Resenha: Veleiro Garça Azul, O Lado Duro da Vela

Título Original: Veleiro Garça Azul, O Lado Duro da Vela
Autor: Fernando P. Kuhlmann
Ano: 2017
Editora: Travassos Publicações
Páginas: 80
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Em Veleiro Garça Azul, iremos acompanhar seis histórias vividas pelo autor, Fernando P. Kuhlmann, ao lado do seu veleiro em meados de maio de 1994 a 2010. 

Num primeiro momento, no prefácio do livro, descobriremos de onde surgiu o interesse do autor sobre a prática do iatismo e de que maneira, por um longo período, passou a se dedicar inteiramente para o estudo do mundo náutico. A partir dali, mesmo com suas dificuldades, passaram-se poucos anos para que finalmente o Garça Azul, projeto que fora construído do zero, tomasse forma e adentrasse nas águas do litoral brasileiro. 

Neste mesmo capítulo é possível encontrar um pequeno glossário sobre os termos e expressões corretas referentes aos nomes dos elementos de um veleiro, pois durante a narrativa, muitos desses nomes, como boreste, bombordo, traves e tantos outros, irão aparecer para compor o ritmo da história. Então, para que nenhum leitor mais leigo se sinta perdido, é importante dar uma conferida nestes significados. Além disso, podemos conferir dados sobre o próprio Garça Azul, como seu tamanho e características.

Só anos depois dos acontecimentos narrados neste livro, que o autor se sentiu a vontade de relatar suas aventuras e os motivos que fizeram delas momentos especiais e inesquecíveis. Situações inusitadas que agora se encontram imortalizadas pelo o autor e compartilhadas para quem se interessar. Nestas histórias encontraremos os mais diversos acontecimentos e as mais expressivas emoções. Como a insegurança de se navegar sozinho e o modo como a natureza, ao mesmo tempo que demonstra calmaria, se revolta até virar uma tempestade assustadora. Quais são as dificuldades de se navegar em condições tão adversas e como tudo pode ser tão complicado, até mesmo uma "simples" atracação em um porto.

"Não é costumeiro para aqueles bravos e simples homens do mar, elaborarem suas jornadas. O que é uma pena para nós navegantes e narradores dos sucessos do mar. Assim ficam desconhecidas as histórias e os eventos eletrizantes vividos pelos intrépidos, pelo menos de forma perene. Reunidas, formariam o conteúdo de livros de aventuras de incomparável originalidade."


Em todos os contos, Fernando de alguma forma, ressalta o respeito que um navegador precisa ter em relação ao mar. Abordagens sobre quais são as épocas corretas para se navegar em tal direção e vários outros tipos de complicadores na navegação serão inseridas nos textos. Disto o autor tirou diversas lições, mesmo o alguém mais experiente no assunto pode encontrar suas dificuldades no mar, que não perdoa. Ainda sobre isto ele destaca a importância de se fazer um estudo sobre as rotas percorridas, recomendação e norma inclusive da própria Marinha, para se evitar acidentes. Estes trechos despertaram bastante o meu interessante.

Dentre as seis histórias contadas, três me cativaram por suas nuances misteriosas e até trágica. Como o segundo texto que apresenta ao leitor a aparição de misteriosa navegação que pareceu surgir de baixo do mar, o quarto texto onde o autor fala sobre uma tripulação que parece alcança-lo em alto mar apenas para orientá-lo sobre o perigo a frente e por fim, a quinta história, onde recebemos um final trágico e inquietante, mas que hoje, fazem parte do Garça Azul e da vida do autor.

Acredito que a leitura de o Veleiro Garça Azul, O Lado Duro da Vela deve agradar muito os leitores mais familiarizados com o mundo do mar, mas para quem, assim como eu, é leigo no assunto, o livro transmite histórias curiosas sobre a rotina no mar e sobre a realidade neste tipo de atividade. Num primeiro momento, os nomes específicos podem dificultar um pouco o entendimento dos fatos, mas seguindo o ritmo narrativo, logo já se sentimos absortos e relacionados ao assunto, o que é ótimo, pois eu, particularmente, não tinha muito conhecimento sobre nada e fiquei bastante satisfeita e entender estes pequenos fragmentos.



