Minha primeira resenha aqui no Estante Diagonal foi, nada mais nada menos, do que a resenha de um filme de terror maravilhoso conhecido por Martyrs. Em 2014, quando decidi apostar nesse filme, poderia estar cavando minha própria cova, arriscando minha presença por aqui, mas a aposta deu certo, meu amor pelo gênero foi recompensado e ninguém se importou que a novata decidiu começar por um filme tenso, complexo e belo em toda a sua tortura e sangue. Isso mostra muito de quem já escreveu tantas resenhas e pretende escrever muitas mais, e mostra também que, após anos e anos assistindo filmes e filmes de terror, acabei ficando um pouco exigente!
As opções para os amantes do terror são escassas, todo ano vários filmes do gênero são lançados, mas são poucos aqueles que realmente conseguem nos fazer sentir uma pontinha de medo, nos fazem levar um susto que seja, nos fazem ficar apreensivos por algo que não sabemos realmente explicar. Porém, em 2013 uma luz se apagou, um raio riscou o céu e marcou a chegada daquele que mostraria que o terror não morreu, aquele que traria esperanças para nossos corações e arrepios para nossas espinhas, estamos falando de Invocação do Mal.

Invocação do Mal irá nos inserir em um dos diversos casos do famoso casal de investigadores paranormais Ed (Patrick Wilson) e Lorraine (Vera Farmiga) Warren. Desta forma, teremos sim outro filme baseado em fato reais, porém, aqui encontramos um exemplo acertado de como apresentar uma história real na tela do cinema e ainda deixar o espectador apreensivo do começo ao fim.
No ano de 1971 uma família se muda para uma casa de fazenda localizada em Rhode Island, no início tudo ia bem, até o momento em que eventos estranhos começam a assustar as crianças do casal, deixando a mãe preocupada. Em pouco tempo os eventos se transformam em ações agressivas, assustadoras e perigosas para todos os membros da família. Uma força desconhecida cercava a casa, e transformava a vida de todos os membros em uma enorme bolha cinza de medo e apreensão pelo que poderia vir a seguir caso uma atitude não fosse tomada. É quando as coisas na casa parecem não apresentar qualquer esperança que a família recorre a ajuda do casal Warren.

O filme acerta ao se utilizar de informações reais, acerta ao recorrer a estratégias clássicas dos filmes de terror, mas ouso dizer que sua jogada de mestre está no fato de que Invocação do Mal reconhece o momento ao qual estava inserido, sem nunca ter medo de olhar para trás, coisa que muitos de seus irmãos realizam a todo momento.

Aqui encontramos novas tentativas de assustar, novas estratégias capazes de prender o espectador, mas também percebemos estratégias clássicas sendo utilizadas de uma nova forma. E esse é um  os melhores aspectos do filme, observamos que muitas das estratégias clássicas dos filmes de terror foram utilizadas com uma nova roupagem, através de um novo olhar, sem medo de buscar criar algo novo a partir do que já está estabelecido no gênero.

Percebemos que o filme não possuí medo de si mesmo, ele abraça o que é, e consegue inovar estratégias antigas batidas, além de unir de maneira brilhante todo o avanço em computação gráfica a velha e boa maquiagem. Além disso, não precisamos de cenas totalmente escuras e sombrias para criar apreensão em quem assiste, durante vários momentos o filme é claro, e mesmo assim não perde sua aura, muito pelo contrário, nos mostra que mesmo na luz do dia o mal está presente, mesmo com as luzes acessas os espíritos nos cercam.

Para elevar o nível, temos atuações convincentes e primorosas que não poderiam ser melhor desenvolvidas. Mas dentre todos os atores, dentre todo o elenco, destaco a atuação da minha favorita, Vera Farmiga. Vera nunca me deixou na mão, principalmente quando me lembro de todas as suas atuações em filmes de terror, talvez seja por esse mesmo motivo que sua sobrinha, Taissa Farmiga, se deu tão bem no gênero, apesar do que alguns comentários insistem em afirmar. Vera incorporou Lorraine Warren de uma forma que fez com que seu papel fosse garantido para um próximo filme. A atriz trouxe vida a um momento inexplicável na vida de Lorraine, e foi capaz de se transformar na personagem fazendo com que cada olhar, cada expressão, cada sentimento, cada fala proferida nos inseri-se cada vez mais fundo nesse mundo onde aquilo que só existia nos filmes e livros, pode começar a virar realidade.

Invocação do Mal pode não chegar ao ponto de assustar os espectadores experientes, mas com toda a certeza deixará os desavisados de cabelo em pé. O filme é capaz de prender, de deixar qualquer um apreensivo, esperando pelo que vem a seguir e, ao mesmo tempo, com dúvidas se realmente que descobrir os rumos dessa história. Ele nos mostra que ainda é possível produzir bons  filmes de terror, prova que com boas ideias, um olhar para o passado e comprometimento é possível gerar algo que todos aguardávamos a muito tempo, porém demorou tanto a chegar.Por ser baseado em fatos reais muitos poderiam esperar outro pseudo-documentário, ou mais um filme em primeira pessoa, porém o que encontramos aqui é um filme como deve ser, uma narrativa intrigante, capaz de prender o espectador e mantê-lo sem piscar até o momento em que o filme termine. Com todo o caminho trilhado até aqui, só nos resta saber se sua tão aguardada sequencia será capaz de manter o ritmo e isso descobriremos amanhã na especial do blog 😉 Não perca!

  • The Conjuring
  • Lançamento: 2013
  • Criado por: Chad Hayes
  • Com: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Lili Taylor
  • Gênero: Terror, Thriller
  • Direção: James Wan

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