O nosso rei está de volta, trazendo novamente a sua rainha, Holly Gibney, que terá, senão o seu caso mais difícil, aquele que exigirá dela novas habilidades, as quais ela nunca pensou que precisaria utilizar.
Na trama, um homem está prestes a cumprir sua pena de morte, a cadeira elétrica. Mas alguém parece acreditar que ele é inocente, e está disposto a realizar um verdadeiro massacre para que o condenado seja solto, são e salvo. Para isto, ameaça cometer nada menos que 13 assassinatos e a responsável por conter este risco é Izzy, uma detetive que não pensa duas vezes em solicitar a ajuda de sua grande amiga Holly.
Em paralelo a isto, temos Holly sendo contratada como guarda costas. Isto mesmo! Pode parecer bem estranho, mas ela irá ser responsável pela segurança de uma palestrante um tanto quanto polêmica, que tem opiniões que podem até conflitar com as de Holly, mas que precisará colocar isto de lado para evitar que aqueles que condenam as falas da mulher a causem algum mal.

Esse é o fio condutor de Não Pisque, um dos mais recentes livros de Stephen King lançado por aqui. E mais uma vez o autor apresenta um livro maravilhoso no que diz respeito a escrita do mestre do terror, o que não é nenhuma novidade. King parece ter mergulhado de vez no mundo real, deixando as coisas sobrenaturais e criaturas horrendas de lado, para se aprofundar no horror provocado pelos homens.
O enredo é dividido em duas histórias principais, uma delas, talvez a mais importante em termos de investigações, tem Holly mais distante, dando tempo de páginas a personagens coadjuvantes, que tomam a cena muito bem, servindo como ótimas companhias para nossa já conhecida personagem. Confesso que senti dificuldades em ver Holly nesta posição, pois não consigo imaginar ela ficando de lado em uma situação como essa ou preferindo ser uma guarda costas, mas foi o que aconteceu.
Holly Gibney é a minha preferida na literatura, e de qualquer maneira, cumpre muito bem o seu papel em Não Pisque, deixando mais uma vez aquele gostinho de querermos mais histórias com ela. Neste livro, inclusive, temos ela relembrando vários eventos que viveu ao lado de Bill Hodges, protagonista da série Mr. Mercedes, seu grande mentor, que deixa saudades até hoje.
Acho sensacional a maneira como King se libertou neste momento de sua vida e já não liga tanto para o que a crítica espera de seus livros. Não tem lançado obras repletas de horror, como aquelas que lhe deram fama no começo da carreira. Segue escrevendo com muita crítica social, trazendo muitos detalhes sobre política e sobre a sociedade atual. Tenho a clara impressão que o autor escreve somente por prazer agora, sobre o que ele gosta na literatura.
Esse detalhe faz com que seus livros pareçam mais bobos, mas são justamente o contrário. Holly é a personificação do que ele espera de uma pessoa, com erros, dúvidas, dificuldades, traumas, e que hoje pode colocar em pauta sem se preocupar com o resultado. E o resultado… minha nossa! É o melhor possível, entregando uma das melhores personagens que já existiu na literatura.
Mesmo assim, fiquei com alguns receios sobre umas atitudes de Holly, que eu acho que dificilmente ela teria, a conhecendo desde Mr. Mercedes, mas que passam batido quando vemos seu propósito e a maneira como ela vai se desenvolvendo. Fica a esperança do próximo livro dela, de como nossa amada personagem estará, somada a certeza de que o autor é imprevisível e não saberemos nunca quando, nem como, sua saga terminará.
*resenha postada originalmente no Leitor Noturno e editada por Joi Cardoso.

- Never Flinch
- Autor: Stephen King
- Tradução: Regiane Winarski
- Ano: 2025
- Editora: Suma
- Páginas: 448
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