O Retrato de Dorian Gray, por Oscar Wilde

22 fev, 2026 Por Mariana Iazzetti

O Retrato de Dorian Gray é um daqueles clássicos que todo mundo sente que conhece a história. E a sua sinopse é bastante simples na essência: um jovem, belo e privilegiado, cuja imagem fica para sempre preservada apesar de suas crueldades e do passar dos anos, enquanto um único retrato carrega toda a sua decrepitude.

Isso não quer dizer que eu sabia o que esperar quando entrei no livro. Me deparei com diálogos extremamente longos, porém repletos de pequenas alfinetadas à nobreza ociosa da Inglaterra do século XIX. Mas fica muito claro que também existem muitas críticas e reflexões sobre privilégios que seguem sendo tão atuais hoje quando quanto foram escritas por Oscar Wilde.

Um homem dono de si próprio acaba com um desgosto tão facilmente quanto como pode inventar um prazer. Não quero estar à mercê de minhas emoções, mas sim usá-las, torná-las agradáveis e dominá-las.

A estrutura da narrativa me surpreendeu muito: a princípio um livro bem parado e pautado nas conversas entre personagens arquétipos, me lembrou um pouco Jane Austen. Mas o elemento especulativo é totalmente inexplicado de uma forma que achei muito interessante. Inclusive, “interessante” para mim é o adjetivo que resume a história como um todo.

Apesar de termos mais de um clímax na história de Dorian Gray, a leitura é bem lenta e requer muita atenção. Acho que isso principalmente se deve à edição da Principis que li, com uma tradução em português arcaico. Se tiver a chance de ter acesso a uma edição mais modernizada e com notas de apoio, eu recomendaria bastante.

Porque, apesar da roupagem bem elaborada, a narrativa é até envolvente. Com uma pequena “barrigada” no ritmo aqui e ali, acho que, para um clássico de 1890, me soou bem moderno, e a segunda metade foi realmente uma surpresa.

Vale lembrar que a obra foi considerada imoral para a época e teve palavras censuradas, o que resultou em uma nova edição ampliada pelo autor. Com elementos góticos, fáusticos e do hedonismo, Wilde critica a sociedade e cultura vitoriana, apresentando um protagonista que abandona suas virtude sem busca do prazer individual.

Esse não se tornou, para mim, um novo clássico favorito, como é para muitas pessoas. Mas O Retrato de Dorian Gray é uma história provocativa na sua essência, e que têm mais a dizer pelas conversas que desperta do que necessariamente pelo que está nas páginas.

  • The Picture of Dorian Gray
  • Autor: Oscar Wilde
  • Tradução: João do Rio
  • Ano: 2020
  • Editora: Principis
  • Páginas: 240
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