Algum fã de John Green por aqui? Já alerto que não é para falar de mais um livro do autor, mas se você gostou de A Culpa é das Estrelas, nesse final de semana estreia nos cinemas, A Cinco Passos de Você! Uma história linda – e ao mesmo tempo de partir o coração – sobre dois adolescentes, que por causa de suas condições de saúde, não podem se tocar. Calma que a história é bem mais profunda e prepare os lencinhos.

Vale destacar, antes de eu entrar na história, que a Globo Alt lançou simultaneamente o livro que é uma adaptação do filme. Digo que é uma adaptação, pois ele não está estruturado em forma de um roteiro tradicional, mas sim na forma usual de um romance. Eu ainda não tive oportunidade de ler o livro, mas em conversa com outras pessoas que estavam na cabine de imprensa, descobri que o filme e o livro são muito parecidos. O plus no livro está no fato de que temos a narrativa alternada entre os personagens e possui um posfácio de 8 meses depois, que não foram mostrados no filme. Outro ponto que gostaria de tentar esclarecer é o fato de o livro ter sido escrito a três mãos. Pelo que entendi, o manuscrito é de Rachel Lippincott (e esse se tornou o seu romance de estreia), Mikki Daughtry e Tobias Iaconis, que também assinam o livro, parecem ter contribuindo com suas experiências como roteiristas.

A Cinco Passos de Você conta a história de Stella Grant (interpretada por Haley Lu Richardson), uma jovem que passou sua vida inteira entrando e saindo do hospital por conta da fibrose cística. Caso você não saiba, essa é uma doença crônica e genética que afeta os pulmões, impedindo que eles funcionem corretamente e torna o portador dessas doença altamente vulnerável a infecções.

Toda a proximidade de Stella com a rotina hospitalar e as privações que vieram com o agravo da doença, a fizeram uma pessoa muito metódica e controladora, mas ao mesmo tempo interessada e esperançosa, achando motivação para desenvolver um aplicativo de monitoramento de medicações e compartilhar no seu canal do YouTube sua rotina e informações sobre a sua doença. É impossível não se sentir inspirado pela energia que ela emana diante de circunstâncias tão difíceis. Achei incrível a atuação de Haley ao interpretar a Stella, uma personagem tão complexa que tenta mascarar seus sentimentos através de sua obsessão pelo controle do que está a sua volta.

A vida de Stella, regrada e focada no tratamento, começa a mudar quando ela conhece Will Newman (interpretado por Cole Sprouse, da série Riverdale), um bad boy que ajuda a dar o toque clichê para história – não que isso seja um problema para mim. Confesso que se meu “eu” adolescente tivesse vendo esse filme, ficaria mega apaixonadinha pelas piadinhas e o jeito rebelde de Will. Hoje também tenho uma consciência mais crítica quanto a personagens assim, pois eles podem ser bastante problemáticos, ainda mais quando vão para um caminho onde a garota é responsável pela transformação do menino. Enfim! A questão é que, assim como Stella, ele está no hospital por causa da fibrose cística.

Pessoas que são portadoras dessa doença, pelo que é passado através do filme, precisam manter uma distância de alguns passos de outras pessoas que estejam doentes. A situação com Will é ainda pior, porque ele contraiu um tipo de infecção que agrava a sua condição ao ponto de inviabilizar o seu acesso a um transplante de pulmão. E, consequentemente, o contato dele com Stella é extremamente não recomendado, já que Stella pode contrair a bactéria. O que começa com um conflito de visões de vida e de como lidar com suas condições, logo passa para um flerte inocente entre adolescentes e acaba evoluindo para uma grande paixão que precisa lidar com regras e restrições que podem custar suas vidas.

Foi bastante interessante ver a forma como o filme apresenta o ambiente hospitalar, as particularidades dessa doenças e os tratamentos. Eu não tenho conhecimento suficiente sobre a doença para dizer o quanto eles foram fieis a realidade, mas posso garantir que sai do cinema mais informada, além de sentir que minha capacidade de empatia ampliou ainda mais, ao ter contato com outras realidades, mesmo que representadas através de uma ficção.

O que me deixou bastante emocionada, para além das cenas e construções narrativas que foram feitas justamente com o objetivo de gerar comoção, foi como o filme trabalhou a individualidade dos personagens. Essa representação está não apenas na atuação dos atores – que sinceramente, me cativaram bastante -, mas principalmente na cenografia. O roteiro e a direção do filme parecem ter se preocupado bastante em construir cada personagem de forma a mostrar que eles são mais do que suas doenças, que eles tem uma identidade que vai para além do “paciente”. Então, fica aqui a minha dica para você prestar bastante atenção na forma como os personagens se empoderam do ambiente hospitalar, que tinha tudo para ser um lugar frio e impessoal, o transformando em seus lares e quartos com suas próprias personalidades.

Outra informação importante que dá um outro significado para A Cinco Passos de Você é que, apesar da história não ser baseada em fatos reais, a Stella foi inspirada em Claire Wineland. Ela foi uma Youtuber com fibrose cística que compartilhava sua vida e tratamento na rede social, mas que infelizmente faleceu a cerca de dois anos, tendo o filme e o livro dedicados a ela e a todos os portadores da doença. Uma curiosidade bastante semelhante com o que ocorreu com Esther Grace Earl, amiga de John Green que escreveu A Culpa é das Estrelas inspirada nela.

