Lançado originalmente em 1983, A Hora do Lobisomem, de Stephen King, ganhou em 2017 uma nova edição pela Editora Suma. O novo livro compõe a coleção Biblioteca Stephen King que vêm relançando clássicos do autor que há muito saíram de circulação.
Dividido em doze capítulos, um para cada mês do ano. Nós acompanharemos a história da pequena cidade de Tarker’s Mill. Porém a calmaria da cidade parece comprometida quando terríveis assassinatos começam a acontecer. Um certo padrão é estabelecido e todo mês, em toda lua cheia, alguém é brutalmente assassinado. A primeira vítima fora um sinaleiro de ferrovia, a segundo, uma mulher, que fora atacada em sua própria casa. Quem será o próximo?
Particularmente, se eu tivesse que indicar um livro que servisse de porta de entrada para um leitor, que deseja conhecer Stephen King, eu indicaria A Hora do Lobisomem. De todas as leituras que fiz do autor, esta foi que mais me cativou. Aqui a característica prolixa de King fica de lado, dando espaço para a objetividade da trama, com ritmo e uma fluidez acertada para a leitura. Porém, se você espera uma história extraordinária sobre lobisomens, aqui, talvez você se decepcione. Para mim não foi problema algum, pois vi na simplicidade da história mais uma faceta do autor, o renomado e intitulado como mestre do terro que conseguiu me convencer.

O Ciclo do Lobisomem começou.

Acredito que A Hora do Lobisomem tenha todos os elementos do terror clássico dos anos 80. Stephen King cria sua própria história sobre lobisomens, com a atmosfera sombria que só uma cidade pequena do interior criada por ele possui, o cenário ideal para os tipos de acontecimentos que de desenvolvem durante o enredo. Um destaque especial para Marty, um garotinho de 11 anos, única vítima que acaba sobrevivendo a um ataque para contar a história. É muito legal ser confrontada pelas limitações de Marty, mas mesmo assim, enxergar no personagem a única resposta de todo o mistério.

A pequena novela de Stephen King acumula um pouco mais de 100 páginas, mas o que destaca a narrativa de King é sua capacidade de prender o leitor com suas descrições, com seus personagens e o mistério que engloba tudo. Há muitos detalhes quando o lobisomem está em ação, reforçados é claro pelas ilustrações assinadas por Bernie Wrightson que também trabalhou ao lado de King em Creepshow, além de ser o co-criador de O Monstro do Pântano entre outros trabalhos no mundos dos quadrinhos e ilustrações de terror.

Para esta edição da Suma, quatro ilustradores brasileiros foram convidados para representarem sua cena favorita da história. As artes podem ser encontradas ao final do livro, cada uma ao seu estilo e representada pela ótica diversificada dos personagens. Os ilustradores são: Giovanna Cianelli, Rafael Albuquerque, Rebeca Prado e Lucas Pelegrineti.

Segue a recomendação para leitura, uma ótima porta de entrada para o autor e uma história que consegue, em sua totalidade, estimular a imaginação do leitor, nos fazendo pensar nas coisas mais assustadoras possíveis mesmo dentro de uma história aparentemente batida por nós, que simplesmente nos apresenta um terror sem rodeios, objetivo e convincente. Um clássico.

  • The Cycle of the Werewolf
  • Autor: Stephen King
  • Tradução: Regiane Winarski
  • Ano: 2017
  • Editora: Suma
  • Páginas: 152
  • Amazon

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