Resenha: Sempre Vivemos no Castelo

Título Original: We Have Always Lived in the Castle
Autora: Shirley Jackson
Ano: 2017
Editora: Suma das Letras
Páginas: 200

Mary Katherine Blackwood vive, juntamente de sua irmã Constance, seu tio Julian e seu adorável gato preto, na antiga e requintada mansão da família BlackwoodOs membros restantes, os responsáveis pela continuidade, segurança e fortuna da família, não mais respiram o mesmo ar ou dividem os mesmo cômodos da residência com aqueles que resistiram a noite sombria que levou consigo os pais das garotas e todos aqueles que dividiram a mesa com os Blackwood durante a fatídica noite.

A mansão da família localiza-se na clareira de um bosque fechado, cercado anos atrás, pelo pai das garotas, para impedir que todo e qualquer morador da cidade tivesse contato ou acesso a residência e aos membros da família. 

Por motivos desconhecidos, uma crença de que a família não trouxe qualquer benefício para a cidade se espalhou com o tempo, estabelecendo um sentimento de ódio extremamente arraigado ao coração de cada morador da cidade, resultando em perseguição para com os membros restantes. Por ser a única capaz de sair dos limites da residência, ter forças para enfrentar o caminho de ida e volta até a cidade e ultrapassar as cercas que os protegem, é Merricat quem sofre com os olhares, comentários e enfrentamento que os moradores da cidade lhe impõem todas as vezes que precisa fazer compras ou emprestar um livro na biblioteca. É através desse contexto que iremos conhecer os segredos, desafios, demônios e trajetória dos membros restantes da família Blackwood.

"Resolvi que escolheria três palavras fortes, palavras de proteção firme, e contando que essas palavras formidáveis nunca fossem ditas em voz altam nenhuma mudança ocorreria."




Sempre Vivemos no Castelo, escrito por Shirley Jackson no ano de 1962, espalha um quebra cabeça diante dos olhos do leitor, este, por sua vez, descobre pouco a pouco que as peças principais se perderam com o tempo, extraviaram-se pelos cantos de uma residência afastada cujos segredos se unem a memórias de garotas que perderam seus pais e agora vivem sozinhas da mansão da família. 

O livro nos apresenta o cotidiano e desafios vividos pelas irmãs Blackwood na residência da família, demonstrando ainda sua relação com os cômodos da casa, com seu tio e a forte amizade que nutrem uma pela outra. A história destaca o sentimento de ódio e desprezo que a comunidade sente por sua família, apresentando as perseguições, comentários e atitudes tomadas por cada membro da comunidade. São os sentimentos mais profundos da personagem principal, Mary Katherine, as sombras que rondam seu coração, e o passado que tenta nunca mais reviver, que direcionam o enredo para o mistério que desejamos descobrir.

A obra é construída de maneira a instigar a mente do leitor para que crie teorias e busque descobrir a verdade por trás de eventos passados e presentes. Porém, pontas soltas serão deixadas para trás ao longo da história, e o leitor terá que contentar-se, uma vez finalizada a leitura, em não receber todas as respostas que gostaria.

Da mesma forma, diversas situações não serão completamente, ou minimamente, mencionadas ao longo da narrativa, o que causa estranhamento por parte do leitor, além de tornar os eventos do clímax absurdos, ilógicos, primitivos e questionáveis. A falta de profundidade com relação aos segredos, passado e contexto que a autora se pôs a abordar destaca-se como o ponto fraco de toda a obra.

Quanto menos o leitor souber sobre a narrativa, sobre os detalhes que cercam essa história, melhor será a experiência de leitura, porém, a falta de respostas, profundidade e mesmo, a forma como determinados eventos se desenrolam, pode vir a incomodar e afetar a experiência de leitura. 

Sempre Vivemos no Castelo é uma obra misteriosa que confunde o leitor e exige que este crie suas próprias teorias. O livro apresenta cenas maravilhosamente sombrias, eventos absurdos e revoltantes, destacando também, os eventos reais que fazem com que lendas sejam criadas. Shirley Jackson pode ter conquistado diversos leitores, mas, aos olhos da leitora que vos fala, deixou a desejar em sua obra de maior popularidade. No fim, a verdade é que todos devemos tentar descobrir os segredos do castelo, vindo a tirar nossas próprias conclusões sobre as garotas que lá vivem.

