Sarah Morgan é uma bem sucedida advogada criminal, a qual encontra-se no auge da sua carreira, sócia da empresa antes dos 35 anos, um cargo muito cobiçado. Totalmente o oposto de seu marido, Adam, o qual é um escritor fracassado, e passa a maior parte dos seus dias em uma casa do lago, comprada pela esposa, numa tentativa frustrada de escrever um novo livro.
Ressentido do sucesso da esposa e da dedicação dela ao seu trabalho, Adam encontra-se com sua amante, Kelly Summers, em sua casa do lago há quase dois anos. Seu caso extraconjugal era um segredo bem guardado até sua amante ser encontrada morta a facadas, na cama a qual dividiam, o que o coloca como o principal suspeito.
Apesar da mágoa com a descoberta da traição, Sarah decide defender o marido, mesmo com a possibilidade de falha como advogada devido à complexidade do caso e de a maioria das circunstâncias apontarem Adam como culpado. Ele a amava e alega inocência, teria ele a matado?

A história é narrada através de dois pontos de vista, Sarah e Adam. Ambos mantêm o ritmo da história, sem que me fizesse lamentar pela alternância como acontece em algumas histórias. Adam tenta encontrar formas de provar que é inocente, já que ficar parado esperando a sentença não parece uma boa opção quando você acredita que é inocente. Assim, consegui compreender seu desespero em determinadas ações, mas isso não o deixa menos burro e sua burrice menos irritante.
Contudo, isso não chegou a ser um ponto negativo, sabe aquele personagem do qual é bom se irritar? Ele parece justamente construído para isso, e não acidental, o que não torna desconfortável. Enquanto isso Sarah está buscando provas para conseguir defender o marido judicialmente, e essa escolha de narrativa foi um dos pontos altos da trama, porque nunca havia lido uma investigação pelo viés do advogado, sendo assim uma novidade no gênero para mim.
Sarah é uma personagem fria e objetiva. Há passagens as quais explicam seu passado difícil com uma mãe viciada em drogas e como isso a levou ao modo sobrevivência em sua adolescência, o que favorece certa empatia pela personagem, contudo a passagem de uma lembrança foi algo entediante de ler devido a quebra da história principal, porém foi exceção e não recorrência, não necessariamente prejudicando a experiência num todo.

A história traz sempre novidades sobre o caso, o que manteve o ritmo da leitura, me mantendo sempre interessada, mas para mim elas não tiveram o peso de plot twists. Entretanto, vejo muitas pessoas indicando esse livro pelas reviravoltas, mostrando como o impacto é diferente para cada leitor, e não vejo prejuízos na minha experiência em comparação a outros leitores em decorrência disso.
Já em relação ao culpado do crime, consegui adivinhar porque segui a lógica de uma fórmula usada por muitos autores de suspense para uma resolução “surpreendente”, mas não havia conseguido pensar a respeito da motivação, o que sinceramente depois percebi que estava bem na minha cara. Apesar de não haver surpresa com o desfecho, eu gostei bastante do mesmo e de toda a experiência de leitura, me deixando motivada para ler a sequência, “Divórcio Perfeito” e outros livros da autora Jeneva Rose.
Apesar de haver sequência, a história se encerra neste livro, tratando-se de um novo caso no segundo volume, não sendo obrigatória a leitura para entendimento e aproveitamento da trama.

- The Perfect Marriage
- Autor: Jeneva Rose
- Tradução: Fernanda Lizardo
- Ano: 2024
- Editora: Darkside Books
- Páginas: 320
- Amazon


