Ready Player One

Lançamento: 29 de março de 2017
Com:  Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe 
Gênero: Ação, Ficção Científica
Jogador Nº1 é a adaptação do livro homônimo do autor Ernest Cline, dirigido por Steven Spielberg. Comprados os direitos antes mesmo do lançamento do livro nos Estados Unidos, o longa chega aos cinemas neste ano, com o roteiro de Zak Penn e do próprio Cline. 
O ano é 2045 e a realidade que conhecemos hoje já não é mais a mesma. A destruição e a pobreza modificaram a humanidade e agora todos preferem viver numa realidade virtual chamada OASIS. Um jogo onde a fonte de conhecimento é ilimitada, é possível trabalhar, interagir, estudar e até mesmo se divertir sem precisar sair de casa. Após a morte do criador James Halliday (Mark Rylance), que deixou para trás vários easter-eggs, chaves de um grande quebra-cabeças para quem puder herdar sua herança e consequentemente toda a OASIS, Wade Watts (Tye Sheridan) passou a dedicar seu tempo em busca de pistas, a chance que precisa para mudar de vida, encarar a realidade e também encontrar o amor. 
Todas as pistas deixadas por Halliday são baseadas na cultura popular dos anos 80. Sendo assim, Jogador Nº1 é um conjunto de referências nostálgicas de diversos clássicos da época. No universo da Oasis tudo é possível, cada um pode ser quem quiser e como quiser, é um MMORPG capaz de conectar tudo a todos. Ao longo do filme, foram incontáveis as vezes que me vi surpresa por cada personagem, detalhe, nota sonora ou até mesmo pedaços de elementos já tão bem conhecidos que consegui visualizar ao longo das cenas. Steven Spielberg também não deixou de incluir elementos atuais, adequando o roteiro para a identificação dos jovens de hoje. Um destes novos elementos que mais me chamou a atenção na tela, foi a aparição de Tracer, personagem do jogo Overwatch da Blizzard.


É impossível não sair do cinema sem a vontade de assistir novamente ao filme, tudo para ter mais uma chance de descobrir todas as outras referências que provavelmente eu perdi. Esta cultura pop inserida no filme é muito ampla, ao ponto de que qualquer pessoa, mesmo a não muito adepta, possa identificar. Os elementos inseridos no filme não se resumem apenas a características de games, mas também a animações, séries, filmes e livros. Portanto, pode ser que uma ou outra referência possa passar batido por você, mas com certeza você terá tempo para identificar algo que reconhecerá.
Esta enxurrada nostálgica não só existe dentro do filme, inserida por diversas formas, mas também começou já na divulgação do longa, com o compartilhamento de imagens e pôster com cenas que fazem referência a outros filmes renomados. Dentre eles estão De Volta Para o Futuro, onde o próprio Spielberg atuou como produtor executivo, Matrix, Senhor do Anéis, Mad Max, Rambo, entre tantos outros. Uma curiosidade bastante interessante é saber que o diretor preferiu usar o mínimo de filmes que levaram sua assinatura, com o intuito de evitar uma autopropaganda, uma bobagem na minha opinião. A trilha sonora é muito coerente com o longa, é ela uma das responsáveis por unir todo este bolo de pequenas notas de outras icônicas trilhas sonoras em uma só, que causasse a identificação do público, mas que não parecesse algo sem sentido ou poluído. É simplesmente sensacional e está assinada por Allan Silvestri.
A interação de Wade, ou melhor, Perzival, com seus amigos dentro do jogo, Aech, Art3mis, Daito e Sho (e aqui resguardo a informação dos nomes dos atores que interpretam) é realmente interessante e muito real ao que realmente acontece dentro dos clãs de games. Logo o “High Five” é reunido e seguimos com o desenrolar da trama de um grupo de amigos que buscam encontrar um objetivo em comum, um caminho cheio de desafios, quests e fases. O vilão do jogo faz seu papel muito bem, a Innovative Online Industries é uma espécie de concorrente da OASIS e também busca encontrar os easter-eggs deixados por Halliday com a colaboração de um exército de jogadores ao seu dispor. Sorrento (Ben Mendelsohn) não mede esforços para barrar os avanços de Perzival e seus amigos, para isso i-R0k (T.J. Miller) e F’nale Zandor são escalados para impedi-los, tanto dentro do jogo quanto no mundo real.

Com todos estes elementos, o ritmo da narrativa é dinâmico e traz cenas memoráveis ao longa (o que a cena da corrida?), mas sem perder a mão. Não é um filme que deixa os “não tão conhecedores da cultura pop” completamente perdidos, o roteiro conduz ao entendimento completo dos fatos, ambientando e apresentando ao público cada elemento do filme e o propósito deles de estarem ali. Existem também muitos momentos cômicos dentro do longa, permitindo que a trama se desenrole com certa tranquilidade, mesmo nas cenas mais tensas.
O cenário de Jogador Nº1 é impressionante, não só dentro da OASIS onde os efeitos especiais esbanjam cores vibrantes e onde realmente o 3D faz a diferença, mas também no mundo real, onde as cores são mais sóbrias e acinzentadas. Um paralelo onde a realidade não parece mais tão vida quanto um dia já foi. É desta realidade que Wade busca fugir, mas que ainda é – e sempre será – de suma importante na sua construção como pessoa real, com desejos e sentimentos reais. Está aí a brecha que o filme precisa para fazer também sua crítica a alienação que a tecnologia vem proporcionando a nossa sociedade, mas que também se mostra tão necessária para o nosso desenvolvimento. A lição não é nada piegas, é esperada, é algo que todo mundo já sabe.
Jogador Nº1 consegue ser relevante, é um dos filmes mais visuais e cativantes – principalmente para o público jovem – dos últimos tempos. É uma grande homenagem a cultura pop, cheia de referências, gírias e memes tão bem conhecidos e que deve conquistar não somente fãs dos anos 80, mas também jovens de todas as idades. É um filme que entretém, diverte e traz todos os sentimentos que já sentimos nos blockbusters sessão da tarde. Parece que reencontrou seu caminho de volta para casa.

rela
ciona
dos