Quando olhamos para o céu o que vemos? Uma película azulada repleta de nuvens, um sol escaldante que sequer nos deixa contempla-lo, um mar preto-azulado repleto de estrelas e faixas brilhantes esverdeadas que dançam no firmamento… tudo isso e mais um pouco, sem dúvida. Mas você consegue enxergar também, mesmo que seja com os olhos da imaginação, milhares de estrelas, planetas, cometas, asteroides e, acima de tudo, as inúmeras questões que vez ou outra acabam por se resumir a: quem somos, de onde viemos e para onde vamos?

A raça humana sempre olhou para cima com mais perguntas que respostas, mas ao longo dos séculos os brilhantes astros da ciência vêm conseguindo esclarecer algumas destas dúvidas. Você deve se lembrar, pelos livros de história, que houve um tempo onde era crível que o Sol, o coração do nosso sistema, girava ao redor da Terra. E também que nosso planeta era plano, alimentando gerações com o medo de “cair pela borda” dos sete mares. Hoje, essas e outras teorias podem até ser motivo de riso, mas foi graças às contribuições e engenhocas de mentes antigas como Aristóteles, Ptolomeu, Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e muitos outros, que conhecemos um pouco mais do esperado e ainda assim longe de ser o suficiente em meio à gigantesca massa que é o nosso universo.

Desde criança, a vastidão do espaço sempre me fascinou junto aos dragões e cavaleiros medievais dos livros de fantasia. Tão fantástico quanto e muitas vezes ainda mais, fiquei a me perguntar como o homem conseguiu ir à Lua, como era possível ver da Terra os astros através de telescópios confeccionados por antigas mentes brilhantes que não tinham metade da tecnologia que possuímos hoje. Reflexões, dúvidas e suposições que antes não tinham sido esclarecidas assim o foram com esta leitura.

Alberto Delerue é bem-sucedido ao usar títulos chamativos para os capítulos e em sua pesquisa esmiuçada, utilizando de linguagem simples e fluida que torna o aprendizado bastante válido para o leitor leigo, entusiasta dos assuntos científicos. Apesar das nomenclaturas técnicas como troposfera, ionosfera e semelhantes, o autor ao mesmo tempo que nos apresenta tais nomes explana acerca de cada um deles, sanando de pronto dificuldades de entendimento que poderiam vir a existir.

Ao longo do livro referências e citações do que era acreditado por civilizações antigas, bem como da literatura de ficção foram bem exploradas e chegam a ser um deleite para os apreciadores de scifi, tornando a leitura quase tão envolvente quanto um romance que segue seu curso espontaneamente. Basicamente consta em cada capítulo um resumo acerca do que era conhecido sobre determinado astro e o que é tido no século XXI como certo, com imagens que auxiliam na absorção dos dados que são apresentados no final de cada capítulo.

Mas não só de planetas e corpos celestes se faz o conteúdo deste livro. O autor traz ao leitor um apanhado de missões espaciais tripuladas ou robóticas que ocorreram desde os primórdios da desenfreada Corrida Espacial entre os EUA e a antiga União Soviética até os dias atuais, compondo a cereja desse bolo astronômico. Uma das peculiaridades mais dignas de nota é, sem sombra de dúvidas, os nomes com que eram batizadas as novas descobertas seja de planetas, asteroides, estrelas, cometas ou mesmo as missões e satélites artificiais ou naturais. Inicialmente, eram denominados seguindo a mitologia – grega, romana, hindu, etc – e se os deuses antigos habitavam o Olimpo eles também abençoaram o cosmos; hoje esse processo foi modificado e utiliza-se iniciais e números para reconhecer os novos corpos observados pelos telescópios. Uma pena, em minha opinião.

Contudo, não espere uma tese completa e devidamente esmiuçada acerca do tema pois o livro possui pouco mais de duzentas páginas e apesar de conter diversas e importantes informações, chega a representar apenas a ponta do iceberg do que há para ser sabido na ciência estelar. Ainda assim, leiga como sou, pude aproveitar bastante a experiência que teria sido ainda mais rica se, e somente se, as imagens apresentadas ao longo dos capítulos fossem coloridas e não em escala de cinza.

Senti-me de volta às aulas de ciências na época da escola com um quê a mais ao ter em mãos novos elementos que saciam a fome por conhecimento desta que vos fala. Sem dúvida os capítulos mais interessantes foram o do gigante vermelho, Marte, por tanto tempo creditado como lar de vida alienígena nos livros de ficção científica e do nosso querido planeta azul, Terra, por me relembrar as facetas geológicas, climatológicas e seus mais variados aspectos.

Mercúrio, o primeiro planeta em ordem de afastamento do Sol, é um mundo tórrido, inóspito, destituído de um manto atmosférico e onde, obviamente, nunca chove. Vênus, o segundo, possui uma espessa camada atmosférica; contudo, suas nuvens são formadas de gases venenosos, letais. Marte, o planeta vermelho, é um mundo seco e gélido. As nuvens são muito ralas e as geadas caem no solo desértico como uma fina camada de dióxido de carbono. Os demais planetas – Júpiter, Saturno, Urano e Netuno – são mundos essencialmente gasosos, turbulentos, permanentemente envoltos em tempestades de fazer inveja aos nossos mais violentos vendavais.

Em “A história do sistema solar para quem tem pressa” você será apresentado a um leque de informações e dados compilados neste novo volume da série “Para Quem Tem Pressa” da Editora Valentina pelo jornalista e escritor carioca Alberto Delerue, proporcionando uma viagem esclarecedora pelos planetas e seus arredores.

  • A História do Sistema Solar Para Quem Tem Pressa
  • Autor: Alberto Delerue
  • Ano: 2020
  • Editora: Valentina
  • Páginas: 216
  • Amazon

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