São os fracos que causam mais danos. Nada produz mais estragos que um homem fraco. Porque eles nunca aprendem, então só vão seguindo alegremente, deixando dor e destruição por onde passam.
A Briarwood House é uma pensão, no coração dos Estados Unidos, onde apenas moças de boa índole podem se hospedar. Pelo menos é dessa maneira, um tanto quanto rígida, que a dona do lugar apresenta seus futuros aposentos à Grace March, uma mulher desconcertantemente inteligente e sagaz, que está sempre pronta para oferecer uma dose de chá de sol aos que precisarem de um ombro amigo ou de um conselho.

Ao longo dos anos e às escondidas, assim que se percebem livres da velha senhora que comanda seu lar, as moradoras da casa se encontram para um jantar de quinta-feira, alternando-se como responsáveis pelo prato principal. Em meio a alguns drinques, receitas interessantes e umas pinceladas na parede, a casa começa a ganhar cores, sons e vibrações diferentes, tendo um pedacinho de cada uma delas no seu interior.
Em paralelo, as tensões políticas estão à flor da pele, havendo uma campanha anticomunista fortíssima no Congresso, principalmente por alguns políticos e simpatizantes fanáticos, colocando todos em atenção para os próximos passos do conflito da época.
…uma nação em que não se pode fazer perguntas está indo ladeira abaixo.
Com capítulos alternados entre pontos de vista diversos, acompanhamos a luta pessoal de cada integrante do intitulado Clube Briar, enquanto tentamos desvendar o grande mistério da trama: a autoria de duas mortes em uma noite de Ação de Graças no ano de 1954. Todos são suspeitos, mas a polícia parece incapaz de entender a sequência de eventos que gerou um crime como aquele na pensão.
Embora tenha sido um livro com uma história robusta e bem trabalhada, confesso que foi uma narrativa cansativa. A quantidade de personagens e a necessidade de trazer todas as suas vozes no enredo modificou bastante o desenvolvimento do livro, deixando o ritmo enfadonho, mesmo que, no apagar das luzes, eu tenha notado que fiquei conectada emocionalmente com a maioria.

A autora desenvolve muito bem seus romances históricos, e com esse não foi diferente. O pano de fundo deu mais camadas para a trama, deixou os protagonistas com um brilho diferente e mostrou que Kate Quinn merece estar nas estantes dos leitores. Mas, diferentemente da experiência que tive com A Rede de Alice, aqui precisei de um esforço mental enorme para concluir a leitura, pois a sensação era a de que, quanto mais eu lia, mais páginas faltavam para terminar.
…é o que as pessoas quase sempre querem dizer quando falam “a vida não é justa”. De fato não é, e é por isso que as pessoas deveriam tentar ser mais justas umas com as outras, não menos.
Mesmo assim, Os Segredos do Clube Briar é um romance interessantíssimo, que trabalha a resiliência feminina, mais complexa à época, diante de um Estado estruturalmente machista e não gentil para as mulheres.
Com vidas e experiências diferentes, discussões sobre a maternidade real, violência contra a mulher, as expectativas e valores de cada personagem, o livro monta a sequência de eventos que deságua na noite fatídica do Dia de Ação de Graças e se encerra com a sensação de dever cumprido, mesmo que nem todos os finais pareçam um grande “felizes para sempre”. Não é uma leitura perfeita, mas gostei bastante e recomendo, desde que saibam dos reveses que podem encontrar.

- The Briar Club: A Novel
- Autor: Kate Quinn
- Tradução: Cecília Camargo Bartalotti
- Ano: 2025
- Editora: Bertrand Brasil
- Páginas: 532
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