Mesmo demonstrando uma narrativa mais rebuscada em alguns trechos, foi ótimo conhecer algumas das aventuras vividas por Fernando P. Kuhlmann, o admiro pela coragem em adentrar num mundo tão cheio de riscos, mas ao mesmo tempo, capaz de levá-lo para as paisagens mais belas. Navegar deve ser assim como a vida, existem seus momentos de paz e outros de tormenta, mas que fazem parte da mesma viagem. Durante a leitura me senti confrontada por diversas emoções, pude me sentir amedrontada, preocupada, curiosa, triste e até confortada, cada conto trabalha um tipo de sentimento e se conclui com um bom aprendizado. Recomendo. 

11 comentários

  1. Joi!
    Gosto do mar, porém não sou adepta do iatismo, embora aprecie os Graels.
    É um livro talvez, mais para deixar registrado as augurias e aventuras vividas pelo autor e para trazer certo conhecimento, para quem como leigo como eu, possa aprender e ter ainda mais respeito por um esporte tão perigoso.
    Desejo um ótimo domingo!
    “Que o novo ano que se inicia seja repleto de felicidades e conquistas. Feliz ano novo!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

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  2. Mesmo sendo um assunto que não entenda nadinha, o mar sempre me fascinou(apesar de nem saber nadar :/) Sou medrosa demais e até para andar de barco uma única vez na vida,morri de medo.
    Mas não tem como não olhar para tudo aquilo e não se emocionar. É como se o mar exercesse uma atração, um chamado muito forte a todos nós.
    Já vi algumas entrevistas do velejador e confesso que fiquei muito curiosa em relação às histórias contadas no livro.
    Vai para a lista de desejados.
    Beijo

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  3. Eu achei bem interessante a ideia do livro, achei legal ele explicar um pouco sobre o assunto e contar algumas historias. Mas confesso que não tenho muita vontade de ler o livro, acho que o livro realmente atrai mais aqueles que são mais familiarizados com o mar.

    Beijos!

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  4. Achei interessante a história deste livro ser composta por seis histórias vividas pelo autor, ao lado de seu veleiro, pela sua resenha as histórias parecem ser bem interessantes. No momento não pretendo ler este livro, pois não faz muito meu estilo de leituras, mas quem sabe futuramente eu leia Veleiro Garça Azul, O Lado Duro da Vela.

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  5. Oi, joi! Que legal a temática desse livro e o fato de serem relatos do autor, acho que isso deve deixar os leitores mais próximos da historia, como se o próprio autor estivesse ali contando para nós. Assim como você sou completamente leiga nesse assunto e mesmo assim achei bem interessante a premissa do livro. :D

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  6. Oi Joi.
    Que bom que o autor colocou um glossário sobre os termos relacionados com navegação, senão seria bem difícil para os leigos entenderem as referências.
    Achei a temática desses contos bem diferentes e devem ter histórias bem emocionantes sobre a dificuldade de estar no mar.
    No entanto, não fiquei com vontade de ler esse livro.
    Bjs

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  7. Também sou leiga nesse assunto não entendo nada, mas é um livro interessante para quem gosta de velejar eu não tenho coragem tenho pavor de muita água rs. Parece que esta muito bem explicado os cuidados e todas as providências que se tem que tomar em auto mar.

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  8. Nunca leria pela capa e pelo título...kkkk
    Não tenho familiaridade com o tema, mas quem sabe, as vezes a gente se surpreende lendo algo fora da zona de conforto né!

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  9. Adoro esses livros de experiências e relatos pessoais, ainda mais quando pertencem a um mundo tão diferente do meu, como é o caso da navegação. Deve ser muito gostoso conhecer as situações pelas quais o autor passou e descobrir tanta coisa nova sobre um assunto que somos leigos. Com certeza também deve ser incrível para quem já gosta do assunto. Ótima indicação.
    Beijos.

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  10. O livro nos leva a uma aventura e tanto, pois já que conta o que se passou durante a viagem do autor, é como se estivéssemos juntos nessa viagem. Para quem curte muito o mar, pode aprender várias dicas de como proceder nesse tipo de viagem!!

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  11. Eu gosto de parar às vezes e observar o mar as ondas traz uma sensação de calma e tranquilidade mas eu não entendo muito a respeito dele pelo que eu vi é um pouco de Aventura que o autor já viveu não sei bem se vou dar uma chance a esse livro talvez eu devo visto que ele é bem pequeno com apenas 80 páginas

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