Título Original: Gone Gilr
Autora: Gillian Flynn
Ano: 2013
Editora: Intrínseca
Páginas: 448
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Antes de Garota
Exemplar
ser disponibilizado nas prateleiras das livrarias brasileiras, eu já
havia escutado um certo burburinho com relação ao livro. Diversos comentários
positivos e muitos vídeos de canais gringos comentando sobre o mesmo me
deixaram muito animada e ansiosa pela leitura. 

Infelizmente demorei muito para
conferir com meus próprios olhos a conturbada história criada pela talentosa
autora Gillian Flynn. Apesar de minha demora e lerdeza (acreditem quando digo
que leio muito devagar, rsrs) devo dizer, aqui e agora, que minha espera valeu
a pena, e que por causa desse livro já adicionei em minha listinha de futuras aquisições
(que de pequena não tem nada) vários outros livros da autora. 

“No que você
está pensando, Amy? A pergunta que eu fiz com maior frequência durante nosso
casamento, embora não em voz alta, não à pessoa que poderia responder.”

Garota Exemplar
possui um início misterioso e intrigante. No dia do quinto aniversário de
casamento do casal Dunne, a esposa, Amy, desaparece. O marido, Nick Dunne, passou
a manhã inteira fora de casa, em seu período longe da esposa ele passa pela
praia da cidade, onde fica por algumas horas e em seguida se dirige até o bar
que cuida juntamente com sua irmã. Enquanto conversava com sua irmã gêmea, Nick
recebe uma ligação de um dos vizinhos do casal, este comenta que a porta da
frente da casa está aberta. Por causa desta ligação Nick volta para casa. Mal
sabia ele que este seria o início de vários dias estressantes, revoltantes e
reveladores. 

Ao chegar em
casa Nick encontra seu gato sentado preguiçosamente nos degraus que levavam à
entrada da residência, esse simples fato já era estranho pois o casal evitava
deixar que o gato saísse de casa. Ao entrar ele percebe que sua sala fora
revirada, a mesa de centro estava quebrada e um móvel estava virado para baixo,
demonstrando que uma briga possivelmente ocorreu. Nick chama por sua esposa
diversas vezes mas a mesma não responde. Ele vasculha pela casa tentando
encontrar Amy, ou algum vestígio da esposa mas não encontra nada, sem opções, tudo que lhe resta é chamar a polícia para observar o local. Os policiais chegam
minutos depois e iniciam uma investigação pela casa. Para sua surpresa eles
encontram perdido em meio ao closet do casal uma pista. A pista número um

“Teoricamente
devemos buscar apoio do nosso cônjuge em momentos difíceis, mas Nick parece ter
se afastado ainda mais. Ele é um filhinho da mamãe cuja mãe morreu. Ele não
quer nada comigo.”

Observando o
caso por esses aspectos já podemos perceber o quanto os policiais e o próprio
Nick ficaram instigados com a situação, mas é com o aparecimento deste primeiro
envelope (o envelope na cor azul Amy) que os policiais se deparam com uma
incógnita em meio as investigações. Quando neste mundo, em meio a um
desaparecimento, alguém poderia imaginar encontrar a primeira pista para
resolver o mistério?! Acontece que o casal, ou melhor, Amy, havia criado uma
tradição para os aniversários de casamento. Neste dia especial ela realizava
uma caça ao tesouro, onde Nick deveria encontrar as pistas que o levariam até o
seu presente. A cada ano o presente deveria seguir o “tema” do aniversário de
casamento. No primeiro ano foi papel, no quinto deveria ser madeira. A partir
deste ponto diversas buscas se iniciam, diversas perguntas procuram por
respostas e nós somos inseridos aos dois lados da moeda. A todo momento nos
perguntamos o que aconteceu com Amy, Nick possui ou não culpa no cartório, qual
lado da história nos mostra a verdade ou pelo menos uma parte dela?
Tenho que dizer
que a autora acertou em cheio quando optou por intercalar os pontos de vista de
Nick com os de Amy, mas o toque especial, a sacada de gênio está na inserção de
trechos do diário de Amy. Com o diário nós observamos o lado da esposa,
conhecemos o seu dia à dia, compreendemos a história do casal. Durante grande
parte do livro, que foi dividido em três partes, somos manipulados pela autora
e por um certo personagem, somos levados a acreditar em algo que não existe, ou
que é levemente baseado em fatos reais. Porém depois de certo ponto, em certa
altura do livro, conhecemos a verdade, e compreendemos alguns motivos, alguns
sentimentos e o mais importante: entramos na cabeça de Amy. 

