Trazendo a continuação da dinâmica de amor, ódio e o impossível, Reckless volta a nos dar momentos de bravura da Comum Paedyn, dessa vez não mais buscando os braços seguros e capazes do Executor, mas fugindo de Kai após os trágicos e necessários acontecimentos de Powerless.
Ilya não é mais o reino de outrora, o rei que o governa deseja a cabeça da Paladina Prateada após o ocorrido nas Provas do Expurgo, e certamente Paedyn Gray não ficará para descobrir se querem seu pescoço com ou sem sua cabeça sobre ele.

Nessa nova jornada de aventuras, desertos e descobertas, Paedyn e seu Executor entendem que seus destinos e passados estão entrelaçados há muito tempo, e talvez permaneçam assim até o derradeiro final, para o bem ou para o mal.
“O fio invisível entre nós agora está carregado com nosso passado, nosso presente, nosso futuro — tudo que fomos um dia e tudo que somos agora. É uma espécie de harmonia hostil, ambos enfim totalmente conscientes do que somos um para o outro: nada. Apenas a casca daquilo que fomos; do que poderíamos ter sido.”
Aqui também viajamos por terras secas e desérticas, por uma nova cidade onde lutar pode ser o único meio de sobreviver de verdade, onde ser Comum não significa ser diferente dos demais: onde significa ser apenas normal. Talvez a chance de um recomeço… isso se ninguém descobrir que Paedyn, a Paladina Prateada, a traidora da Coroa está entre eles sob disfarces.
Apesar de ter sido esperado por mim, o segundo livro dessa “trilogia” acaba, apesar de não tantas páginas, se arrastando além do necessário. Não digo que seja algo horrível, apenas um pouco cansativo pensar que algo em torno de 300 páginas passa a sensação de 500+. O livro apresenta um enredo repetitivo onde, literal e basicamente, os protagonistas vivem em voltas e mais voltas no mesmo eixo, como se nunca conseguissem sair do lugar, apresentando uma ponte muito grande para amarrar ao terceiro livro da saga. Algo que poderia ter sido, na minha opinião, melhor trabalhado como uma duologia no total, cortando boa parte de história desértica em meio ao sol e sal da terra e enredo como um todo.

O que me faz, involuntariamente, questionar o ponto de Enemies to Lovers nessa história, não me entenda mal, eu adoro uma boa dose de amor & ódio que se entrelaçam como fios de uma mesma trança, mas até onde você seria capaz de amar alguém que lhe tirou tudo o que você preza e ama? Até onde o ódio realmente é uma linha tênue para o amor e a paixão? É o que percebo aqui com esses dois personagens, envolvidos no que já sabíamos desde o primeiro livro ser uma espécie de triângulo amoroso, embora, neste segundo, a narrativa esteja muito mais centrada no Executor. Até onde também o dever se coloca a frente de suas próprias vontades, medos e amores?
Digo e repito, Powerless é uma história com potencial, uma trilogia que talvez fosse melhor elaborada com apenas dois livros, cortando trechos cansativos e repetitivos, dando mais fluidez à história e seus personagens, talvez bebendo um pouco menos de tantas fontes já conhecidas da fantasia/romantasia. Mas para o leitor que gosta de algo leve, algo para distrair a mente e que não exija pensamentos mirabolantes para entender a trama, ainda segue como uma boa indicação, ainda mais para aqueles que estão começando agora a se aventurar por esses meios fantasiosos e reinos fadados à desgraça, dor e medo vindo das mãos de tiranos.
“Foi quando você me beijou que eu realmente senti medo do que você tinha feito comigo.”
Deixo aqui a indicação de: leia sem grandes expectativas, leia sabendo que Powerless é uma fantasia com o pézinho ainda no começo desse vasto oceano, com tramas previsíveis, com paixões jovens que desencadeiam ódio e fogo, com fios entrelaçados, com destinos e vidas roubadas e marcadas, mas com um fundo político suave pra quem gosta e ainda não consegue se jogar de cabeça em fantasias mais elaboradas. Aqui é uma porta de entrada para começar a se encantar por reinos e seu vasto leque de possibilidades.

- Reckless
- Autor: Lauren Roberts
- Tradução: Ivanir Calado
- Ano: 2025
- Editora: Rocco
- Páginas: 320
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