Prepare-se para algumas cenas que parecem forçar um pouco a barra e uma certa romantização da condição de saúde das personagens, mas ainda assim (ou talvez, justamente por isso), o filme traz uma história totalmente envolvente que faz você questionar o que faria no lugar deles. Por fim, gostaria de agradecer a equipe da Globo Alt pelo convite e parabenizar pela sábia escolha de ter feito uma jacket com a capa do filme – e não é qualquer jacket, o material é de uma qualidade que nunca tinha visto antes! Essa me pareceu uma ótima alternativa para colocar um ponto final nessa briga eterna dos leitores sobre capa original e capa do filme.

  • Five Feet Apart
  • Lançamento: 2019
  • Com: Haley Lu Richardson, Cole Sprouse, Moises Arias
  • Gênero: Romance, Drama
  • Direção: Justin Baldoni

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15 Comentários

  • […] A Cinco Passos de Você […]

  • Nil Macedo
    01 abril, 2019

    Tive a felicidade de escolher esse filme para assistir na semana passada. Amei e me emocionei demais com a história toda do início ao fim. Mesmo controladora a Stella é uma graça. O melhor amigo Poe é sensacional, quem não quer um amigo desses? E o Will, mesmo rebelde, é um amorzinho. Clichê ou não é uma história emicionante e, realmente, precisamos de caixas de lenço para aguentar as 2 horas de filme.

  • Larissa Moraes
    31 março, 2019

    Apesar de querer muito ver o filme, confesso que já estou um pouco cansada de sick-lit, não sei se por conta do boom de histórias que giram em torno disso ou se por todas parecerem meio iguais entre elas… Não sei, mas não tem me atraído muito ultimamente. Bom, ótimo saber que a construção e a individualidade dos personagens foi bem feita e que suas vidas não se resumem às suas doenças, muito bom mesmo que tiveram esse cuidado. Não sei se lerei o livro, mas estou interessada no filme.

  • Luana Martins
    31 março, 2019

    Oi, Nina
    Ainda não consegui assistir ao filme, na minha cidade não tem cinema e fica complicado ir na cidade próxima sem muita grana.
    Mas pelo trailer parece ser um filme envolvente que me faria rir e chorar ao mesmo tempo.
    Adorei saber que algumas editoras estão adotando a jacket, tenho um livro com jacket e é maravilhoso poder ver as duas opções de capa em mãos. Quero muito poder ler o livro que apesar de ter romance é baseado em informações reais sobre a doença e a condição em que os portadores vivem.
    Beijos

  • Maria Alves
    28 março, 2019

    Fiquei impressionada com o que li e horrorizada com esse absurdo, imagina lendo o livro, deve abalar as estruturas, deve ser uma demora para se recuperar e ler outro livro, leituras assim mexem muito com a nossa mente, ainda mais se tratando de crianças. Como algo assim poderia ser uma cultura. São lindos os livros da TAG bem que queria poder assinar rs.

  • Karina Rocha
    26 março, 2019

    Tinha lido a sinopse do filme e achei bem bacana, embora tenha muita semelhança com o a culpa é das entrelas, me parece uma boa trama, pois podemos ver como a doença se comporta e como as pessoas que as tem lidam com ela!!

  • Karina Rocha
    26 março, 2019

    Tinha lido a sinopse do filme e achei bem bacana, embora tenha muita semelhança com o a culpa é das entrelas, me parece uma boa trama, pois podemos ver como a doença se comporta e como as pessoas que as tem lidam com ela!!

  • Lara Caroline
    25 março, 2019

    Oi Nina.
    Eu não costumo assistir a filmes do gênero, porque eu sei que vou ficar triste hahaha mas achei a proposta bem parecida com Tudo e Todas as Coisas. Talvez eu assista um dia quando estiver procurando algo mais triste.
    Beijos

  • ELIZETE SILVA
    24 março, 2019

    Olá! Como não amar um bom e velho clichê, não sei, ainda, se verei esse filme no cinema, mas com certeza gostaria muito de conferir essa história emocionante (meu estoque de lencinhos está sempre preparado!), e pretendo também ler o livro.

  • rudynalvacorreiasoares
    24 março, 2019

    Nina!
    Gosto de filme que falam sobre doenças graves e aqui tive a impressão que a doença é bem explicada através da participação da protagonista, bem como as formas de tratamento, etc…
    E ainda ttem o romance adolescente e irreverente, né?
    Não tem como não querer assistir.
    cheirinhos
    Rudy

  • aryela_souza
    22 março, 2019

    Quero muito ver o filme, pq gostei bastante de A culpa é das estrelas, e estão comparando bastante, e aparentemente gosto de sofrer, então kkk

  • Geórgia Moreira
    21 março, 2019

    Olha que eu geralmente não sou muito fã dessas coisas que me levam ao choro, mas o seu texto me deu vontade de dar uma conferida!

    Bjs

    • Nina Novaes
      21 março, 2019

      O filme tem alguns momentos de alívio cômico, então, te garanto que além das lágrimas, você também dará algumas risadas <3

  • Angela Gabriel
    21 março, 2019

    Ah meu Deus! Estou doidinha para ver este filme,mas ele ainda não chegou no cineminha aqui de Lost! Sou uma romântica boba..rs daquelas que vê romance e poesia em tudo. E sei lá, gosto deste tipo de amor sofrido, choroso.
    Ainda não pude ler o livro também, mas confesso que estou doida para fazer isso o quanto antes. A gente sabe bem das diferenças entre livro e filme,mas é sempre bom as duas versões!
    A trilha sonora é boa??
    Verei o quanto antes!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel(O Vazio na Flor)

    • Nina Novaes
      21 março, 2019

      Oi, Angela!! Confesso que a trilha sonora não foi algo que me marcou de verdade, talvez seja porque fiquei chorando o filme inteiro hahaha Mas vou ouvir a playlist no spotify para prestar mais atenção 🙂