E se você acordasse em um lugar diferente daquele que estava? Se cada vez mais sofresse apagões e perdesse horas do seu dia? Já imaginou poder estar em qualquer lugar ao longo do espaço-tempo? E se você pudesse estudar em uma escola que te prepara para ser um profissional em viagens do tempo e manipulador do espaço?

Com uma mistura bem equilibrada de suspense, romance juvenil, distopia e uma boa dose de segredos revelados, Melissa E. Hurst fisgará sua atenção quando menos esperar, brincando com as regras da realidade e viagem no tempo ao mesmo tempo que presenteia o leitor com uma leve e emocionante história que só o deixará mais curioso por seu desfecho após cada capítulo lido. Seja novato nesse vasto campo ou fã de longa data, esse eletrizante thriller sci-fi jovem adulto irá deixá-lo frenético por mais e, acredite, o fará sentir cada pequena emoção e momento decisivo como se estivesse acontecendo com você. Prepare-se para embarcar em um dos temas mais interessantes e recorrentes da ficção cientifica!

Viagem no tempo sempre foi um tema que me fez focar os olhos e apurar os ouvidos. Não à toa Science Fiction é o meu gênero literário predileto e embora muitas vezes os escritores tenham ótimas ideias, nem sempre alcançam, com louvor, as curvas e níveis necessários para transformar sua história numa obra primorosa. Devo dizer que, como leitora, acho bastante válido as investidas feitas por escritores, escritoras e editoras com esse estilo que é explorado tão intensamente em todos os meios possíveis de diversão e aprendizado. Sendo assim, apesar de já possuir alguma expectativa quanto à esta leitura, À Beira da Eternidade me surpreendeu e agradou bastante, apesar de alguns detalhes que foram utilizados de forma óbvia com o intuito de melhor atrair seu público alvo: o jovem adulto. Os capítulos se intercalam entre duas vozes que constroem a narrativa e entre dois distintos séculos.

Inicialmente, temos o jovem cadete Bridger no futuro distante de 2146, na Academia de Viagens no Tempo e Pesquisa, se recuperando de uma perda que o assola há um mês enquanto se prepara, juntamente com sua turma, para um salto temporal ao passado com o intuito de documentar um atentado importante. Apesar de ser um capítulo introdutório, o leitor já passa a conhecer alguns pormenores do futuro e de como funcionará a trama tecida com esmero por Hurst. Ou ao menos isso é o que pensamos inicialmente. Após uma reviravolta digna de nota, nos vemos no ano de 2013 e somos apresentados a Alora onde o cheiro de lavanda parece regar as parcas memórias de sua infância. Conforme avançamos as páginas, descobrimos um pouco mais sobre a garota e, quase instantaneamente, nos vemos sedentos por extrair o véu que esconde seu passado.

O livro segue com os dois, em seus próprios tempos, buscando por respostas que cada vez ganham mais perguntas que parecem estar cada vez mais distantes de resolução. Basicamente, o leitor, assim como nossos jovens personagens, tem um suspense atemporal que, de um lado, impõe o compromisso de salvar alguém de ser assassinado, correndo o risco de quebrar diversas regras impostas por seu governo e, do outro, desvendar o mistério de um desaparecimento que ocorreu em determinado ano e a onda de acontecimentos que o sucederam.

Hurst sem dúvida fez o dever de casa ao pesquisar um pouco além do superficial a respeito de viagens no tempo e deslocamento de matéria. Devido aos assuntos serem tão complexos e extensos que cansariam rapidamente um leigo se fossem tratados fielmente, sem falar que fugiriam da premissa jovial do livro, a autora utiliza então da simplicidade e objetividade que torna o enredo mais leve e romantizado, funcionando perfeitamente bem o que deixa este sci-fi uma leitura envolvente do começo ao fim. Contudo, como toda história que envolve personagens jovens, logo vi alguns detalhes que me deixaram “irritada”. Eles se referiam à personalidade e atitude, ou falta dela, especialmente de Bridger mas que não prejudicaram em nada o meu envolvimento com a leitura – assim como tenho certeza que não irá prejudicar sua experiência.

De forma limpa e atrativa, as descrições dos ambientes, a física envolvida nos deslocamentos de espaço-tempo, os equipamentos utilizados tanto no passado quanto no futuro e, obviamente, os personagens principais e secundários, tornam esta narrativa uma das mais empolgantes e repleta de reviravoltas que li nestes últimos meses. Muito além de um mistério a ser desvendado, um romance a ser construído, ou uma corrida para salvar suas vidas, o leitor terá em mãos alguns questionamentos intrínsecos nas atitudes de Bridger e Alora – e daqueles que os rodeiam – que dificilmente passará despercebido. Os velhos e sempre constantes preconceitos entre ricos e não tão ricos se fizeram superficialmente presentes, assim como a implicância pelo ser diferente da grande maioria da sociedade e da exploração, manipulação e abuso daqueles mais indefesos.

Sou instantaneamente engolido pelo Vácuo. É como se estivesse em um quarto escuro como breu, envolto em silêncio. Aperto os olhos e prendo a respiração. Meu peito se comprime e os pulmões contraem. Quero desesperadamente respirar, mas não há ar. Quero tocar em algo – qualquer coisa -, mas não posso. Não dá para sentir nada quando se está transitando no tempo. É como se eu estivesse só. Como se fosse a única pessoa no universo.

Por ser o primeiro volume de uma série, espero que a autora ponha de lado alguns dos recursos óbvios que minaram levemente alguns dos acontecimentos que envolviam os personagens, assim como anseio por sua continuação visto que o final chegou tão rápido e cheio de reviravoltas que diversas perguntas ficaram sem resposta.

No mais, este é aquele tipo de livro que é devorado em questão de horas e que deixa o gosto muito bem conhecido do “quero mais”. Sem dúvida, se você gosta de ficção científica e distopias irá se surpreender com este livro e, caso não goste ou nunca tenha tido esse contato, eis aqui um enredo bastante envolvente que irá despertar sua curiosidade para esse campo vasto de possibilidades que cada vez mais nos aproximam do futuro onde com apenas um aparelho de pulso podemos sintonizar o ano e teleportar a nós mesmos para qualquer evento histórico possível.

  • The Edge of Forever
  • Autor: Melissa E. Hurst
  • Tradução: Glenda D'Oliveira
  • Ano: 2019
  • Editora: Galera Record
  • Páginas: 322
  • Amazon

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