Título Original: I’ll Give You the Sun
Autora: Jandy Nelson
Ano: 2014
Editora: Novo Conceito
Páginas: 377
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Quando Eu te Darei o Sol chegou aqui em casa eu não fazia ideia alguma do que iria encontrar nas páginas desse livro com a capa amarela mais fofa do mundo. Confesso que a cor, o desenho simples mas gracioso, e o nome curioso foram os principais responsáveis por me deixar curiosa em relação a história. Admito também que, quando não sei o que esperar de um livro, a capa é sempre a culpada por me fazer abandoná-lo ou iniciar a leitura com grandes expectativas. No caso desta obra a capa me salvou, mas eu preciso agradecer a Joi por ter me enviado esse livro, e ter me dado a oportunidade de conhecer uma história que, se não fosse pelo Estante Diagonal, eu provavelmente nunca teria a chance de conhecer.
Essa história possuí uma premissa simples e bem conhecida (acredito eu) por vários leitores espalhados mundo afora. Nesta obra nós seremos apresentados ao querido e criativo Noah e, a confusa e habilidosa Jude, irmãos gêmeos que estavam ligados um ao outro desde muito antes de nascerem. Os dois sempre possuíram uma ligação muito forte, por serem irmãos eles acabaram criando, desde o início de sua relação, uma ligação forte de apoio, companheirismo e proteção. Um sabe dizer quando o outro não está bem, sempre escolhem a mesma opção quando estão jogando Pedra, Papel ou Tesoura, eles possuem a capacidade de perceber o que o outro está pensando em qualquer momento, a não ser que algum deles feche as cortinas da mente e evite que o outro entenda o que se passa lá dentro.

“Alguma coisa está acontecendo no rosto dele agora, algo muito brilhante tentando transparecer, uma represa contendo toda uma parede de luz. A alma dele deve ser um sol. Nunca conheci ninguém que tivesse alma de sol.”

Quando a adolescência chega, e começa a tomar o lugar da infância e inocência, os dois irmãos, que antes eram tão unidos e ligados, começam a se distanciar. As amizades, os interesses e principalmente, a personalidade de cada um, faz com que NoaheJude, aos poucos se transformem em Noah e Jude, e iniciem um processo de distanciamento, processo este que muitas vezes é evitado, ou atrasado devido a falta que um faz na vida do outro. Porém, é justamente a personalidade, a inveja, ciúmes e por vezes a raiva que um sente pelo outro que farão com que a bela relação que os gêmeos mantinham seja corroída por inteiro. As indiretas, a forma como eles passam a se tratar, o fato de que os dois, aos poucos iniciam uma pequena guerra de cutucadas e estratégias para que percam coisas preciosas em suas vidas, faz com que o mundo seja destruído pouco a pouco. Mas é quando uma terrível tragédia ocorre na vida de sua família, que a ligação é quebrada por completo, e irmão e irmã se transformam em seres que nunca nasceram para ser.
Eu te Darei o Sol foi uma maravilhosa surpresa para mim. Normalmente eu não tenho o costume de ler livros com essa temática, e muito menos livros deste gênero (se não estou enganada, esse livro é um Young Adult). Essa obra fez com que eu saísse da minha zona de conforto, e não poderia estar mais feliz por ter tido a chance de conhecer essa obra. Aqui a autora nos agracia com as tão conhecidas confusões, dramas, aventuras e desventuras que vivemos na adolescência. Mas muito mais do que isso, nós encontraremos momentos de bela reflexão sobre a vida, sobre o amor, sobre seguir o que o seu coração manda. A leveza e graça dessa história me encantaram, fizeram com que eu voltasse para uma época estranha e engraçada. Esse livro foi como um espelho, segurado, estampado na minha frente. Ele me refletiu em suas palavras, me mostrou em suas letras, e fez com que eu realmente pudesse aproveitar a experiência.

