Título Original: The Signature of All Things
Autora: Elizabeth
Gilbert
Ano: 2013
Editora: Objetiva
Páginas: 513
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No comecinho
desse ano, o Estante Diagonal publicou a minha resenha do livro Comer, Rezar, Amar (resenha aqui).
Antes mesmo de ter a oportunidade de ler esse livro, eu já sabia que iria
gostar da história, mas o que eu não imaginava era que ele se tornaria um dos
meus livros favoritos, e que a Elizabeth Gilbert se tornaria uma das
minhas autoras preferidas. 

Uma coisa que muitos não sabem, ou ignoram, é que o sucesso de Comer, Rezar, Amar não está na história
em si, mas no fato de que a autora realmente passou por todas aquelas experiências e foi capaz de levar as melhores mensagens e aprendizados consigo. A autora foi capaz de
compartilhar conosco tudo o que ela aprendeu ao longo de sua jornada, e é ai que reside a beleza do livro. 

Foi
pensando no quanto eu amei a leitura de Comer, Rezar, Amar, no quanto eu adorei
a escrita da autora e em todas as mensagens que ela conseguiu passar, que eu
decidi me aventurar em outras histórias criadas ou observadas pela mente criativa da autora. Eu precisava saber
se a graça e a beleza da escrita de Elizabeth Gilbert poderiam estar presentes
em outros livros, ou se elas existiram apenas em seu livro de maior sucesso. E
foi assim, ou melhor, foi por esse motivo que eu decidi iniciar a leitura de A Assinatura de Todas as Coisas.

“Como mulher, é claro, a sua consciência moral sempre será superior à dos
homens, mas, se você não aguçar as faculdades mentais em defesa própria, sua
moralidade lhe será de pouca serventia. “

Nesse livro nós
acompanharemos a jornada de vida de uma mulher brilhante, conhecida por Alma
Whittaker
. Porém, muito mais do que conhecer sua história, nós também
conheceremos uma grande parte da história de seu pai, Henry Whittaker, nascido em Londres, de origem humilde, mas que nunca aceitou a sua condição, sempre lutou e fez de
tudo para crescer na vida. Logo no início do livro nós iremos descobrir como um
jovem humilde como Henry, foi capaz de viajar por todo o mundo e aos poucos construir sua fama e fortuna. Pois bem, meus caros leitores, descobriremos que nem toda a fortuna é
alcançada de forma honesta, mas perceberemos que, muitas vezes, apesar de um
início duvidoso, nossos personagens podem se endireitar, e foi mais ou menos
isso que aconteceu com Henry. Com sua fortuna e fama crescendo ele decide se
casar e firmar raízes nos Estados Unidos.
É nos Estados
Unidos que nossa história toma rumo, é nesse território que Henry Whittaker
constrói sua moradia, seu império e suas maravilhosas estufas. Henry apelida sua pomposa moradia de White Acre (um pequeno trocadilho com o seu sobrenome),
e é nessa residência tão famosa que nasce nossa querida personagem principal. Alma
Whittaker nasceu no ano de 1800, e foi graças a sua condição, e a inteligência e
formação de seus pais, que ela recebeu a melhor educação possível. Ela esteve em contato com coisas novas desde muito pequena, seus pais a encorajavam a conhecer, descobrir, não
parar de pensar até que entendesse muito bem os assuntos que estavam fora de
seu alcance. 

Dessa forma, quando já era uma moça formada, ela conhecia todo o
tipo de informações, estava familiarizada com todos os termos de botânica
(campo que ela tinha grande apreço, e que foi uma das grandes características herdadas do pai), além disso ela entendia muito bem latim, grego, holandês entre outras línguas.
Alma tinha acesso irrestrito a uma vasta biblioteca, foi capaz de conhecer e
compreender os estudos de diversos estudiosos, além de ter tido a chance de trocar ideias com muitos nomes importantes. Alma era
extremamente inteligente, mas infelizmente muito solitária em sua vida em White Acre.

Alma conhecia
tudo o que se podia conhecer, sabia de detalhes e segredos escondidos no mundo todo, estava ciente de
todas as novas teses, lembrava das opiniões de todos os tipos de estudiosos, ela conhecia o
mundo através dos livros, mas nunca foi capaz de observá-lo com seus próprios
olhos, ela nunca foi capaz de sair de White Acre. Porém, foi durante um momento de frustração, quando a vida lhe mostra sua face mais dura e imprevisível, que ela se volta para o misterioso e intrigante reino dos musgos, um campo de estudo que até aquele momento, não havia sido explorado.
Usando todos os seus conhecimentos, sua inteligência e seguindo um rumo totalmente novo, ela inicia um
jornada única. E é essa jornada que será capaz de levá-la para muito além dos segredos dos
pequenos musgos, irá mostrar um mundo de possibilidades, que vai muito além da
botânica e dos limites de sua propriedade.

