A Livraria | Penelope Fitzgerald

Título Original: The Bookshop
Autora: Penelope Fitzgerald
Tradução: Sonia Coutinho
Ano: 2018
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 160
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Florence Green é uma viúva de meia idade, que vive no interior da Inglaterra, na pequena cidade de Hardborough. Munida de muita determinação e coragem, Florence decide arrumar uma ocupação para sua vida e se arriscar em um negócio próprio, uma livraria. Com muito sufoco, um empréstimo no banco lhe é concedido e ela compra uma velha casa na cidade.

Apesar da umidade e dos eventos sobrenaturais que ameaçam a Old House, Florence transforma a casa num lar e vê sua livraria criar vida. Entretanto, o que parecia ser um grande negócio, se mostra um desafio, frente a resistência dos moradores. Em especial, a Sra. Gamart, uma socialite filantropa, tenta convencê-la a todo custo, a fechar a livraria, com a desculpa de que planeja para o local um centro de artes.

A Livraria possuindo uma narrativa bem simples e direta, como mencionado por David Nicholls, durante a apresentação do livro, vai debater questões como dinheiro e status social. Entretanto, vai além disso, sendo considerado um grande romance político, em que temos, de um lado, Florence Green defendendo algo mais liberal, e de outro, Sra. Gamart e toda a elite, com um autoritarismo absoluto.

"Um bom livro é a preciosa força vital de um espírito superior, embalsamado e entesourado para que alcance vida além da vida; como tal, deve indubitavelmente ser considerado um produto necessário."



A narrativa, portanto, vai se dar nessa disputa, em que vamos ver, Florence com a ajuda de algumas pessoas, tentando manter a livraria aberta, ao mesmo tempo em que a Sra. Gamart irá fazer o impossível para vê-la fechada. O que não é, infelizmente, nada chocante, é o fato de que justamente as pessoas mais "instruídas" e mais "cultas" da cidade, são aquelas que estão tentando ver a livraria fechada.

Há, é claro, o que parece ser um evidente medo de que a população tenha acesso aos livros e a cultura. Presenciamos a todo instante, uma defesa feroz, mas extremamente sutil em suas passagens, de que a cultura deve se limitar a classe socialmente mais elevada, a socialite. Inclusive, os próprios habitantes da cidade, se diminuem nesses termos. 

Outro ponto chave, levantado por Penelope Fitzgerald, autora do livro, é a questão da meritocracia. Como mencionado no livro, sucesso não é uma questão de inteligência ou força de vontade. Infelizmente, vencer na vida ou poder correr atrás de algo melhor, no ano de 1978, quando foi escrito o livro, e ainda hoje, são questões que estão inteiramente ligadas a dinheiro, status social e as oportunidades.

"É um bom livro; portanto, a senhora deve tentar vendê-lo aos habitantes de Hardborough. Não o entenderão, mas é preferível assim. Entender torna a mente preguiçosa."



Apesar do final triste, que devo confessar, cortou meu coração, durante a narrativa vamos ter o desenrolar da amizade entre Florence e Christine Gipping, sua ajudante. E essa amizade, além de se mostrar algo lindo e verdadeiro, também irá proporcionar a ambas as personagens, um amadurecimento mútuo. Enquanto Florence se torna uma pessoa mais animada, Christine se sensibiliza. 

A autora possui, ainda, um humor social mordaz em sua narrativa, o que torna o livro ainda mais interessante. Sem mencionar que, em meio a essa cidadezinha estranha, que é Hardborough, coisas estranhas e muito engraçadas também acontecem. São eventos tão fantasiosos e inimagináveis, que torna a narrativa mais divertida.

O romance político de Fitzgerald é uma leitura agradável e super curtinha, sendo possível ser feita em um dia. Mas, a história possui um caráter político muito importante, que, portanto, deve ser levado em consideração e debatido. Não se trata apenas de uma história comum, com personagens comuns.

Para quem se interessar, A Livraria já foi adaptado para o cinema e teve seu lançamento aqui no Brasil, em março deste ano. Penelope Fitzgerald, escritora do livro, foi uma romancista, poeta, ensaísta e biógrafa da Inglaterra do século XX. Ela foi premiada com o Booker Prize em 1978 com o romance A Livraria. A autora possui outras obras como At Freddie’s, The Golden Child e The Blue Flower, todavia, apenas A Livraria e A Flor Azul foram traduzidos para o português.

17 comentários

  1. Izabela!
    Confesso que esperava que fosse um livro mais voltado para o universo do livro mesmo, tivesse mais algo haver com leitura, mas pelo jeito, fala mais sobre o comportamento das pessoas.
    E que difícil a leitura, hein?
    Desejo um mês abençoado e uma semaninha de luz e paz!
    “A gratidão é o único tesouro dos humildes.” (William Shakespeare)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA OUTUBRO - 5 GANHADORES –
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  2. Quando este livro foi lançado, adorei a premissa dele. E a medida que as resenhas e as críticas do filme foram saindo, essa paixão só aumentou.
    Sei lá, acredito que tudo que envolva nosso amorzinho(livros) é algo que nos remete a desejar ler ou ver.
    Ainda não puder fazer nem um e nem outro, mas farei em breve. O livro está ali na fila e o filme, só aguardando o tempo.
    Adorei saber do bom humor usado pela autora e da amizade entre as "meninas".
    Beijo

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  3. Fiquei curiosa com esse final e também com receio rs. A leitura chama a atenção por ser tratar de uma biblioteca que é a paixão do leitor, mas confesso que esperava outra coisa e menos politica, mas a leitura deve ser bem reflexiva sobre o poder de quem tem mais status. Deveriam querer que todas as pessoas lessem e tivessem mais acesso a informação, do que o contrario.

