Não é sempre que verbalizo, exteriorizo e me arrisco em expressar todo o carinho e agradecimento que tenho por uma pequena grande palavra conhecida por arte. A arte me salvou, ensinou o verdadeiro significado de palavras como inspiração, amor e criatividade. Foi capaz de mostrar que embora certos caminhos devam ser trilhados sozinhos, seres maravilhosos de eras passadas estão conosco, passando pelas mesmas coisas, sentindo as mesmas incertezas, dores e alegrias, mas tendo a certeza de que o mundo se torna único e mágico pelo olhar de mentes inquietas e corações carregados de inspiração.
Quando uma obra literária se propõe a compartilhar uma narrativa misteriosa, carregada de suspense e assassinato, mas, ao mesmo tempo ambientada na pequena cidade em que meu segundo pintor preferido passou anos de sua vida. Cidade em que estabeleceu morada, construiu um belíssimo laguinho de nenúfares e, incansavelmente, pintou suas obras mais emblemáticas. Quando um livro se propõe a contar uma história policial recheada de informações detalhadas sobre arte, sobre a vida de um pintor querido, sobre as ruas, a atmosfera de uma pequena cidade, todo aquele amor que carrego me direciona a leitura. E, apaixonada como sou por arte e um bom mistério, estranho seria se não compartilhasse com vocês esse lançamento, mais do que acertado, da editora Arqueiro.

Num vilarejo, viviam três mulheres. A primeira era má; a segunda, mentirosa; a terceira, egoísta.

A trama interliga pessoas, ruas, casas e segredos de uma cidade chamada Giverny. O palco principal está situado nos belíssimos Jardins de Monet, localizado atrás da casa do pintor, uma adorável residência rosada, onde inspiramos paz e criatividade e expiramos mistérios e crueldade. O gatilho é um assassinato. Um importante membro da comunidade é encontrado juntamente ao lago dos jardins, sua cabeça está parcialmente submersa, sua morte pode ter sido causada por uma pancada forte na cabeça ou um tiro em seu peito. Esse importante homem era apaixonado por arte, com uma predileção pelas obras de Monet, e também por mulheres bonitas.
Essa morte está diretamente ligada aos sonhos impossíveis de uma garotinha de onze anos chamada Fanette, sua criatividade e talento incontestáveis a levam para os caminhos da arte e pintura. As pinturas de Fanette se conectam as paixões e aspirações da única professora da cidade, Stéphanie Dupain, mulher de um dos principais suspeitos do assassinato. E como observadora de todas essas linhas da vida que se cruzam, temos uma mulher idosa vestida de preto, quase invisível na multidão, porém conhecedora de todos os segredos capazes de resolver os enigmas dessa trama.

A primeira só usava preto, a segunda se maquiava para o amante, a terceira enfeitava os cabelos para que voassem ao vento.

Fascinante! É assim que classificaria essa obra em apenas uma palavra. Com maestria, beleza e cuidado, Michel Bussi foi capaz de construir uma história que respira arte e informação, transborda mistério e prende o leitor do início ao fim. Cada detalhe, sendo fictício ou verdadeiro, é interligado de maneira a nos deixar confusos, perdidos no meio de tantas teorias e segredos. O assassinato é o ponto de início dessa trama, porém, as vidas ligadas a ele, os mistérios, os detalhes e sentimentos vão muito além, desabrocham como uma bela flor nos Jardins de Monet.
A presença das três personagens femininas é essencial e magnífica. Nunca pensei que ao finalizar essa obra, teria em mãos algo tão sublime, encantador, maravilhoso e cruel. A estratégia utilizada já me era conhecida, porém, mais uma vez, não fui capaz de perceber o que estava diante de meus próprios olhos, não fui capaz de ligar os pontos e prestar atenção nos pequenos detalhes. A maneira como a história nos prende, como nos instiga, torna ainda mais difícil perceber a verdade por trás das palavras e ações. Somente quem chega ao final da obra é capaz de perceber a grandeza desse livro, bem como, vem a ser presenteado com um fechamento gracioso.

É o sorriso de alegria de Fanette. São os olhos de ninfeia de Stéphanie. Vivos, muito vivos.

Ninfeias Negras contém suspense, arte, mistérios a serem esclarecidos, amores brutalmente afastados, sonhos despedaçados, beleza e crueldade. O livro é capaz de inserir informação real sobre arte em uma trama instigante, cria ambientes inteiros diante de nossos olhos, e nos confunde com suas palavras. Não saberia dizer se esse é um livro sobre arte ambientado em uma história de suspense, ou um suspense muito bem embasado em informações sobre arte, uma vez que os dois elementos foram marcantes para minha experiência de leitura. Mas, garanto que ninguém está realmente preparado para descobrir os segredos desse livro, não sem chegar até o último ponto final e compreender a graça com que fomos enganados e manipulados.

  • Nymphéas Noirs
  • Autor: Michel Bussi
  • Tradução: Fernanda Abreu
  • Ano: 2011
  • Editora: Arqueiro
  • Páginas: 346
  • Amazon

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