Anna Andrews é uma repórter e apresentadora de um grande jornal de Londres. Contudo, esse cargo é como substituta, e quando sua rival volta para o trabalho, ela vê sua posição ser retirada dela. Ainda abalada, ela é designada para cobrir o caso de uma mulher assassinada em Blackdown, uma pacata cidade onde Anna passou sua infância e adolescência.
O chefe da equipe policial responsável pela investigação é Jack Harper, que diferente de Anna, continua morando em Blackdown. O fato de já se conhecerem não afeta apenas os seus trabalhos, mas também o emocional de ambos. Quando os dois têm ligação com a vítima, eles sabem que podem ser um alvo como suspeitos ou como o próximo a morrer. Segredos do passado podem ser desenterrados, até onde estão dispostos a ir para mantê-los onde estão?

A narrativa do livro é dividida entre “Dele” e “Dela”, enfatizando que a divisão de ponto de vista quer mostrar os dois lados da história, afinal, além de terem relação com a vítima, jornalista e detetive também se conhecem em suas vidas pessoais, sendo esses fatos interligados, criando uma ligação com o crime muito maior de que apenas uma conhecida em comum.
Apesar do livro ter apenas os dois pontos de vista no presente, “dela” nos apresenta sua adolescência, levando o leitor ao passado e cada vez mais próximo de quem era a vítima, levantando algumas possibilidades de suspeitos e motivos. Essa perspectiva é inserida de forma muito natural, e em momento algum a história se tornou morna ou pior que isso, tanto no passado quanto no presente.
A autora constrói o suspense e os mistérios do livro também de uma forma natural, deixando muitos pontos abertos, coisas a contar, que me fizeram ficar extremamente intrigada para saber mais sobre, além de abrir muito espaço para criar teorias.
Rachel, a vítima, é muito bem construída. Eu acreditei por um bom tempo que, considerando as atitudes cruéis que ela apresentava, nada do que ela pudesse fazer me surpreenderia, mas eu estava errada. Aqui entra um reforço aos avisos de gatilhos. Há outra personagem que sabemos que também fez algo horrendo, e eu imaginei tanta coisa, mas foi pior do que eu imaginava.
Além disso, nada que a autora insere na história é em vão. Todos os detalhes e elementos são ligados a algo contado posteriormente na história ou tem algum papel na narrativa, tornando a história “bem amarrada”, e as dúvidas que surgem após algumas reviravoltas são sanadas em algum momento.
Porém o único ponto negativo para mim está na forma como os plot twist foram construídos. Para ser sincera, eu achava que o responsável pelos crimes estava claro depois de um certo ponto da história, e não era nada revolucionário, porém a história e os personagens foram tão bem construídos que para mim isso valia por si só, porque, apesar de não ser surpreendente, estava consistente.
Eu estava errada em minha teoria, e isso não é ruim, claro. O problema foi a autora dar a entender algo, “um desfecho”, e surpreender através de não ser o que suponhei e usar isso várias vezes. Ou seja, não está no como, mas na quantidade, que para mim costuma soar como um recurso apelativo. E esse incômodo fica mais evidente porque o assassino é surpreendente por si só, o que já seria um grande plot twist, então pecou nos excessos.

Gostaria de fazer um adendo à edição brasileira que, apesar de linda nos detalhes e design, apareceram algumas falhas na revisão do texto. Nada que impeça a compreensão, mas uma quantidade suficiente para chamar a atenção.
Por fim, eu adorei a trama, a forma que a autora a constrói e também na pegada dramática que a narrativa possui, a qual dá mais sustento no aprofundamento da história e personagens. Assim, estou bem ansiosa para ler outros livros da autora publicados no Brasil.

- His & Hers
- Autor: Alice Feeney
- Tradução: Letícia Ribeiro Carvalho
- Ano: 2025
- Editora: Darkside Books
- Páginas: 336
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