Provavelmente alguns de vocês não sabiam que o amado Stephen King possui um livro “proibido”, e muito menos que essa proibição partiu do próprio autor após ver seu livro ser “associado”, servir de “inspiração” para crimes reais e brutais.

Aos dezenove anos, em 1966 Stephen King iniciava a escrita de seu primeiro romance, romance esse que foi concluído em 1971, e que foi publicado pela primeira e única vez, em 1977, sob o pseudônimo de Richard Bachman, o livro em questão é RAGE, traduzido por aqui como, Fúria.

Rage pode ser encontrado por aqui em “Os Livros de Bachman”

Fúria não chega a ser considerada uma obra de terror, mas é tida por muitos, como uma das obras mais violentas do autor. Nele conhecemos Charlie Decker, um adolescente problemático que após ser repreendido pelo diretor da escola na qual estuda, toma posse da arma de seu pai e sem nenhuma misericórdia mata sua professora e faz de refém seus colegas. Colegas esses que “influenciados” pela ocasião, entram em um jogo perverso e dão voz a seus maiores ódios, extravasando raiva e vontades que até então pareciam inexistentes. Essas confissões surpreendem o leitor por serem pesadas e sujas. Mas, o que realmente choca o leitor, é que os alunos tidos como reféns, parecem se esquecerem da situação toda, como se não tivesse um louco com uma arma os ameaçando e muito menos um cadáver na mesma sala que eles. Enfim… é a estreia de King como Bachman, já mostrando para o que veio.

Ok! Aparentemente é só mais um livro do autor, então por que ela foi proibida?

A obra acabou sendo ligada a alguns crimes, atentados que ocorreram na década de 80 e 90. Em 1988 na Califórnia um estudante armado manteve sessenta alunos como reféns, por sorte sem nenhuma vítima fatal. Em 1989 em Kentucky, nos EUA, outro grupo de estudantes também foram mantidos como reféns, por sorte, sem vítimas fatais.

Em 1993, mais uma vez em Kentucky outro aluno invade a escola armado, só que desta vez assassina duas pessoas. Em 1996, em Washington, outro ataque acontece, deixando dois alunos e um professor morto. Em 1997, lá em Kentucky mais uma vez, um aluno deixa oito alunos baleados e três mortos. E o que esses atentados têm em comum? Todos foram cometidos por leitores do autor, que, ou portavam o livro em suas mochilas na hora do atentado, ou declaram de alguma forma que o mesmo serviu de inspiração para seus crimes.

A repercussão foi tão grande que, o próprio Stephen King solicitou a retirada de seu livro de circulação e jamais autorizou que uma nova edição fosse publicada, ou seja, após 1997 a obra se tornou um objeto de desejo raro e muito caro para os leitores que amam King e querem ler todas as suas obras.

vídeo do Ezequiel com suas impressões sobre a leitura

Aqui no Brasil, o livro ainda pode ser encontrado na internet em PDF com uma tradução ruim, feita muito provavelmente de modo amador por algum fã do autor. Ele também pode ser encontrado na Antologia Os Livros de Bachman, publicado pela editora Francisco Alves, só que o mesmo só pode ser lido na Biblioteca Nacional, ou para quem desejar muito mesmo tê-lo em mãos, pagar uma pequena fortuna adquirindo um exemplar usado na internet e talvez algum sebo.

Acredito que seja importante frisar que o autor não deve ser responsabilizado pela forma como o leitor irá receber a sua obra e o que fará a partir disto. Tenho pra mim, que, quando alguém possui uma pré-disposição ao que quer que seja, irá interpretar qualquer coisa como inspiração, incentivo, sinal, resposta… A verdade é que a loucura humana não tem limites, e muitos só estão esperando um empurrãozinho para dar voz ao seu lado mais sombrio e macabro. Um exemplo clássico do que estou falando, é que a própria Bíblia já serviu de desculpa para gerar guerras, e em teoria é um livro de amor, que fala de amar o próximo, de respeitar, de ter uma vida em comunhão e harmonia. Mas e você, o que acha disto?

Você sabia que King tinha um livro “proibido”?

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