Em algum momento de sua vida você deve ter se deparado com uma figura peculiar, diferente, que se destacava do padrão ao qual estamos acostumados a observar todos os dias. Possivelmente, você se deparou com essa figura estranha em camisetas, mochilas e até mesmo livros, mas talvez nunca tenha reconhecido a personagem por trás do rosto de poucos amigos.  Muito mais do que uma personagem de camisetas, histórias em quadrinhos, graphic novels ou série de livros, Emily the Strange é um ícone para aqueles que não se encaixam, para os diferentes, é uma voz destacando a diversidade e até um pouquinho de contracultura.
Em seu primeiro livro Emily surge como Lacraia. Não, você não leu errado. Sim, o nome dela é Lacraia, pelo menos durante um breve período de tempo. Tudo começa quando nossa personagem principal se encontra sentada no banco de um pequeno parque, parque bem mal cuidado por sinal, ele só tinha uma arvore! Tudo o que ela sabe é que não sabe de nada sobre sua vida e não é  capaz de lembrar qualquer detalhe sobre seu passado ou quem foi antes de chegar ali. Sem saber o que fazer ou para onde ir, ela segue para o café El Dungeon, localizado na pequena cidade de Blackrock, e lá encontra pessoas estranhas que podem ou não esconder algo interessante.

Não demora muito para que Lacraia descubra aspectos peculiares de si mesma, como o fato de que ela sempre é capaz de perceber quando algo precisa de concerto, ou então, como ela pode se dar tão bem com quatro gatos pretos que moram nos fundos do El Dungeon. Partindo desse ponto a narrativa irá seguir para que o leitor, juntamente com Emily… Perdão, Lacraia, descubra o que está acontecendo, o que houve com sua memória, porque todos na cidade de Blackrock são tão estranhos, qual é o mistério por trás de tantos mistérios e, porque a fundadora de Blackrock parece tanto com ela.
Os Dias Perdidos é um livro razoavelmente curto, com uma escrita acessível, leve e direta, mas ao mesmo tempo, com a cara da personagem principal. Toda a narrativa é descrita através do  olhar de Emily, em formato de diário, sendo assim, encontraremos sua própria maneira de ver o mundo, sua forma de se comunicar e as gírias que usa, além de diversos desenhos, fotos e cartas anexados às páginas, garantindo ao leitor uma edição impecável e linda.  A obra, além de possuir uma narrativa fluída, se apresenta de forma a fisgar o leitor pelos mais diversos aspectos, seja pelo mistério, ou pelas risadas. Dessa forma, não é arriscado afirmar que, muito mais do que agradar o púbico infanto-juvenil, ele também agrada leitores com 24 anos nas costas!
A história é simples, porém bem arrematada, deixando o leitor curioso e instigado do início ao fim – mesmo um leitor que já tenha conferido a obra antes, como foi o meu caso. O mistério iniciado no início da trama cresce conforme a personagem desvenda pequenos segredos sobre si mesma e a cidade em que se encontra, levando assim a narrativa a algo maior do que a simples perda de memória. Além disso, o autor se preocupou em lançar ao leitor somente a quantidade necessária de informações, fazendo com que o mistério seja mais difícil de ser desvendado e garantindo a melhor experiência com o livro até o fim da leitura.
Emily the Strange é uma personagem adorável, única e diferente, o tipo de personagem capaz de encantar jovens e adultos. Conhecer ou não a trajetória da personagem, ser ou não fã de sua personalidade, não chega a interferir na experiência do leitor. O livro se fecha em si mesmo, garante que mesmo aqueles que nunca ouviram falar em Emily sejam capazes de se encantar por ela. A série iniciada com Os Dias Perdidos já possuí dois livros lançados no Brasil, espero ver o terceiro por aqui em breve, e têm tudo para se tornar uma queridinha de leitores estranhos de todos os estilos e idades!

  • Emily the Strange – The Lost Days
  • Autor: Rob Reger
  • Tradução: Santiago Nazarian
  • Ano: 2011
  • Editora: Galera Record
  • Páginas: 264
  • Amazon

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