Quincey Morris, Arthur Holmwood e o velho professor Abraham Van Helsing iniciam uma caçada contra uma criatura da noite.

A maior característica que encontrei entre as três obras durante a leitura, foi a narrativa extremamente descritiva dos autores. Percebemos a jornada de cada personagem em todas suas reações, o que acaba nos proporcionando total imersão e compreensão dos fatos nas histórias. Como falei anteriormente, Frankenstein foi a história que mais me proporcionou isso de certa forma. Assim como em O Médico E O Monstro, nos vemos confrontados pelo egoismo e orgulho humano. Os protagonistas destas obras passam uma dualidade extrema, até chegarmos a ser confundidos com a narrativa dos personagens. Por vezes nos vemos empáticos em relação aos seus atos, em outros somos capazes de notar a monstruosidade por trás de suas descobertas e motivações.

Perceber que tais clássicos vão além da superfície de monstros e vilões, após anos vendo, lendo e escutando pequenos fragmentos corrompidos sobre estas histórias tão conhecidas foi uma experiência bastante interessante para mim como leitora. Sempre tive a impressão que conhecia tais histórias, que sabia como se concluíam e qual mensagem cada uma passava. Porém, me deparar com algo que vai além disso, perceber minhas reações e minha empolgação durante a leitura foi uma total surpresa. Foi como ler outras histórias, com personagens que eu já conhecia tão bem, quando na realidade estas eram as originais. 
Drácula, a história mais longa e que me exigiu mais tempo devido sua narrativa rebuscada, me envolveu por completo. Perceber em suas páginas diversos detalhes que já vi serem utilizados em outras histórias que envolvem a literatura vampiresca foi um deleite aos meus olhos. Saber a origem de muitas das histórias que conheço não tem preço. Esta maravilha sempre esteve a minha disposição e apenas não a lia por achar que já sabia o suficiente, engano meu. Além disso, sua história foi inspirada em um figura histórica, o que torna tudo ainda mais interessante. O príncipe Vlad III acabou conhecido pela perversidade em que tratava seus inimigos, o que alimentou o imaginário, nascendo assim a lenda de que ele foi um vampiro no século XIII.
Curiosidades a parte, concluo esta resenha recomendando esta leitura para você, que é um leitor assim como eu era há alguns dias, que ainda não tinha lido estes três clássicos da literatura mundial, se permita conhecer. Leia, leve o tempo que levar, mas realmente conheça estas obras e o que há por dentro de suas camadas. Não se contente em conhecer apenas o superficial que somos condicionados a conhecer desde pequenos, conheça a essência destas obras, que são ricas em conhecimento e reflexões, que assombraram e ainda continuarão assombrando muitas pessoas ao longo dos séculos.

O que é moralmente aceitável ou não? O que nos tornam mais humanos que os outros? Existe realmente satisfação na vida de um morto-vivo imortal? Frankenstein, O Médico E O Monstro e Drácula revolucionaram o cenário gótico da literatura, aterrorizaram e assombraram milhares de mentes e trabalharam o mistério e suas verdadeiras vertentes inspirando tantas outras obras pelo mundo inteiro, sem dúvidas, três clássicos imperdíveis e excepcionais na vida de qualquer leitor. As três obras já receberam diversas adaptações, inspirou releituras literárias e a realização de diversos filmes e peças incontáveis vezes. Também, todos estão sob domínio publico e estão disponíveis gratuitamente nos seus originais.
A edição da Martin Claret, assim como muitas lançadas recentemente pela editora está muito bonita, com um ótimo acabamento e um trabalho gráfico primoroso. A obra vem envolta de uma caixa que oculta alguns elementos da capa do livro quando fechada. Além disso, as páginas receberam um degradê para que se assemelhe a uma edição mais antiga. Sem dúvidas é um livro para me deixar orgulhosa por te-la em minhas estante. Não só pelo seu belíssimo visual, mas pela obscuridade e palavras que tem em suas páginas.

rela
ciona
dos