Em janeiro do ano de 2015 uma Izabel totalmente fascinada sentou em frente ao computador com apenas um propósito: escrever uma resenha digna de um dos melhores livros que havia lido em muito tempo. O livro, lançado pela primeira vez em 1996, se transformou em fenômeno cult, ganhou filme protagonizado por Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter e colocou Chuck Palahniuk no hall de autores preferidos dessa cabecinha confusa e perdida.Mal sabia, enquanto escrevia aquelas palavras, que uma continuação começava a despontar no horizonte. Continuação essa que esperei ansiosa, li em apenas um dia e não trouxe qualquer sentimento à tona.

Clube da Luta (resenha), termina de forma genial, brutal, maravilhosa. Com um final aberto – confesso aqui meu fascínio por finais abertos – as possibilidades pairavam no ar como pequenas partículas de poeira, destacadas pela luz do sol que insiste em entrar por sua janela. O caminho escolhido por Chuck Palahniuk, porém, beira o inesperado, sendo ao mesmo tempo, totalmente previsível quando o leitor conhece um pouco da trajetória e mente do autor. Através do formato HQ, iremos revisitar personagens queridos e únicos, reencontrar algumas das melhores críticas que o autor já fez a nossa sociedade, nos preocupar com os rumos escolhidos, mas acima de tudo, perceber que Tyler Durden vive! E não, isso não é spoiler.
Passei muito tempo lutando contra essa resenha, esmurrando seu rosto angelical, machucando os nós de meus dedos nas palavras ordenadas aleatoriamente dentro de uma história que não chega aos pés daquela que lhe deu origem. Em meio a revolta que surge, percebo meu maior erro! A primeira regra do clube da luta é que você não fala sobre o clube da luta! Claro! Estava diante de mim o tempo todo!
Não falando sobre o clube da luta recebo a liberdade que muitos não teriam, não ousariam buscar. Não falando sobre o clube da luta, retiro meu foco da história aqui presente e sigo para caminhos não antes explorados, escondidos dos olhos que buscam apenas a continuação de uma grande narrativa.

Confira a resenha de O Clube da Luta

Assim, vou além da história da HQ, história esta que está mais para uma pequena visão do futuro chato e decepcionante dos personagens, uma grande conspiração mundial pobremente explorada e explicada, uma brincadeira com nossas caras e sacada do autor. Clube da Luta 2 não surpreende, não emociona, mas brinca com o fato de que, após o estabelecimento de uma grande história, as possibilidades são infinitas, e é dentro desse mundo de possibilidades que o autor pode se perder ou criar algo brilhante novamente. Mais do que continuação, revisitamos uma destas possibilidades e, mais do que revisitar uma destas possibilidades, brincamos com o fato de que a sombra do que foi, as expectativas dos fãs e a mente de quem escreve pode, no fim, fazer o que bem entender.
Vejo a HQ como uma grande ironia do autor, uma piada interna, um presente para aqueles que se apaixonaram pelo narrador, gostaram da personalidade de Marla e admiram a ousadia de Tyler Durden. Ainda encontramos as boas e velhas críticas sociais, as ironias sobre os costumes absurdos, a falta de perspectiva e reflexão de grande parte da população, as risadas fáceis e a violência à qual estamos acostumados, porém, tudo aqui é rápido demais, frenético demais, mastigado demais, caótico demais e mesmo acostumados pela sociedade, ainda nos debatemos quando tentam nos passar para trás ou nos fazer de bobos.
Clube da Luta 2 é um presente para os fãs, para os leitores que descobriram a obra original em 1996 ou apenas em 2016, mas se apaixonaram de qualquer maneira. É uma HQ tão adorável quanto um soco na cara, tão irônica quanto a própria sociedade, bem-humorada e violenta, uma obra com a cara de seu autor, Chuck Palahniuk. Acredito que a experiência com a obra irá depender de cada leitor, da forma como cada um compreenderá a arte do livro, das reflexões que decidir levar consigo após o término da leitura. Não vá com sede ao copo, não fale sobre o clube da luta, mas saiba que, quando encarada da forma correta, uma decepção pode se transformar em algo mais. Sei que essa resenha não foi convencional, mas a história também não é. Assim, termino com a frase que todos queriam ouvir: Tyler Durden Vive!

  • Fight Club 2
  • Autor: Chuck Palahniuk
  • Tradução: Érico Assis
  • Ano: 2016
  • Editora: Leya
  • Páginas: 280
  • Amazon

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