Ringu – Crítica

26 out, 2017 Por Nina Novaes

Provavelmente você já conhece a história desse filme. Ringu é a versão japonesa de 1998 do que conhecemos, aqui no ocidente, de O Chamado (2002). Ambos são adaptações do livro homônimo de Koji Suzuki, autor japonês. O primeiro filme foi um sucesso tão grande no Japão, que além de ter tido a adaptação norte-americana, também rendeu um remake sul-coreano em 1999. Tendo visto as duas versões, resolvi fazer uma crítica focada mais nas diferenças e semelhanças dos dois filmes.
Quando falamos de Japão, com certeza, o país é uma referência forte para os fãs de histórias de terror e não é à toa que o diretor de Ringu, Hideo Nakata, acabou sendo escolhido para dirigir a continuação estadunidense O Chamado 2 (2005). Então, para quem não está familiarizado com a história, vou contar um pouco do que se trata.
Reiko Asakawa (Nanako Matsushima) é uma repórter investigativa, que após a morte misteriosa da sua sobrinha, tenta desvendar o que levou uma jovem saudável morrer tão repentinamente. Ela começa a ouvir boatos sobre a história de uma fita que, quem a assiste morre em sete dias. O enredo gira em torno da Reiko tentando salvar a sua vida e do seu filho. Durante essa semana, ela recebe ajuda de Ryuji Takayama (Hiroyuki Sanada), o seu ex-marido e professor cético, que apesar disso tem uma percepção extrassensorial.

Como na versão norte-americana, na fita amaldiçoada, podemos ver cenas aleatórias com a mesma proposta, só que um pouco diferentes para se adaptar a cada cultura. Essa cenas são pistas para responder a história da menina que sai do poço e provoca as mortes. No Ringu, o nome dela é Sadako Yamamura (Rie Inō) – e não Samara.

Os acontecimentos em si das duas versões – americana e japonesa – são bem parecidos. O que mudam são alguns detalhes. Talvez um dos mais perceptíveis é a participação do ex-marido de Reiko, que se torna uma figura muito mais presente pelo fato dele ter esse “dom”. E, pelo que eu entendi, na versão norte-americana, quem tem esse dom é criança.
Apesar de muitas pessoas falarem que a versão japonesa dá mais medo, eu não vou concordar. Não sei se é porque O Chamado faz parte da minha memória afetiva de quando eu era criança e morria de medo desse filme ou se é porque eu não estou acostumada com o tipo de dramatização oriental, que muitas vezes parece um pouco mais forçada. Mas quando comparamos a Samara e a Sadako, a situação muda. A figura de Sadako é muito mais imponente e acaba dando mais credibilidade ao papel. O diretor Hideo Nakata parece usar o mínimo possível de efeitos de corte para criar a tensão no filme, além disso, o arrastar pelo chão e movimentos quebrados da Sadako saindo do poço e da televisão, na versão japonesa, são feitas pela própria atriz. Com certeza não é tipo de figura que quero encontrar na sala a noite – ou qualquer hora do dia.

No final da contas, eu gostei muito do Ringu, apesar de ainda preferir a versão de 2002. E, vale ressaltar que eu sou uma pessoa meio anestesiada por ver filmes de terror desde criancinha. Ou seja, o fato de eu não ter sentido medo, não significa que você não sentirá. No final das contas, eu acredito que tudo depende do quão imerso você se deixará ser levado pela história; o quanto uma falha na sua televisão poderá fazer você pensar que pode ser Sadako vindo te buscar.

  • Ringu
  • Lançamento: 1998
  • Criado por: Hiroshi Takahashi
  • Com: Nanako Matsushima, Hiroyuki Sanada
  • Gênero: Terror
  • Direção: Hideo Nakata

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