13 comentários

  1. Olá!
    Eu já li resenha sobre esse livro, a história é bem interessante. Gosto de livro que tenha suspense, que prender o leitor até o fim. Gostei muito da resenha e espero em breve ler esse livro.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  2. Oi Izabel, o livro foi escrito a bastante tempo (1962) achei isso curioso e curti a resenha. Fiquei curiosa pra saber sobre os eventos do passado e do presente e não sei bem o que pensar dos personagens. A capa tá bem bonita, achei uma pena a falta de profundidade que você citou no final da resenha mas se surgir a oportunidade vou me arriscar pra ver o que acho da experiência ;)

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  3. Tenho curiosidade em conhecer o livro, devido ser muito citado em outra leitura que fiz. E como adoro mistério fiquei interessada em saber mais sobre essa família, mas confesso que esperava mais, deixar algumas respostas sem serem respondidas não me agrada, mas mesmo assim ainda quero saber sobre esses personagens estranhos e seus segredos.

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  4. Oi! Nossa, o livro é antigo e eu nunca ouvi falar antes hahaha Gostei da proposta dele, mas não curti o fato de que é o próprio leitor que tem que deduzir e criar teorias sobre os acontecimentos, já que muita coisa não é esclarecida. Não pretendo ler, mas gostei da resenha! Beijoss

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  5. Gente, nunca ouvi falar desse livro.
    Poxa. a falta de profundidade e os buracos que a história parece ter meio que me desanima em iniciar a leitura.
    Me esclareça uma coisa, é de época? Fiquei em dúvida rs

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  6. Oi, Izabel!!
    Fiquei bem surpresa quando vi que esse livro foi originalmente publicado em 1962!! Mas achei bem bacana essa estória, principalmente para quem gosta de suspense e de uma dose de terror misturado com thriller psicológico!!
    Bjoss

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  7. Puxa, não conhecia o livro e pelo título imaginava outra coisa totalmente diferente da resenha! Adoro cenários assim, sombrios e com segredos escondidos. Viver isolado até dá pra suportar, agora suportar o ódio de toda uma comunidade, deve ser algo bem pesado!
    Isso de mexer com o psicológico é algo que me agrada bastante!
    Se tiver oportunidade, quero muito poder ler!
    Beijo

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  8. Puxa, que livro diferente. Não sei ao certo ainda que sentimento me despertou, se iria querer ou não ler! hahahaha
    Que parece instigante realmente parece. Eu gosto de suspense e livros nos quais nós leitores precisamos crias as próprias teorias, mas o final tem que ser muito bom, pois para mim estraga todo o livro se não for convincente!

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  9. Fiquei muito curiosa para ler Sempre Vivemos no Castelo, depois de ler esta sua resenha, que bom que a obra é construída de maneira a instigar a mente do leitor para criar teorias e buscar descobrir a verdade por trás dos acontecimentos, tanto do passado quanto do presente, este livro parece ser muito bom, pretendo ler Sempre Vivemos no Castelo em breve.

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  10. Izabel!
    O livro foi lançado antes de eu nascer, bacana! Nasci em 1965.
    Difícil viver de passado e se trancar em uma redoma, não permitindo que a atualidade e a realidade se façam presentes.
    O mundo pela visão de Mary parece bem ilusório e confuso, fico me perguntando se ela não tem algum distúrbio psicológico?
    Agora todo livro que traz reflexão sobre a vida, acredito que valhaa a pena ler, pois podemos questionar nossos pontos de vista.
    Desejo um mês repleto de realizações e um final de semana de luz e paz!!
    “O que mais me interessa saber, não é se falhaste mas se soubeste aceitar o desaire.” (Abraham Lincoln)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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  11. Não conhecia a autora, mas eu sou apaixonada nesse estilo de leitura.
    Tenho visto resenhas positivas e negativas sobre esse livro, por isso estou meia dividida ainda.
    Uma pena que algumas coisas fiquem em aberto, mas é bom quando o leitor pode criar sua própria teoria.

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  12. Poxa, essa coisa de faltar respostas e criar nossas próprias teorias no final, me deixou meio frustrada. Fico doida quando leio algo sem uma boa conclusão.

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  13. Eu já vi esse livro na livraria e tinha ficado bem interessada nele, por essa capa bem diferente (e eu amo capa dura). Já percebi que esse livro é bem diferente, e acho que eu vou ficar bem confusa, e fiquei curiosa para saber mais dele.
    Mas acho que vou me incomodar por ele não ter tudo respondido no final :/

    Beijos!

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