Beth Evans é a autora dessa obra, mas também é a protagonista de sua própria história, que começou muito antes que ela mesma se desse conta. Os sentimentos que nos acompanham na vida adulta, sempre estiveram à espreita em nossa juventude, e os medos se tornam monstros reais quando finalmente saímos do ensino médio e dizemos “olá responsabilidades”. Lidar com isso já seria desafiador o bastante, mas se você, assim como muitas outras pessoas, é refém da ansiedade, viver pode ser uma verdadeira guerra. Com bom humor e irreverência, Beth conta como foi para ela, aceitar que cada um vive no seu próprio ritmo, e que está tudo bem não ser bom em tudo sempre.

Depois de 27 anos, entre altos e baixos na vida, eu finalmente posso dizer que comecei meu processo de amadurecimento, e eu estaria mentindo se dissesse que os livros que li ao longo dessa jornada, não colocaram tijolinhos muito necessários nesse novo “eu”. Mas alguns textos, vem pra mexer com você, com sua crença no certo e no errado, e pra mostrar que sua realidade não é o mundo inteiro. Apesar de ter uma linguagem simples, e abordar com graça e suavidade temas cotidianos, Diário de uma ansiosa é um dos livros mais interessantes que li nos últimos tempos.

Também tenho várias histórias vergonhosas, porque passar vergonha parece ser uma das poucas coisas em que sou ótima. E tenho algo a dizer sobre depressão, ansiedade e ser um adulto perante a lei, mas definitivamente não se sentir como um. Enfim, o que estou tentando dizer é que você está ok. E ás vezes estar ok é bom o suficiente.

Com ares de autoajuda, o livro começa falando sobre a competitividade da vida adulta, que se inicia já na escola, quando seus colegas mais inteligentes acabam conseguindo oportunidades melhores. Ou sobre aqueles famosos bullyies que são uns filhos da mãe, mas que acabam sendo alguém na vida apesar da ironia e injustiça que isso representa. Beth aborda suas dificuldades na escola, e relata como sua timidez fez dela um alvo fácil para os mal intencionados, e em como essas humilhações diárias afetaram sua vida adulta de forma irreversível. Após ser diagnosticada com ansiedade, e alguns outros transtornos, sua rotina foi preenchida por visitas a consultórios e receitas médicas intermináveis. E entre dias bons e outros melhores, nossa protagonista encontrou sua própria maneira de encarar a vida. Por meio de desenhos dinâmicos e engraçados ela reconstrói sua evolução, até se tornar alguém mais saudável e feliz.

A mensagem mais forte desse livro, sem sombra de dúvida, é a máxima “está tudo bem”. E que alívio aceitar que você não está nesse mundo para ser melhor que alguém, nem para se encaixa em algum padrão doentio, nem para viver os  sonhos alheios ou superar as expectativas irreais impostas por aqueles que se dizem seus amigos. A maturidade está em reconhecer que você é o dono da sua própria vida, e aceitar quem você é e o que se tornou sem cobranças tóxicas e exageradas que fazem mais mal do que bem.

Ler esse livro me fez um bem indescritível. Com quase 30 anos, não estou nem perto daquilo que um dia sonhei pra mim. A amargura de reconhecer que as escolhas erradas que fiz me deixaram para trás na corrida rumo ao final feliz desse jogo da vida real, sempre foram um peso enorme que eu já estava cansada de carregar. Os dados não foram muito gentis, e parece que eu fiquei algumas rodadas na prisão… e pera aí? Mas o que eu estava fazendo quando aquela minha colega de escola comprou seu primeiro carro e fez uma viagem internacional e casou, tudo isso no mesmo ano? Bom, o problema não está no que ela conquistou, ela é uma rainha maravilhosa e merece tudo isso, mas está naqueles dedos que secretamente aponto para mim mesma… “que merda eu tô fazendo com a minha vida?”

Existe uma área especifica do inferno chamada LinkedIn. A única e terrível razão para participar desse site é fazer você procurar pessoas com quem estudou no colégio para se comparar freneticamente a elas. Ver todos os lugares chiques onde seus colegas estão trabalhando, e quem são seus contatos interessantes, serve para nos lembrar do quão pouco nós conquistamos. O LinkedIn provavelmente ganha milhões com a tristeza alheia.

Ler esse livro foi como encontrar uma alma gêmea disposta a pular no rio da comiseração, para em seguida sair de lá e se comprometer a nunca mais voltar. Cada um tem seu próprio tempo, seu próprio destino, seu próprio ritmo. Você nunca estará atrasado se focar apenas em si mesmo. E se um dia olhar pro espelho e odiar a pessoa que está lá, tudo bem, aceite que esse é um dia ruim. Mas esteja disposto a se amar mais no dia seguinte. Não existe regra geral para ser feliz, o que te traz alegria é único e só você conhece.

E se for malhar todos os dias e postar fotos incríveis no instagram, que ótimo. Mas se for ficar abraçado à uma panela de brigadeiro em frente à Netflix, está ótimo também. Se você ainda não entrou na faculdade que queria, ou foi promovido ao cargo que sempre sonhou, talvez simplesmente não tenha chegado seu tempo. Respire fundo, fique triste apenas por um momento, mas lembre-se de ficar bem logo em seguida. Uma vida feliz é o acúmulo de bons dias, boas memórias, bons amigos e boa comida. Se dê o crédito quando vencer uma batalha, mesmo que ela seja resumida em levantar da cama naquele dia que parecia impossível.  Aceite seus limites, reconheça suas qualidades. Você é maravilhoso! E por favor, leia esse livro. Ele é o remédio que você pode tomar sem prescrição médica. Tenho certeza que seu dia se tornará um pouco mais brilhante depois de dar umas boas gargalhadas.


Título Original: I really didn’t think this through
Autor: Beth Evans
Tradução: Giu Alonso
Ano: 2018
Editora: Galera Record
Páginas: 192
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