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  4. Oi Izabela,
    A história pode não ter grandes acontecimentos, mas aborda questões muito importantes. Florence tem que enfrentar muito preconceito e, eu diria, ignorância para conseguir ter seu negócio, o que só demonstra o quão forte e determinada ela é e, talvez, outra pessoa em seu lugar fosse ceder aos olhares tortos ou resistência a ideia. Queria poder dizer que não entendo o motivo de tanta descriminação com os livros, mas é algo que fica bem explicito na trama que são as questões sociais e políticas. É muito fácil alguém que tenha poder e conhecimento diminuir quem não o tem e para uma população (na década de 70) sem incentivo é mais fácil ainda ceder ao que lhes é ditado pela alta sociedade. Já tinha ouvido falar desse livro por causa da adaptação, mas ainda não tive a oportunidade de conferir ao filme e nem de realizar a leitura do livro.

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  5. Adorei a temática do livro, me deu muita vontade de abrir minha própria livraria,deve ser ótimo trabalhar em meio aos livros que tanto amamos. Uma pena que na historia existam pessoas querendo fechar a livraria, pois o conhecimento deve estar disponível para todos, não importa o nivel social. Fiquei curiosa para conhecer a história, quando puder vou ler e ver o filme!

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  6. Essa capa me interessou desde que vi a primeira vez, achei simples mas que poderia guardar algo maior e vendo teus comentários nota-se que é bem isso. A princípio pareceu ser uma história super simples mas que sem pretensão pode ser marcante. E nao so pelo lado politico debatido, mas pela luta dessa mulher em ocupar um espaço, fazer sua história
    Eu gostei muito da resenha, só não entendi pq da nota 3/5 que tu deu.

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  7. Olá, é interessante como a autora, em um número limitado de páginas, consegue cativar o leitor com uma trama recheada de ensinamentos valiosos. Além de expor as peculiaridades racionadas à administração de uma livraria, também é notório que a autora quis chamar atenção para o fato de a cultura, à época e ainda hoje, não ser acessível para todos. Beijos.

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  8. Oi
    Menina, achei esse livro tão deprimente! Contudo gostei da crítica explorada pela autora da comunidade "mais culta" querendo fechar a livraria! Eu tive dificuldade em gostar do livro e do modo mais lento com que as coisas acontecem! O final me deixou com acara de taxo, pois eu via, na minha cabeça, a história indo para uma direção, mas, infelizmente, foi para outra!
    Bjus

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  9. Olá Izabela,
    Sem dúvidas esse livro é uma bela surpresa, confesso que ao me deparar com a capa, imaginei que não fosse gostar.
    É interessante como um tema tratado a tempos atrás, ainda reflete perfeitamente nos dias de hoje. É fácil imaginar a cena, no contexto atual, de uma briga entre "livraria e centro de artes", e, mesmo ainda não leno a história, percebo que foi bem trabalhado.
    Não conhecia nem mesmo a adaptação, mas sem dúvidas vou procurar.
    Beijos

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  10. Gostei da resenha desse livro, a personagem parece ser bem objetiva no que quer. So não gostei de saber do final triste, mas tenho a curiosidade de ler e saber o que acontece.

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  11. Bem que eu conhecia essa capa de algum lugar... De um filme mesmo.
    Apesar de não ter lido o livro e nem assistido ao filme confesso que curti muito sobre o que se trata.
    Creio que seja um livro que traz risadas assim como tbm um certo incomodo por causa do comportamento das pessoas.
    Me despertou mt interesse na leitura!
    Coloquei na lista! :)

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  12. Gostei da resenha, parece ser daqueles livros de leitura leve, mas com muitas camadas construídas que nos levam a boas reflexões. Procurarei a adaptação para o cinema, deve ser interessante também. Ah, pela resenha fiquei surpresa de ter dado só 3 estrelas rs.

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  13. Oi, Izabela
    Ainda não li o livro e nem assisti ao filme.
    Gostei muito da premissa do livro é tão bom quando um enredo trás como tema o nosso amor pelos livros.
    Estou muito curiosa para conhecer essa estória.
    Beijos

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  14. Nossa, um livro de 78 e só agora foi trazido pro Brasil? É tanto livro bom que não temos oportunidade de ler, pois muitas vezes não são publicados aqui! Não conhecia nem o livro e nem o filme e fiquei bem curiosa! Ainda mais por ser um livro que dá pra ler em um dia! Isso muito nos interessa! hahaha

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  15. Desde que vi esse livro a primeira vez fiquei encantada e o coloquei em minha lista. Achei incrível a força de Florence em fazer algo extremamente novo em uma cidade que nunca viu tal coisa, a força dela em enfrentar olhares tortos e não desistir do que desejava. Achei muito bacana a importância política e histórica que o livro trás, e confesso que quero muito ver a adaptação. Obrigada pela resenha!

    Bjoxx ♥

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  16. Oi, Izabel!!
    Conheci esse livro através da adaptado para o cinema dessa história, quando assisti o trailer fiquei bem empolgada para assisti o filme mas depois li algumas criticas e acabei nem assistindo o filme e nem lendo o livro, mas ainda quero muito fazer essa leitura!!
    Bjos

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  17. Quando existe uma adaptação cinematográfica de algum livro eu prefiro ler o livro primeiro antes de ver o filme, mania minha ..rsrs Mas como nem tenho o livro e o filme fica mais fácil para ver nesse caso vou ver o filme primeiro.

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