Título Original: The
Invasion of the Tearling
Autora: Erika Johansen
Ano: 2017
Editora: Suma de Letras
Páginas: 395
Kelsea
Glynn
foi educada desde pequena para ser capaz de compreender as nuances que
formam a política de um reino. Foi aconselhada a ouvir, descobriu detalhes da
história do Tearling, cada mito e possível segredo mágico que transformou a
nação promissora em uma obra em ruínas, cercada pelos mais temíveis inimigos. 
Com
apenas dezenove anos a garota conquistou duas safiras cujos poderes inimagináveis
vão muito além de nossa compreensão, tomou o trono de Tearling para si,
derrotou um sistema de escravidão e desafiou a própria Rainha Vermelha. As
ações precipitadas de Kelsea não demoram a apresentar suas terríveis consequências.
Agora o exército de Mortmesne avança com toda a força na direção de seu castelo. A Rainha Vermelha volta seu olhar para as duas safiras penduradas
orgulhosamente no pescoço daquela que é considerada a Rainha Verdadeira, as sombras se concentram ao redor
do que pode vir a se materializar como o destino final do Reino de Tearling
Com os desafios do presente, nem mesmo as visitas ao passado, aquilo que poderíamos considerar como a mais nova atividade proporcionada pelas antigas safiras, pode salvar o
reino da morte que se aproxima como uma grande tempestade no horizonte.

“A
rainha não pensou nos soldados, só em princípios e princípios eram um consolo
vazio para homens que iriam morrer.”

A Invasão
de Tearling
 constrói-se e desenvolve-se logo após os eventos finais do primeiro livro. Quando Kelsea Glynn proíbe e enfrenta o tratado firmado por sua mãe, que estabelecia o envio de escravos para o Reino Mort, toda a população do Tearling se transformará em alvo da vingança da misteriosa Rainha Vermelha, e, não será o pequeno exército de Kelsea quem irá impedir o avanço das forças Mort.
Toda a obra estará baseada no embate entre
dois reinos, na luta por uma sociedade igualitária, justa e pacífica, além, é
claro, da defesa dos princípios do bom e velho movimento feminista. O principal diferencial do segundo volume da saga escrita por Erika Johansen, localiza-se na habilidade e profundidade com que se inseriram eventos pré Travessia, além de uma personagem que, em toda sua força e complexidade, torna-se mais importante do que a própria rainha do Tearling.
Uma de minhas críticas mais fortes com relação A Rainha de Tearling, estava na falta de profundidade para com todos os princípios do movimento feminista defendidos e incorporados pela personagem principal. A apresentação de ideais e pensamentos sem embasamento, algo semelhante ao que observamos hoje graças a ação da mídia, sai de cena e abre espaço para os motivos pelos quais se defende esse ou aquele princípio, lançando mão, ainda, de cenas chocantes, pesadas, e repletas da pura crueldade de atitudes machistas proporcionadas por uma sociedade patriarcal. A autora resolve os problemas do primeiro livro com a inserção de Lily, personagem que divide o posto de personagem principal com Kelsea e, na minha sincera opinião, é mais profunda e interessante do que a jovem rainha algum dia poderá ser.
Onde a autora acerta a mão na profundidade e contextualização do passado da história, ela erra por conta da falta dessa mesma profundidade nas ações, princípios éticos e morais e estratégia política daquela que passou a vida sendo treinada para transformar-se na rainha de Tearling. A visão de Kelsea é falha, preta e branca, descontextualizada de todos os eventos, situações e ações que transformaram Tearling no que ele realmente é. A personagem é inconsequente, não sabe ouvir, é orgulhosa e prega ações que, por falta de aconselhamento, e o pior é que ela possuí aconselhamento, por pouco não levam o que resta da pobreza de seu reino para a perdição total. Não se trata de uma personagem jovem e imatura, pois vivenciamos diversos momentos que provam o contrário, trata-se sim, de uma personagem mal construída que tateia na escuridão em busca do rumo certo para si mesma.
A Invasão de Tearling conserta a falta
de profundidade do primeiro livro, porém, retorna com novos defeitos na construção da narrativa e a mesma falta de profundidade em elementos de importância para a história. A personagem principal segue como a menos interessante da obra, e, não escondo a tristeza que tive ao encontrar
pouquíssimo de Fetch no segundo capítulo da saga. Apesar dos elogios, o livro carece em foco e objetivo, não
sendo capaz de, ainda, deixar claro ao leitor o que fazer com todas as informações de destaque, apresentadas ao longo das 395 páginas.
Pretendo
retornar ao Reino de Tearling quando da publicação do terceiro volume,
porém, espero observar Erika Johansen resolvendo os problemas de profundidade, demonstrando, ainda, que as voltas ao passado não foram mera estratégia de
contextualização de uma história que já possui potencial de sobra, mas sim, relacionarem-se a algo intimamente ligado ao presente, a
Kelsea Glynn e toda sua incompetência. Por fim, espero encontrar muito mais de Clava
e Fetch, e todos os personagens secundários que são muito mais interessantes do
que nossa personagem principal.

Confira a série A Rainha de Tearling:

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