“Você não está
saindo com uma mulher, você está saindo com uma mulher que viu filmes demais
escritos por homens socialmente estranhos que gostariam de acreditar que esse
tipo de mulher existe e poderia beijá-los.”

Apesar de tudo
o que acontece e nos é apresentado durante todo o livro. Considerando todos os detalhes,
informações, razões e os pensamentos de cada personagem, a minha preferida logo de cara foi a Amy!
Ela é muito inteligente, tem um cérebro que não para por um minuto sequer, é
talentosa, hábil, manipuladora e extremamente disciplinada. Ela me encantou
desde o início com seus trechos de diário, mas no momento em que eu descobri a
verdadeira face da personagem eu me apaixonei ainda mais. Eu sei que o que ela
fez foi extremamente errado (quem já assistiu ao filme ou leu o livro sabe),
mas apesar de tudo o que ela causou, eu ainda a considero minha personagem
preferida. Desculpe Nick, mas seu jeito meio tapado, suas risadinhas e seus
pensamentos não conseguiram me convencer, dessa vez eu vou ter que ficar do
lado da Amy, rsrs.
Outra coisa que
eu preciso (na verdade, quero muito) destacar com relação ao exemplar físico,
algo que faço pouquíssimo em minhas resenhas, é a folha utilizada para a
impressão. Isso mesmo, você não leu errado, eu estou elogiando o papel que a
editora utilizou na impressão do livro! Eu nunca comprei um livro que utilizasse
esse tipo de papel, mas no momento em que virei a primeira página eu sabia
que ele merecia um destaque especial. A escolha de um papel diferente, com uma
textura diversificada que proporciona um toque totalmente diversificado daquele que estamos acostumados a observar em outros livros, demonstra o cuidado e apreço da editora pela obra
que estava em suas mãos. A formatação do livro também está ótima, eu não encontrei
nenhum erro ortográfico (se existem eles passaram batidos), também gostei muito
da fonte utilizada. A editora está de parabéns.

“Não tenho mais nada a acrescentar. Só queria garantir que eu tivesse a última palavra. Acho que fiz por merecer.”

Por fim tenho
que comentar o único ponto baixo de minha leitura, ponto este que não tem nada
a ver com o livro em si, mas com sua adaptação cinematográfica. Se vocês
quiserem, podem conferir a resenha que a Lili fez do filme Garota Exemplar
nesse
link aqui. Como eu comentei no começo da resenha, eu demorei para
realizar a leitura desse livro, por esse motivo acabei assistindo a adaptação
antes de conferir o livro. Esse simples fato tirou grande parte do brilho e da
graça da história. Eu já conhecia o
final, já tinha desvendado o mistério, e isso tirou um lado importantíssimo do
livro, um mérito da autora. É claro que o livro contém mais detalhes e informações por isso a leitura não foi em vão (e nunca será, em nenhum caso), porém meu
conselho para aqueles que ainda não assistiram ao filme e também não leram o livro é:
leiam primeiro, garanto que a experiência será ótima já que o livro não peca em momento algum. Não estou dizendo que o filme tenha pecado, ou que eu tenha algo a criticar, mas é sempre mais interessante conferir o livro primeiro não é
mesmo?

rela
ciona
dos