Eragon | Christopher Paolini

05 mar, 2022 Por Clara Vieira

A publicação do novo livro de ficção científica de Christopher Paolini, “Dormir em um mar de estrelas”, neste ano de 2021, trouxe para a minha atenção uma saga de fantasia que até então havia passado longe do meu radar: a quadrilogia Ciclo A Herança, iniciada pelo volume intitulado “Eragon”. Sabia apenas que essa história tratava de uma fantasia épica envolvendo dragões, ou seja, apenas aquilo que a capa do livro me mostrava. Apesar disso, por ser muito fã do gênero fantasia, esse escasso conhecimento foi o suficiente para que me interessasse. Decidi que o ditado “antes tarde do que nunca” aplicava-se neste caso, e embarquei nessa leitura.

Logo descobri que Eragon conta a história de um jovem fazendeiro – chamado Eragon – que encontra uma pedra estranha, que se revela como um ovo de dragão. Este acontecimento inesperado envolve subitamente a vida de Eragon em uma trama intrincada de conflitos políticos envolvendo seres como elfos e anões, um rei perverso, rebeldes políticos, magia e feiticeiros, e muito mais. Acompanhamos Eragon em uma jornada na qual ele se torna peça central dos acontecimentos políticos, crescendo e se desenvolvendo em meio a esse cenário conflituoso. 

Não tardou para que eu percebesse semelhanças entre essa história e outros clássicos da fantasia, tais como as séries A Roda do Tempo, Harry Potter e, principalmente, Senhor dos Anéis. Essas semelhanças não se situavam apenas na presença de seres eternizados na obra de Tolkien, tais como anões, elfos e dragões, mas principalmente pela presença da “jornada do herói” e da maneira como foi construída. Explico: o personagem principal é um perfeito exemplo do arquétipo do herói.05

É acompanhado por um personagem que corporifica o arquétipo do velho sábio, o bardo Brom. Toda a jornada tem um desenvolvimento que cheira, tem gosto e ressoa a histórias de fantasia já conhecidas. Isso não é necessariamente um problema, claro. Acredito que por sua linguagem fácil, pouco descritiva e ágil, Eragon se torna um excelente livro para aqueles que quiserem adentrar o mundo da fantasia épica e ver um pouco dos universos que ela carrega, mas que se sentem intimidados com o tamanho de Guerra dos Tronos ou com as descrições de Tolkien em Senhor dos Anéis. Para fãs de fantasia, no entanto, a história pode se tornar um tanto previsível, tal como foi para mim, infelizmente.

Talvez esteja sendo muito dura com Paolini, que começou a escrever Eragon quando tinha 15 anos, e, com essa idade, utilizou o norueguês medieval para criar um idioma élfico. Há algo de genial neste autor que não pode ser negado, e isso se mostra em sua escrita, muito clara e envolvente, e em sua criação e desenvolvimento de personagens, principalmente da dragão Saphira. O que nos leva ao meu ponto preferido da história: todo o arco narrativo sobre a criação da ordem de Cavaleiros de Dragão.

Foi interessantíssimo acompanhar qual a história dessa ordem, descobrir como funcionava o vínculo entre Cavaleiros e Dragões, e acompanhar esse vínculo sendo desenvolvido entre Eragon e Saphira. Acredito que esse seja um ponto especial e envolvente nessa história, que me motiva a ler os próximos volumes para descobrir o destino desses personagens, torcendo por eles e acompanhando seu crescimento e desenvolvimento. Outro ponto forte desta narrativa é o sistema de magia desenvolvido,  por tratar da interessante ideia da força – mágica – das palavras sobre os fenômenos. A concepção de que as palavras podem ter força para alterar objetivamente a realidade ao nosso redor é interessante até mesmo por seu valor metafórico, e pode gerar interessantes reflexões.

  • Eragon
  • Autor: Christopher Paolini
  • Tradução: Nelson Rodrigues Pereira Filho
  • Ano: 2005
  • Editora: Rocco
  • Páginas: 468
  • Amazon

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