“Jude sabe muito bem como prezo o sol e as árvores. Nós dividimos o mundo desde os cinco anos. Estou vencendo no momento; a dominação do Universo está ao meu alcance pela primeira vez. ”

Noah, sem sombra de dúvida, é o meu personagem preferido nessa história. Ele é único, criativo, irradia vida, alegria e amor. Noah fez com que eu lembrasse de mim mesma, me fez sonhar com coisas que não sonhava à tempos, me fez relembrar tantas histórias e acontecimentos que havia esquecido. Esse personagem maravilhoso possuí tanta humanidade, tanta vida dentro de si, que é impossível não torcer por ele, é difícil não se identificar. O detalhe brilhante e maravilhoso, de que o personagem desenhava e pintava tão bem, me fez lembrar de uma Bel mais nova e sonhadora, que almejava pelo dia em que fosse se tornar uma artista, sonhava com o dia em que fosse entrar para a Faculdade de Artes e “reconstruiria o mundo”.Quem sabe, a arte tenha sido o elemento crucial para me fazer amar, adorar e suspirar por esse livro. Talvez a soma de todas as partes confusas, estranhas e adoráveis do que é ser adolescente tenham feito com que eu me apaixonasse. Ou quem sabe, o fato de já ter passado por situações e experiências parecidas com as dos personagens, tenha feito com que eu mergulhasse de vez nessa história. Admito que leria de novo e de novo, e daqui a dez anos, onde quer que estivesse, ainda indicaria esse livro para quem quer que fosse, pois ele tem poder, e passa mensagens tão belas, que não quero esquecer jamais.

O livro é todo narrado por Noah e Jude. Noah nos apresenta o passado, nos mostra a época em que tinha treze anos e o distanciamento entre sua irmã não era algo definitivo. Jude nos apresenta o presente, ela nos acompanha pela época em que tinha dezesseis anos e as coisas já não eram as mesmas, onde tudo havia mudado e sua relação com Noah já não existia mais. Nós conhecemos a história através dos olhos destes irmãos, e ouso dizer que, se o livro fosse escrito de qualquer outra maneira, ele não teria o peso e a beleza que possuí. É graças aos olhos destes gêmeos que podemos nos identificar, ou não (desculpe Jude), é graças a eles que podemos acompanhar cada acontecimento, cada situação, cada pensamento e sentimento.Nós vivenciamos cada passagem juntamente com os personagens, e é aqui que está a mágica. O único problema, a única coisa que me incomodou ao longo da leitura, foi o fato de que as partes destinadas a cada personagem ficaram longas demais. Esse detalhes me surpreendeu e irritou pois permanecemos em um determinado acontecimento por tempo demais. Acompanhamos este ou aquele personagem durante várias e várias páginas, e isso atrapalha um pouco a leitura. Gostaria que a autora tivesse balanceado melhor as partes, tivesse optado por uma quebra maior nos acontecimentos, assim o livro não ficaria tão preso e o ritmo da leitura seria mais fluido.

“Digo que vocês têm que fazer escolhas, errar, cometer erros enormes, terríveis, imperdoáveis, realmente estragar tudo. Digo que é a única maneira. ”

A Novo Conceito está mais uma vez de parabéns pelo belíssimo trabalho realizado realizado nesse livro. Como já era de se esperar, novamente recebemos uma edição graciosa, simples, porém absurdamente bela. Confesso que me encanto muito mais por edições simples e bem boladas, do que por edições mais detalhadas. Minha única ressalva está no fato de que ainda existem alguns errinhos de revisão, não é nada que atrapalhe a leitura, mas observando uma obra encantadora e tão rica como essa, eu me atrevo a dizer que desejaria que não houvesse erro algum.
Eu te Darei o Sol é um livro leve, gracioso, sensível e absurdamente iluminado. Ele é a prova de que é possível se utilizar de uma nova visão sobre algo que já estamos acostumados a ver e ouvir. Esta obra nos mostra que o amor é complicado, difícil, complexo, mas vale a pena lutar por ele. E não se deixe enganar, não estou falando apenas do amor tão discutido e observado em casais, mas sim do amor pela vida, pela arte, de todo o tipo de amor que pode existir nesse mundo maravilhoso. Essa obra é viva, pulsante assim como Noah, ela quer nos mostrar que existe um mundo novo dentro de nós mesmos, dentro de tudo o que conhecemos. Tudo o que você precisa fazer é se arriscar.

“Afinal, quem sabe? Quem sabe alguma coisa? Quem sabe quem está no controle? Ou o quê? Ou como? Quem sabe se o destino é apenas como você conta para si mesmo a história da sua vida? ”

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