“Nunca deixe o
trabalho de lado quando o sol está a pino, Alma, na esperança de conseguir mais
horas para trabalhar amanhã – pois você nunca terá mais tempo amanhã do que
teve hoje, e depois de perder terreno no que diz respeito às suas
responsabilidades, você nunca conseguirá recuperá-lo. ”

A Assinatura de
Todas as Coisas
é maravilhoso e instigante à sua própria
maneira. Para a criação desse livro a autora realizou uma pesquisa gigantesca, isso só nos mostra o carinho e cuidado que ela teve ao elaborar essa história.
Nós somos agraciados com todos os tipos de informações, e acreditem quando digo que essas informações não
se limitam apenas às plantas, flores ou musgos, elas vão além, nos contam como
eram os costumes da época, como essa ou aquela religião era pregada, como eram
as construções, como eram as viagens de navio e a lista vai crescendo e crescendo. Elizabeth
Gilbert
se preocupou em elaborar uma história palpável, uma história onde as informações
apresentadas fossem reais, fossem corretas. Esses detalhes tornam a trama ainda
mais maravilhosa, pois todas as informações estão muito bem amarradas, estão
intimamente ligadas com a história de cada personagem, com a época em que
viviam, tornando tudo ainda mais fascinante. 
Os personagens
também merecem grande destaque quando falamos nesse livro. Eles são totalmente humanos, são honestos e corretos com sua própria natureza, tomam atitudes ligadas com sua índole, cada um é mais fascinante que o outro. Nesse
livro a autora foi capaz de nos mostrar ações espelhadas em nós mesmos, nos apresenta escolhas que podemos fazer, reações e sentimentos que provavelmente já observamos
se não em nossas próprias vidas, talvez nas vidas de pessoas próximas a nós, tudo isso deixa a obra ainda mais rica. O interessante nesse livro é que, aqui nós poderemos
discordar com as ações de certos personagens, mas conforme avançamos na leitura, deixamos nossos
preconceitos e julgamentos de lado pois somos capazes de compreender o que motivou certas ações. Com o desenrolar da história, nós reconhecemos que sabemos muito pouco sobre as pessoas à nossa volta, e descobrimos que é necessário entender antes de julgar.
A escrita desse
livro é totalmente diferente da escrita apresentada no livro Comer, Rezar, Amar.
Aqui a autora assume o papel de narradora onisciente, uma vez que o livro é todo escrito em terceira
pessoa. Esta história é passada através de uma escrita mais formal e muito bem elaborada,
porém acessível e de fácil compreensão. A Assinatura de Todas as Coisas não foi feito para aqueles
leitores apressados, sua leitura é lenta, mas nunca arrastada. Esse ritmo mais
vagaroso se dá devido a quantidade de detalhes e descrições que a autora nos traz. O que eu posso dizer é que, Elizabeth quis ter certeza de que estava sendo fiel aos fatos, de que estava nos
passando uma grande história. Acredito que ela lançou mão de uma escrita mais elaborada e cheia de detalhes para garantir que nós não apressássemos a leitura, permitindo que fossemos capazes de entender as mensagens por trás de cada capítulo.

“Além do mais,
como Alma sabia muito bem, não eram sempre os mais belos, brilhantes, originais
ou graciosos que venciam a luta pela sobrevivência: às vezes eram os mais
cruéis, ou os mais sortudos, ou talvez os mais teimosos. ”

Agora, gostaria de aproveitar que estamos nos conduzindo para o final da resenha, e quero parabenizar a Editora Objetiva pela maravilhosa edição. O livro possuí
uma formatação simples, mas não se deixem enganar, até mesmo os livros com as formatações mais simples podem ser belos! Ao longo deste exemplar nós encontramos ilustrações de
plantas, flores e musgos, e esses foram os detalhes que mais me encantaram. Eu
simplesmente não conseguia parar de observar cada detalhe, traço, sombra e pequenas texturas apresentadas em cada uma das ilustrações. Elas são precisas, talvez até científicas, mas
são lindas em sua demonstração da realidade. Como se não bastasse o ótimo trabalho da edição, a editora está de parabéns pela
revisão. Não encontrei nenhum erro de revisão durante a leitura, e confesso que
fiquei muito feliz com isso, já que estava passando por uma boa quantidade de
livro com erros de revisão.
Por fim,
gostaria de destacar a única coisa que me incomodou nesse livro, e essa coisa foi a capa. Confesso sou
uma chata de galocha quando o assunto é capa. Uma coisa que eu sempre faço (não importa o livro) é pesquisar
todas as suas capas, além disso eu sou aquela que sempre observa se a capa utilizada
na versão nacional é a mesma utilizada em alguma versão internacional (normalmente prefiro as versões internacionais). No caso desse livro a capa é a mesma utilizada por outros países, o problema surgiu quando eu vi as outras opções, quase chorei. De todas as capas que
eu encontrei, a nossa é a mais simples. Gostaria tanto que alguma das outras capas fosse escolhida para a versão nacional.

A Assinatura de Todas as Coisas é um livro único, repleto de belas mensagens sobre a vida, o
amor e a vida. Ao inciar a leitura nós não estaremos preparados
para as descobertas que virão, para as tristezas e alegrias que a vida pode
proporcionar. Esse livro aborda muito mais do que a vida de uma
grande mulher, ele se trata de uma jornada, uma viagem intrigante, emocionante e
maravilhosa através da vida. Ao finalizar a leitura nós não seremos mais os
mesmos, pois teremos aprendido e descoberto tantas coisas que farão
parte de nós para o resto de nossas vidas, exatamente como acontece na realidade. Com uma escrita maravilhosa, uma pesquisa
muito bem inserida e amarrada, esse livro transborda vida, e nos mostra que a
maior jornada que podemos ter é a jornada que nos espera a cada novo dia, a cada nova descoberta!

“Veja só, eu
nunca senti necessidade de inventar um mundo além deste, pois este mundo sempre
me pareceu bastante vasto e belo. ”

rela
ciona
dos