Annie agora é Milly, pois ela denunciou a mãe, uma assassina em série. Uma assassina de crianças. Nove crianças ao todo. Depois de anos convivendo em seu inferno particular, sendo abusada de todas as formas possíveis pela mãe, ela põe um basta nisso.
Enquanto aguardar o julgamento da mãe, Milly fica na casa do psicólogo infantil Mike Newmonts, que tem mulher e uma filha chamada Phoebe. Uma família que parece perfeita, mas por dentro é apenas uma ilusão. Uma ilusão bela e bem desenhada. Ainda assim, é o único lar que Milly conheceu na vida e vai faz de tudo para que continue vivendo lá, mesmo depois que o julgamento acabar.
Porém, além de ter que enfrentar em breve o julgamento da mãe, Milly tem que enfrentar a si mesma e os desafios de conviver com a Phoebe. A garota não gosta nem um pouco dela, sente um ódio por ela que Milly não entende, mas por não querer causar conflito na família, ela esconde tudo que Phoebe faz. Seja em casa ou na escola. Porém, todas as intrigas com Phoebe são bobagens em frente ao que Milly tem em sua mente. Ela se questiona muitas vezes se ela é como a mãe, se ela também tem o mal dentro dela. Será que a fruta cai muito longe da árvore?

Uma pessoa é capaz de perdoar um montão de coisas se precisa de companhia.

A edição está bem simples com uma capa metalizada. Confesso que a capa foi o que mais me chamou atenção, porém ao vivo, ela é bem estranha com a cor dourada. A narração fica em terceira pessoa, mas com total foco em Milly. Em alguns inícios de capítulos temos um momento em que Milly nos conta um fato do passado. É como se fossem em forma de poemas. Achei isso muito interessante.
Milly é uma garota perturbada pelos acontecimentos de sua vida. Nunca recebeu amor de verdade da mãe e nem de ninguém. Senti-me várias e várias vezes com pena dela. Como não ficar? Porém, é uma garota a quem não devemos confiar, pois ela deixa isso claro em muitos momentos da história. E em vários momentos eu me questionava se o lado bom iria prevalecer, pois tivemos alguns pequenos momentos em que a Milly má prevalecia.
Menina Boa Menina Má é um livro adolescente, mas não é um livro para agradar a todos os fãs de suspense. O livro é um suspense psicológico que vai mexer com a sua mente. É a história de uma garota que passou por algo maior e doloroso na vida. Algo que a mudou completamente, algo que deixa marcas mesmo que ela mesma não as queira.

Uma coisa inocente como um passeio de escola vira uma viagem ao meu passado com você. Correntes invisíveis. Vibram quando ando.

A autora trabalha bastante a mente humana nesse livro. O psicológico é o que rege essa narrativa e deixa tudo mais sombrio. Entrar na mente de Milly é um verdadeiro labirinto cheio de espinhos. Ela é um mistério para o leitor e até mesmo para ela às vezes, pois luta contra sua “natureza” e coisas “ruins” que podem acabar acontecendo. Com todo o tom sombrio, é impossível não imaginar com essa história irá se desenrolar ao final. Eu não cheguei a ficar surpresa, mas me senti realmente chocada em como a natureza humana pode ser devastadora às vezes.
Acredito que esse livro pode não agradar a todos e realmente não é de todo surpreendente. O livro teve poucos momentos que pudemos prender pelo menos um pouquinho o fôlego, mas gostei da escrita e da narrativa da Ali Land. Com certeza quero ler outros livros dela. Se você ainda não se sente convencido a ler o livro, Menina Boa Menina Má foi traduzido para mais de 20 países.
Sucesso, você não acha?

  • Good Me, Bad Me
  • Autor: Ali Land
  • Tradução: Claudia Costa Guimarães
  • Ano: 2018
  • Editora: Record
  • Páginas: 374
  • Amazon

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