Molly Gray é camareira em um hotel de luxo, ela não acha seu trabalho ruim, nem se sente envergonhada quando pessoas a menosprezam, ela vê aquilo como uma arte, que aprendeu com sua avó. É lá que ela descobre os segredos dos hóspedes, é recolhendo roupas sujas e toalhas usadas que ela sabe quem está dormindo naquele lugar, ela adora deixar as roupas de cama milimétricamente alinhadas, bem como sua avó lhe ensinou.

Mas vovó Gray acaba de morrer, ela era a única pessoa que Molly tinha na vida, seus pais haviam lhe abandonado ainda bebê, deixado para que sua avó lhe criasse, e ela sempre foi a melhor companhia para a vida dela. Mesmo tomada pelo luto, Molly convence seu patrão de que está bem, que o melhor para si é retornar ao trabalho o mais rápido possível, afinal seria o que sua avó faria se estivesse na mesma situação.

Ela logo se vê na porta de um dos hóspedes mais excêntricos, ela estranha quando ele não abre a porta, nem faz qualquer barulho ao ouvir sua chegada, ela entra, anda pelo lugar e o que ela não esperava, mas que nós, leitores, esperávamos desde a primeira linha do livro, era ela encontrar o corpo de Charles Black, mortinho da silva.

Se Molly e sua avó tinham um grande amor pela profissão de camareira, o mesmo fascínio e admiração não é compartilhado pelo pessoal da polícia, já que assim que ela chama as autoridades se torna automaticamente a principal suspeita de ter cometido o crime. Agora ela não é apenas uma camareira, deixou de ser alguém que normalmente não é notada e que muitas vezes se quer é vista durante suas entradas e saídas, agora acaba de se tornar o elemento principal de uma investigação e a principal suspeita de ter cometido o crime.

A Camareira é narrado em primeira pessoa, pela própria Molly, o que deixa a leitura ainda mais intrigante, já que sabemos apenas um lado da história, descobrimos as informações exclusivamente através de Molly, e ela não parece ser a pessoa mais confiável para contar sobre este assassinato.

Este é o primeiro livro de Nita Prose, mas ela já tem uma longa experiência com a literatura, já que é presidente de uma das maiores editoras do Canadá, a Simon & Schuster e logo no seu livro de estreia consegue uma obra maravilhosa, que já foi traduzida para mais de 20 países e está fazendo sucesso em todos eles, ficando entre os mais vendidos do New York Times durante várias semanas.

Aqui no Brasil o livro chegou através da caixinha Intrínsecos e as resenhas positivas logo começaram, agora chegou às nossas livrarias e as boas impressões sobre ele continuam.

Eu gostei demais da leitura, porém tem alguns pontos um pouco incômodos, o primeiro dele é o fato de que a narradora enrola muito em alguns momentos, sua descrição no começo do livro é quase uma ode às camareiras. Estas partes mais longas se fazem necessárias para mostrar a personalidade de Molly, tornando ela claramente, desde o início do livro, uma narradora nem um pouco confiável.

Esta forma de construir uma narrativa é sempre interessante, porque nunca sabemos qual relato da narradora é real e o que ela está omitindo do leitor, aumentando ainda mais o suspense, deixando as revelações apenas para as páginas finais do livro, com você pensando a todo momento se estávamos passando nosso tempo de entretenimento lendo coisas escritas por uma assassina, acompanhados de uma camareira responsável por um assassinato.

O último detalhe, que também me incomodou um pouco, é o fato de a resolução do caso ser um tanto quanto fantasiosa, muitas coisas do universo literário precisariam convergir para tornar crível a elucidação do caso, mas isso não tornou minha experiência literária pior.

A obra ainda traz diversas citações a autores consagrados e amados por todos leitores, como Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, além da obra ser ambientada de uma forma muito interessante, desde o seu palco principal, o hotel, quando a maioria dos leitores já teve a experiência de estar hospedado em um, até lugares conhecidos dos Estados Unidos, como o restaurante Olive Garden, uma das maiores franquias do país e o meu favorito quando estou viajando para aquelas bandas. Então ver os personagens conversando no restaurante me deu um daqueles sentimentos que só a literatura nos proporciona, de viajar para um lugar querido, de onde temos boas lembranças ou de poder nos levar a um lugar desconhecido e aguçar mais a sua vontade de viajar pelo mundo.

De forma geral, A Camareira é um livro diferente, original, abordando uma persona poucas vezes colocada em um papel central na literatura, fazendo aqueles que não estão acostumados a ler dezenas de livros por ano a se apaixonarem por uma obra tão diferente de tudo que já tenha lido. A leitura flui bem demais, e com o final dela ficamos apenas pensando em qual o próximo livro devemos pegar para manter a qualidade literária do primeiro livro de uma escritora que parece entender muito bem o que o mercado literário precisa e como ela pode inovar as coisas apaixonando leitores.

  • The Maid
  • Autor: Nita Prose
  • Tradução: Julia Sobral campos
  • Ano: 2022
  • Editora: Intrínseca
  • Páginas: 336
  • Amazon

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